O cineasta Damien Chazelle, responsável pela direção e roteiro do premiado musicalLa La Land: Cantando Estações’, comentou em entrevista ao site Entertainment Weekly todas as referências e belas locações apresentadas ao longo do filme.

Desde o Observátorio Griffith ao clássico noventista ‘Um Dia de Fúria’, ele aponta tudo aquilo que o ajudou a construir a apaixonante história de amor entre Sebastian e Mia.

Confira:

Observatório Griffith



“Eu amo Griffith em um nível muito pessoal. É um monumento da mesma proporção que o Arco do Triunfo ou o Big Ben, mas enquanto estes escalonam em um ambiente urbano, Griffith senta-se sobre uma colina como se estivesse em seu próprio mundo. Isso fala da expansão e do espírito de Los Angeles. É total, autêntica e ironicamente algo só seu”.

 

Aproveite para assistir:

David Hockney



Los Angeles é um nirvana de piscinas nas pinturas dos anos 60 e 70 do artista britânico Hockney. Seu trabalho, incluindo ‘A Bigger Splash‘ (foto), contribuiu para o processo criativo de Chazelle, que também se inspirou em uma cena na piscina, onde a câmera trabalha pela perspectiva da audiência, presente em ‘Boogie Nights – Prazer sem limites’, de 1997.

 

Tráfego de Los Angeles

Para a cena de abertura do filme, Chazelle pensou no traço menos romântico de L.A. e transformou-o em um número espetacular de música e dança.

“O tráfego de Los Angeles me assustou antes mesmo de visitar a cidade. Mas ao invés de focar na versão desesperadora, eu disse: ‘E se os sons de todos os carros se acumulassem em ritmo e se transformassem em um número musical?'”.

O resultado alegre, envolvendo dezenas de veículos e cem dançarinos é o alívio da raiva do trânsito.

 



Pulp Fiction’ (1994)

Chazelle queria que ‘La La Land’ tivesse um lugar no mundo real de Los Angeles, mas sem perder a fantasia que traz o elemento fantástico para a produção. Para isso, ele contratou o designer de produção de Quentin Tarantino, David Wasco.

“‘Pulp Fiction‘ é um dos maiores filmes de todos os tempos, por usar locais unilaterais de L.A. e, de alguma forma, criar completamente seu próprio mundo único. Foi um desafio extraordinário, mas tentamos fazer a mesma coisa de um ângulo diferente”.

 

‘Los Angeles Stories’, de Ry Cooder


A coleção de oito contos curtinho do músico Ry Cooder, lançado em 2011 foi a leitura de cabeceira para inspirar Chazelle a escrever ‘La La Land’.

 

‘Os Guarda-Chuvas do Amor’ (1964)

No dia anterior ao início das filmagens, Chazelle recebeu um presente do produtor Marc Platt: um cartaz francês emoldurado da obra-prima musical de Jacques Demy, de 1964, com Catherine Deneuve. O estilo poético e glittery de Demy foi uma das maiores influência para a concepção do filme.

“Eu absolutamente adoro Demy e este cartaz realmente me deu o impulso que eu precisava para passar por um calendário de filmagem bastante ambicioso”.

(Ele filmou em 48 locais – em 42 dias.)

 

Casablanca’ (1942)

É difícil tirar os olhos de Ingrid Bergman e Humphrey Bogart, mas o elemento-chave aqui é outra coisa. A personagem de Emma Stone em ‘La La Land’ trabalha em uma cafeteria na parte interna da Warner Bros. – e Chazelle ficou atordoado ao saber que o café estava em frente a esta “janela de Paris”, que Ilsa e Rick olhavam por longos períodos em 1942.

“Imediatamente decidi escrever uma referência à ‘Casablanca’ no roteiro “, diz ele.


‘Tarde Demais Para Esquecer’ (1957)

Ao vez de ondas do mar ou uma cordilheira, o fundo da tela no computador de Chazelle durante a pós-produção foi este suntuoso quadro do romance de 1957.

“Eu creio em coisas tão pequenas como o poder do papel de parede do meu computador. Basta olhar para Cary Grant, Deborah Kerr e aquela combinação de azuis, vermelhos e amarelos. Isso realmente me fez lembrar o que eu queria que ‘La La Land’ me fizesse sentir’’.

 

‘Um Dia de Fúria’ (1993)

Como uma criança crescendo em Nova Jersey, Chazelle ficou horrorizado com a representação de Los Angeles no thriller de 1993, estrelado em um tráfego-obstruído.

