Na década passada, a história de um casal do Kansas que não consegue ter filhos, cujas vidas mudam para sempre quando uma nave espacial cai em sua fazenda, trazendo um simpático garotinho alienígena lá dentro, chegou aos cinemas para expandir um universo cinematográfico em ascensão. Na trama, eles acolhem a criança espacial e a criam como seu filho.
Com o passar dos anos, o menino cresce e começa a sentir uma certa atração inexplicável para o celeiro da fazenda, onde sua nave está escondida. Sem saber de sua origem alienígena, o menino volta a suas atividades cotidianas, mas logo desenvolve habilidades incríveis, como força sobre-humana, inteligência acima da média e até mesmo a capacidade de voar.
Já sabe de que filme estamos falando, né? Bem, se você pensou em O Homem de Aço (2013), pensou errado.

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Lançado em 2019, Brightburn – Filho das Trevas é uma mistura de ficção científica com terror, cuja trama é exatamente essa citada acima. No entanto, diferentemente dos filmes do Superman, esse longa seguiu por um rumo obscuro, no qual a criança de outro mundo foi enviada para concretizar um projeto de invasão alienígena na Terra.
Conforme a história se desenrola, o pequeno Brandon (Jackson A. Dunn) até tenta lutar contra sua configuração alienígena original, mas logo dá início a uma saga de homicídios pela pacata cidadezinha de Brightburn. Na época de seu lançamento, o filme chamou muita atenção por ter trailers que parodiavam os materiais promocionais de O Homem de Aço e pelo nome de James Gunn como grande produtor do projeto. Ele estava no auge da Marvel, então ter sua presença em qualquer longa era um ótimo presságio para o público.

Na última semana, em conversa com James Gunn, durante a Press Tour de Superman, que trouxe o diretor e o elenco ao Rio de Janeiro, questionei o diretor sobre Brightburn e se ter trabalhado na ‘paródia do mal’ anteriormente trouxe algum tipo de aprendizado para ele na hora de comandar um filme do Superman original.
Segundo James Gunn, os fãs do “Azulão” podem respirar aliviados, porque os filmes são ‘completamente diferentes’, então nada de “Superman do Mal” dessa vez.
“Eu nunca tinha pensado nisso antes [ter trabalhado na paródia antes], mas posso adiantar que ‘Superman’ é um filme muito diferente de ‘Brightburn’ em vários fatores. Eu não escrevi e nem dirigi ‘Brightburn’, ele foi escrito pelo meu irmão, Brian Gunn, e meu primo, Mark Gunn, e foi dirigido pelo grande David Yarovesky. Então, na época, eu tentei deixá-los tocarem o barco com a maior liberdade possível nas filmagens. Mas lembro de ter amado muito aquela ideia de haver um filme de terror com o Superman, e acho que o nosso filme de agora é o extremo oposto de ‘Brightburn’. As escolhas do Clark são extremamente diferentes das tomados pelo Brandon, porque eles essencialmente são pessoas diferentes. Eles foram criados de maneiras muito diferentes pelos pais”, explicou James Gunn.

Na passagem pelo Rio, o elenco do filme falou bastante sobre o que faz deste novo Superman/ Clark Kent algo único nos projetos envolvendo super-heróis. E se teve algo que o ator David Corenswet ressaltou algumas vezes, tanto na coletiva de imprensa quanto no fan event, foi que o seu Kal-El é apaixonado pelo trabalho de herói e que gosta muito da raça humana, por isso transita entre esses dois mundos com sua identidade secreta e seu ‘verdadeiro eu’.
“Sua escolha por assumir a persona de Clark Kent, repórter do Planeta Diário, fala mais sobre seu amor pela humanidade e seu desejo de explorar e experimentar realmente como é ser um ser humano, do que qualquer outra coisa. Ele teve uma infância bastante normal crescendo na fazenda dos Kent, mas, uma vez que ele se torna o Superman, ele meio que sente falta de fazer parte desse grupo de pessoas normais, sabe? Pessoas que vão trabalhar todos os dias, que ficam presas no trânsito ou perdem a hora porque o trem atrasou e acabam sendo xingados pelo chefe. Ele adora isso, ele ama essa parte de ser humano e acho que isso fala um pouco sobre sua solidão e seu sentimento de estar alheio a humanidade. Ele ama estar ali, mas sabe que nunca será totalmente humano. Então, para ele, o Clark é sua oportunidade de fazer cosplay de uma pessoa normal, e ele realmente gosta disso”, explicou David Corenswet.

