Steven Spielberg e a Ficção Cientifica! Relembre os seus MELHORES filmes do estilo


Não é à toa que Steven Spielberg ganhou o status de lenda e se tornou o cineasta mais popular da história, mais até que o próprio Alfred Hitchcock, que era bastante conhecido e tinha até um programa de TV. Mas os tempos eram outros, os chamados blockbusters ainda nem existiam – aliás, só passaram a existir depois que o próprio Spielberg fez ‘Tubarão’ (1975), onde o termo arrasa quarteirão se deu justamente pelo fato do público formar filas quilométricas ao redor dos cinemas e lotar as salas como nunca antes.

Obviamente, isso foi potencializado quando o seu amigo de faculdade, George Lucas, lançou ‘Star Wars‘ em 1977 e basicamente estabeleceu o que chamamos hoje de cultura pop. Porém, diferente de Lucas, que é até hoje é conhecido pela franquia dos Skywalkers, Spielberg foi um realizador que a cada produção lançava um novo hit, estes que mais tarde iriam se tornar clássicos.

É incrível a quantidade de obras marcantes que ele coleciona ao longo de seus 60 anos de carreira. E mais impressionante ainda é como o Spielberg trafegou por vários gêneros e teve êxito em todos eles.

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Se você procura ação e aventura vai ter o ápice em ‘Indiana Jones’; quer um suspense, em ‘Tubarão’ irá encontrar um dos mais brilhantes já feitos; é fã de história e gosta de filmes de guerra, ‘A Lista de Schindler’ e ‘O Resgate do Soldado Ryan’ são alicerces do estilo. Prefere então um bom drama, ‘A Cor Púrpura’ vai te trazer uma reflexão dolorosa, mas que infelizmente continua atual.

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Contudo, se há um gênero que o Spielberg se encaixa como especialista, este é a ficção cientifica. Diferente de outros realizadores que também são sumidades na vertente, todos os seus trabalhos são extremamente acessíveis ao público. Não é preciso muito para entender as suas histórias e saber o que elas têm a dizer.

No entanto, algumas vezes, essa particularidade é encarada como algo simplório ou piegas demais para alguns desavisados, quando na verdade muitos cineastas passam a vida inteira tentando atingir essa maturidade narrativa. Que é tratar de tópicos ricos e complexos com facilidade, fazendo com que a maioria do público compreenda o que está vendo em tela. E suas produções são geralmente acompanhados de personagens cativantes, tramas ágeis e narrativa envolvente.

Sobre os seus sci-fis, Spielberg simplesmente não erra quando se arrisca por esse meio. E com o recente ‘Jogador N1’, por exemplo, o diretor prova novamente que essa teoria não está errada. Pensando nisso, vamos relembrar aqui suas produções mais marcantes da ficção cientifica e falar como elas foram importantes e influenciaram diversos outros realizadores.

Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977)

Começando por ‘Contatos Imediatos do Terceiro Grau’, que foi lançado no mesmo ano do primeiro ‘Star Wars’, em 1977, e que para muitos é o melhor filme já feito por Spielberg. Indo de encontro a muita coisa que já tinha sido feita sobre alienígenas, sempre encarados como uma ameaça que viriam dominar a Terra, ou mesmo usados como alerta para conscientização de risco nuclear – o que EUA e Rússia poderiam promover na Guerra Fria, tema esse que foi abordado em ‘O Dia em que a Terra Parou’ (1951) – em ‘Contatos Imediatos’ não tem nada disso, pelo contrário, o otimismo é algo presente no filme inteiro.

O longa traz também uma reflexão até religiosa sobre o caso em questão. Não há humanos guerreando contra os ET’s e nem o contrário, mas sim a comunicação entre eles. O homem se conectando com o espaço e explorando o desconhecido. E a forma como isso acontece, então, entrou para história com a composição do seu eterno parceiro John Williams. E até hoje produções como ‘Interestelar’ e ‘A Chegada’, filhotes declarados, tentaram também discutir esse elo do homem com o espaço utilizando as mesmas ferramentas.