“Esse filme foi uma das muitas razões pelas quais eu pensei que L.A. fosse um inferno. E eu nunca quis pisar na cidade. Esse filme pinta um retrato infernal dela que eu acho interessante, agora que eu moro em Los Angeles e me apaixonei profundamente por ela. Gostei da ideia de começar o musical com aquela coisa que mais me assustou na cidade e que até hoje eu detesto: esse trânsito interminável que te cerca em meio ao puro concreto e emissão de gases poluentes, debaixo de um sol escaldante. Só que desta vez, ao invés de Michael Douglas irromper para fora de seu carro, todos decidem dançar”.

 

Chet Baker


Todos os três filmes de Chazelle (‘Guy and Madeline on a Park Bench’, ‘Whiplash’ e ‘La La Land’) foram saturados com os sons e a história do jazz. Para este filme, ele se voltou para os ícones do West Coast Jazz, incluindo Shelly Manne, Stan Gets, e Chet Baker (foto). “Eu também estava pensando sobre as histórias de Dizzy [Gillespie] ou Charie Parker passando por L.A. em suas turnês da Costa Oeste e onde eles iriam tocar”. Para garantir mais autenticidade, o cineasta expandiu seu amor pelo jazz na construção do protagonista, vivido por Ryan Gosling. “Ele se tornou um grande obsessivo sobre aprender tanto quanto necessário a respeito de toda essa cultura, o que foi emocionante para mim”.

 

O Cinema Rialto


“O Rialto é um cinema que costumava funcionar muito em Pasadena e hoje já não reproduz mais filmes”, diz Chazelle. O teatro desempenha um papel importante em ‘La La Land’, em que os personagens principais assistem ao consagrado drama de James Dean, ‘Juventude Transviada’.

“O local só funciona mesmo para eventos específicos e o fim do espaço está mais próximo do que quando filmamos a cena no cinema. Me lembro que quando fomos lá e tudo estava empoeirado, com sinais de abandono. Nos sentimos como se estivéssemos dentro de um navio destruído ou nas ruínas de um grande monumento”.  

 

The Dance, Henri Matisse

Um artista famoso por suas pinturas e retratos, Henri Matisse (1869-1954) transportou também o movimento surpreendente na obra que une tons fortes ao balanço da dança. Esta grande peça que apresenta uma espécie de balé hipnotizou Chazelle e influenciou a forma como ele decidiu projetar as sequências coreografadas do musical.

 

‘Los Angeles Por Ela Mesma’(2003)

O notável documentário de 2004 de Thom Andersen tem quase três horas de clipe de filmes (do clássico noir como ‘Pacto de Sangue’ a não-clássicos, como ‘A Senha: Swordfish’) e fez parte da pesquisa do cineasta.

“Eu absolutamente amo esse documentário. Los Angeles é estranhamente a cidade dos lugares menos físicos do cinema, sem nenhum aspecto específico da mesma dimensão que Nova York ou Paris. É por isso que todos têm sua própria ideia de L.A., e muitas nem são das mais agradáveis, mas se tratadas da maneira correta, ela pode ser uma cidade capaz de se manter como o parquinho romântico exatamente como as outras grandes metrópoles mundiais”.

 

The Jacques Demy Box Set – Criterion Collection

Os filmes do diretor francês Jacques Demy (que morreu em 1990) estavam frequentemente no aparelho de DVD da casa de Chazelle durante os seis anos que ele dedicou ao roteiro de ‘La La Land’. A coleção Criterion inclui as obras-primas melancólicas do diretor, ‘Os Guarda-Chuvas do Amor’ e ‘Duas Garotas Românticas’, ambas protagonizadas por Catherine Deneuve, e é um item necessário na coleção de qualquer amante de cinema (ou de ‘La La Land’).

 

‘Caça aos Gângsteres’ (2012)/ ‘Amor a Toda Prova’ (2011)

Emma Stone e Ryan Gosling não foram os primeiros atores pensados para os papéis principais (Miles Teller e Emma Watson foram considerados em um momento), mas Chazelle se beneficiou do carisma incorporado da dupla em parcerias anteriores.

“Eu estava certamente consciente disso. É engraçado, por um lado, eles me parecem a coisa mais próxima que temos agora de um velho casal de Hollywood, como Spencer Tracy e Katherine Hepburn ou Fred [Astaire] e Ginger [Rogers] ou Myrna Loy e Dick Powell. Há algo sobre a recorrência de Ryan e Emma como um casal, sobre eles individualmente como atores e a forma como se apresentam na tela – o glamour atemporal que eles são capazes de transmitir. Isso desencadeia o amante do cinema clássico em mim, mas eles também são, juntos e separados, atores muito contemporâneos. Seu estilo de atuação não é o que você encontraria naqueles velhos filmes de Hollywood. Essa era uma grande combinação rara: a antiga personalidade do famoso starsystem e a capacidade de serem pessoas reais que poderiam ser seu guia para uma história completamente moderna”.

 

Crítica | La La Land: Cantando Estações 

 

 

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