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Stellan Skarsgard revela que REDUZIU salário em filme PREMIADO em Cannes para garantir boas refeições à equipe técnica


O ator Stellan Skarsgård, vencedor do Globo de Cristal no Festival de Karlovy Vary por sua contribuição ao cinema mundial, contou em entrevista que aceitou um salário menor no filme ‘Sentimental Value‘ para garantir almoços de qualidade para toda a equipe da produção.

A decisão veio após experiências ruins com alimentação em sets noruegueses, conforme divulgado pela Variety.

“Eu perdi oito quilos em ‘Insônia‘. O almoço era só pão fatiado e salame de plástico. Eu disse: ‘Nunca mais filmo aqui sem contrato especial’”, contou ele, referindo-se ao thriller de 1997 que depois foi adaptado por Christopher Nolan.



Para ‘Sentimental Value‘, vencedor do Grande Prêmio do Júri em Cannes este ano e dirigido por Joachim Trier, Skarsgård abriu mão de meio milhão de coroas norueguesas (cerca de R$ 250 mil) para que a equipe tivesse refeições “no mais alto padrão europeu”.

“A comida tem que ser servida em porcelana, sem plástico ou sacos de papel. E todos devem se sentar para comer. Isso melhora o clima e o próprio filme. Desde então, nunca fiz um filme ruim na Noruega.”

Skarsgård também comentou sua atuação como Gustav Borg, um diretor de cinema tentando se reconectar com as filhas, incluindo uma atriz vivida por Renate Reinsve (A Pior Pessoa do Mundo). Ele elogiou a sutileza de Trier e a forma como o cineasta trata os conflitos familiares: “Ele não resolve tudo — e isso é bom”.

Sobre paternidade, Skarsgård, pai de oito filhos (incluindo os também atores Alexander e Bill), disse:

“O bom da minha criação foi mostrar que sou humano e cheio de falhas. Nunca me coloquei num pedestal. Dei liberdade a eles. Não sei quanto os destruí, mas tiveram liberdade para se destruírem sozinhos.”

Com seu característico humor ácido, também comentou sobre Hollywood, dizendo que mesmo dentro do sistema de grandes estúdios, há diretores excelentes como Denis Villeneuve (Duna) e Kenneth Branagh (no primeiro Thor).

Ainda assim, criticou o domínio corporativo no entretenimento:

“O problema é o sistema. Quando uma empresa de telefonia como a AT&T comprou a Time Warner e disse à HBO: ‘Chega desse papo artístico e façam coisa mais leve pra garantir nossos 15%’. Isso é horrível.”

Sobre morar nos EUA, foi direto:

“Não faria sentido. Tenho oito filhos, ficaria falido só com escola e saúde. Sem contar as esposas.”

Mesmo lamentando o fim dos filmes de médio orçamento — “com os melhores atores, roteiristas e diretores” —, Skarsgård segue otimista com o cinema independente:

“Ainda encontro muita alegria nisso. Estar num set é o que mais me dá prazer. E, quando eu era mais jovem, beber a noite toda também era ótimo.”

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