E.T. – O Extraterrestre (1982)

Após deixar o mundo perplexo com toda carpintaria vista em ‘Os Caçadores da Arca Perdida’, Spielberg voltou a fazer sci-fi com o maravilhoso ‘E.T. – O Extraterrestre’ (1981), que assim como em sua primeira passagem no estilo, trouxe uma mensagem positiva explorando a figura de um alienígena. Dessa vez se falou muito sobre companheirismo, solidariedade e aceitação pelo diferente.

Já diziam os especialistas do gênero, toda ficção cientifica precisa criar identificação com o mundano, sejam apenas em pequenos gestos ou nos temas abordados. ET está mais para uma comédia/aventura do que propriamente um sci-fi, mas, sim, há todo um contexto por trás da criatura, e mais ainda pela situação gerada em torno. Pela primeira vez em sua carreira, Spielberg trabalhou com crianças como protagonistas, ainda que em ‘Contatos Imediatos’ elas fossem bem presentes. Mas foi a partir de ET que isto virou uma de suas marcas.

Sua visão de jamais subestimar a compreensão e inteligência dos pequenos é algo absolutamente genuíno. Geralmente, colocando os guris como seres mais capazes de lidar com as diferenças. E novamente a cereja do bolo fica por conta de John Williams, que com sua marcante trilha sonora concebeu ao lado do cineasta um dos momentos mais mágicos da história do cinema, a famosa cena das bicicletas voando e criando uma silhueta na lua. Lindo!

Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros (1993)

Anos se passaram e após um caminhão de sucessos, Steven Spielberg voltaria à ficção cientifica de maneira ainda mais arrebatadora. ‘Jurassic Park: O Parque dos Dinossauros’ parou o mundo em 1993, conseguiu na época se tornar a maior bilheteria da história do cinema e todo mundo voltou a falar de dinossauros. Os números comprovam que nunca surgiu tantos profissionais na área de paleontologia como na época do lançamento do filme.

A adaptação do livro de Michael Crichton elevou a outro patamar a discursão da existência dos nossos antepassados. A brincadeira de mesclar ciência com informações pseudocientífica deu muito certo. Muitos biólogos também apareceram depois dos dados levantados das espécies no longa. O filme falava sobre DNA e clonagem, que era um tabu em alguns meios e que ficou muito mais acessível para o povão.

O que falar então dos efeitos visuais, onde o mestre Stan Wiston com a Industrial Light & Magic fez o mundo acreditar que realmente recriaram dinossauros reais. Foi um passo tão largo na escala de efeitos especiais que mesmo atualmente a junção do CGI com animatrônicos funciona perfeitamente. O próprio Spielberg voltou depois para a continuação ‘O Mundo Perdido: Jurassic Park’, que mesmo não tendo o brilho do anterior, possui momentos emblemáticos. A marca ganhou o mundo, virou parque temática, gerou novos livros, desenhos, jogos e atualmente tem números impressionantes com a nova trilogia ‘Jurassic World’, de Colin Trevorrow.

A.I.: Inteligência Artificial (2001)

Quando Spielberg filmava o primeiro ‘Indiana Jones’ no longínquo ano de 1981, ele conheceu um já consagrado gênio da sétima arte chamado Stanley Kubrick. Os dois trocaram várias ideias sobre vida, cinema e como tudo se interligava. Sem nunca terem trabalhado juntos, sempre pensaram em adaptar o livro ‘Superbrinquedos duram o verão todo’, de Brian Aldiss.

O Kubrick relutava em dirigir o longa, pois, como se sabe, ele não curtia os holofotes constantes da imprensa no seu pé. Sempre foi uma figura reclusa, mal dava entrevistas. Restando então ao seu amigo, Spielberg, assumir a batuta da direção e ele ficar apenas na produção. Foi aí que surgiu ‘A.I.: Inteligência Artificial’, um filme que segundo o próprio Spielberg foi regido por ele e o fantasma do Kubrick.

