Estamos no final do século XXIV. Quatorze anos se passaram desde que Jean-Luc Picard (Sir Patrick Steward, como é bom tê-lo de volta!) se aposentou da Frota Estelar. O ex-almirante da U.S.S Enterprise curte seu dia a dia no seu belo Chateau Picard, na França, porém não consegue relaxar totalmente: tem dificuldades para dormir, não consegue encontrar com o quê se ocupar e, pior, é atormentado todas as noites por sonhos com seu falecido melhor amigo, o Comandante Data. Os sonhos são muito reais, e Picard acorda sempre meio atordoado. A recorrência desses sonhos faz com que o comandante comece a desconfiar de que há alguma coisa estranha acontecendo.

Um dia, de repente, a visita da jovem Dajh (Isa Briones, bem convincente em seu desnorteamento) deixa Picard com a sensação de que há algo sobre a garota que o intriga, e, por isso, ele vai atrás de respostas.


Se você não é fã da franquia de ficção científica nem nunca viu nada a respeito, dá para começar por ‘Star Trek: Picard’? Honestamente, não. Apesar de ser o último produto lançado da franquia, é preciso ter um mínimo de noção do que acontece nesse universo, pois apesar desse primeiro episódio dar uma ambientada ao espectador, ele parte do princípio de que quem está assistindo conhece alguma coisa dos personagens e da trama geral. Portanto, uma boa dica é ao menos assistir ao filme de 2002, ‘Nemesis’, que dialoga diretamente com o ponto da história que a série retoma. Ou você pode clicar aqui e dar uma lidinha também na matéria especial que a gente fez aqui no CinePop.

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Tecnicamente, ‘Star Trek: Picard’ é deslumbrante. De tirar o fôlego mesmo! A qualidade técnica dos efeitos especiais, a direção de arte, a técnica de aumento de cor das cenas é de encher os olhos. É dessas coisas que a gente precisa ver em tela grande (então, se puderem, vejam na televisão e não no celular!)

O primeiro episódio da série ‘Star Trek: Picard’ começa um pouco lento, ambientando não só a história, mas também o tempo em que ele ocorre – já tendo passado vinte anos após os eventos da Nemesis. Entretanto, essa estratégia é importante para sentirmos o tédio, a paranoia e a insegurança que Picard leva em sua vida. Maaas, não se enganem: o terço final do episódio acelera, com reviravoltas inesperadas.

Depois do final de deixar o queixo caído do primeiro episódio, o segundo aprofunda as relações entre os personagens e a busca de Picard para juntar as peças do quebra-cabeças que literalmente bateu à sua porta. Assim, a trama dá mais espaço à Dra. Soji (também interpretado por Isa Briones), que foi a grande revelação do fim do episódio anterior.


Ao acompanharmos a Dra. Soji, vamos aprendendo mais sobre as inúmeras pesquisas que estão sendo realizadas com os romulanos sobreviventes, as manipulações e criações de inteligência sintética artificial e sobre indivíduos que simplesmente odeiam todo tipo de androides e de vida sintética. Assim, através da ficção, ‘Star Trek: Picard’ busca discutir temas extremamente atuais na sociedade moderna: a xenofobia com pessoas imigrantes de outras regiões, a ascensão de uma suposta raça superior e o preconceito contra tudo e todos que não são considerados dentro da normatividade de acordo com o sistema. Ou seja, qualquer semelhança com o que vemos em nossa realidade não é mera coincidência.

Um dos pontos mais bacanas do segundo episódio é a cena em que aparece um livro do escritor Isaac Asimov e Jean-Luc simplesmente diz, todo sério, que não curte ler ficção-científica. Rá!

Assim, no terceiro episódio, Picard intensifica sua pesquisa sobre quem era Dajh e como encontrar a tal Dra. Soji, só que, no meio do caminho, máscaras caem e Picard entende que terá voltar uma vez mais em uma expedição pela galáxia – só que, dessa vez, com uma nova tripulação e uma nova nave. E é esse o ponto auge do episódio: quando Picard finalmente pronuncia uma de suas frases mais famosas – e isso faz os pelinhos dos nossos braços se arrepiarem!

Pelo andar da carruagem, ‘Star Trek: Picard’ tem tudo para ser uma série de entretenimento que faz refletir sobre os problemas contemporâneos e, ao mesmo tempo, irá agradar aos trekkers de todas as gerações.


 

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