O terceiro julgamento de Harvey Weinstein em Nova York foi oficialmente anulado. O desfecho ocorreu após o júri se declarar incapaz de chegar a um consenso, levando o juiz estadual a encerrar o processo. Conforme reportado pelo portal Deadline, a decisão do juiz Curtis Farber, visivelmente frustrado com o impasse, foi anunciada após apenas três dias de deliberações.
Na sexta-feira, os jurados já haviam notificado o magistrado sobre a impossibilidade de alcançar a unanimidade exigida pela legislação americana a respeito das acusações contra o ex-produtor de ‘O Discurso do Rei’. Buscando uma definição sobre a acusação de estupro em terceiro grau, o juiz Farber instruiu o júri a retornar à sala e debater o caso por mais tempo.
Contudo, cerca de 30 minutos depois, os jurados mantiveram o impasse e, após um requerimento formal da defesa de Weinstein, a anulação (mistrial) foi decretada.
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A partir de agora, o escritório do promotor distrital de Manhattan terá o prazo de um mês para informar formalmente ao tribunal se pretende iniciar um quarto julgamento contra o produtor, referente à suposta agressão cometida contra Jessica Mann.
Em nota emitida logo após a anulação, a equipe do promotor Alvin Bragg declarou: “Vamos considerar nossos próximos passos em consulta com a Sra. Mann e levando em consideração a sentença pendente de Harvey Weinstein após sua condenação no julgamento do ano passado por agressão sexual forçada contra Miriam Haley”.
O histórico legal do ex-magnata de Hollywood, hoje com 74 anos e enfrentando sérios problemas de saúde, é marcado por reviravoltas:
- 2020: Weinstein foi condenado por estupro contra Jessica Mann, mas a decisão foi totalmente anulada por um tribunal superior em 2024, exigindo um novo processo.
- Junho de 2025: O novo julgamento (o segundo do caso) terminou com um veredito misto por parte do júri de sete mulheres e cinco homens. Ele foi considerado culpado de ato sexual criminoso em primeiro grau contra Miriam Haley, absolvido da acusação envolvendo Kaja Sokola e o júri não alcançou consenso sobre o caso de Mann (o que gerou este terceiro julgamento agora anulado).
- Paralelamente (2022): O produtor foi condenado por crimes sexuais em Los Angeles, uma sentença na Costa Oeste que atualmente passa por fase de apelação por parte de seus advogados.
Weinstein, que sempre declarou inocência diante de todas as acusações, é representado pelos advogados Marc Agnifilo, Teny Geragos e Jacob Kaplan.
Em nota oficial, os representantes do ex-produtor celebraram o resultado: “A equipe de defesa apresentou um caso poderoso. Após ouvir as evidências diversas vezes e ver dois júris incapazes de chegar à unanimidade, fica claro que existe uma dúvida razoável significativa”.
Com a expectativa de que Weinstein seja transferido em breve de sua custódia temporária em Rikers Island para uma prisão estadual definitiva no interior de Nova York para cumprir suas outras penas, sua assessoria aproveitou para direcionar críticas severas à condução do caso pela promotoria local:
“O escritório do promotor distrital de Manhattan deveria parar de repetir o mesmo caso e concentrar seu tempo e recursos nos verdadeiros crimes violentos, no caos e nos problemas de segurança pública que afetam os nova-iorquinos todos os dias”, diz a nota.
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