De fato, a obra tem um pouco dos dois: de um lado o pessimismo e o espirito destrutivo dos robôs vividos por Haley Joel Osment e Jude Law; do outro a esperança e a imaginação do próprio personagem do Osment em encontrar a fada azul. Muitos acreditam que o longa tinha capacidade de ir mais além em sua discussão e que se o Kubrick estivesse vivo, a coisa seria bem diferente. Mas a verdade é que ‘A.I.’ consegue não apenas trazer um bom leque de temas para debate, como também encanta o público do início ao fim.

Minority Report – A Nova Lei (2002)

Um ano depois, Steven Spielberg se envolveu em outro grande projeto sci-fi, dessa vez adaptando um dos mestres do estilo, Philip K. Dick, com ‘Minority Report – A Nova Lei’. Um filme que mistura suspense e muita ação a um texto ágil e ao mesmo tempo profundo. A premissa da tecnologia chamada “pré-crime” antevia os acontecimentos de eventos criminais quatro dias antes, prendendo os suspeitos antes mesmo do delito acontecer. Mas tal método obviamente mexia com a sociedade que se perguntava se era realmente legal incriminar alguém e prender só por sua intenção.

Obviamente, há muitas ideias a se discutir, e mesmo extrapolando na esfera da ação, ‘Minority Report’ é um filme interessante e capaz de gerar muita discussão. Sem falar na forte presença de Tom Cruise.

Guerra dos Mundos (2005)

Aliás, o Spielberg gostou tanto do ator que chamou ele para fazer a adaptação de outro clássico sci-fi, ‘Guerra dos Mundos‘, do também consagrado autor Herbert George Wells, esse um dos pais do gênero na literatura.

Particularmente, minha primeira impressão não foi das melhores. Conhecia o livro e achei que toda a história foi usada apenas para criar grandes cenas de ação hollywoodianas. Com o tempo entendi o poder das imagens, elas diziam muito sem que os personagens precisassem falar. Vemos ali a perspectiva de um pai tentando salvar sua família. E é impossível não comprar o drama do Cruise e da então chocante Dakota Fanning.

É um filme que fala basicamente sobre a arrogância. Primeiro nos personagens humanos e em como nos sentimos dono da situação. E depois no uso dos alienígenas fazerem parte da metáfora, até pela resolução da trama. Que para algumas pessoas é intragável, mas que dentro do contexto é pontual.

Jogador Nº 1 (2018)

E 13 anos depois, Steven Spielberg retorna à ficção cientifica com ‘Jogador Nº 1′. Baseado num livro de Ernest Cline, o filme parece na verdade uma desculpa para fazer uma homenagem colossal a cultura pop em geral. É uma ode à música (com passagens de Van Halen, Duran Duran e New Order); uma ode ao cinema (e nesse sentido então creio que não dá pra medir a quantidade de produções referenciadas, mas se destacam coisas como ‘De Volta Para o Futuro’, ‘O Iluminado’, ‘Star Wars’, ‘Star Trek’, ‘Gigante de Ferro’ e ‘Monty Python’ – tendo até uma auto referência a ‘Jurassic Park‘); e uma ode também aos games, por que não.

Dentre as muitas passagens de ‘Halo’, ‘Overwatch’, ‘Final Fantasy’, ‘Warcraft’, ‘Street Fighter’ e afins, há também uma metalinguagem primeiro na concepção de mundo, que é lá chamado de Oasis. Depois nos avatares usados como forma de interação entre pessoas. Onde muitos vivem reclusas a isso. Acima de tudo, Jogador N1 é um filme jovem. Extremamente atual em sua linguagem, nos temas abordados e principalmente pelos seus personagens, o velhinho Spielberg, no auge dos seus 71 anos, mostra aos jovenzinhos porque é considerado o pai da cultura pop mundial. Uma obra revigorante que traz a magia e a nostalgia de clássicos que víamos antigamente. E se ele irá ou não virar um clássico também, só o tempo dirá.

E você, o que acha do trabalho de Steven Spielberg? Também considera sua obra seminal a ponto de mudar o modo de se fazer cinema ou acha que ele é superestimado. Quais são os seus filmes favoritos Spielberg? Discorda de alguns pontos dessas obras da lista? Comenta aí e não esquece de compartilhar com os amigos.

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