Durante duas décadas Val Kilmer destacou-se como um nome de peso no cinema hollywoodiano, estrelando blockbusters, contracenando com vários astros em filmes de sucesso como “Batman Eternamente” (1995), quando substituiu Michael Keaton, dividiu cena com Tom Cruise em “Top Gun – Ases Indomáveis” (1986), com Al Pacino e Robert DeNiro em “Fogo contra Fogo” (1996) e incorporou Jim Morrison com impressionante realismo em “The Doors” (1991), polêmica cinebiografia dirigida por Oliver Stone. Difícil imaginar que tanto talento caiu no ostracismo das duas últimas décadas desde que protagonizou “Planeta vermelho” (2000), seu último trabalho relevante, além de papel menor em “Alexandre o Grande” (2004) a partir de quando teve filmes diretamente lançados em home vídeo, além de ser afastado dos grandes papeis.

O documentário “Val”, já disponível no Amazon Prime Video,  promete cobrir a vida e a carreira do ator para seus fãs que sentem falta de seu talento.

O documentário é franco e direto ao desconstruir sua imagem de galã dos anos 80, deixa transparecer sua decepção com o rumo de sua carreira e fala de momentos desconhecidos para o grande público como a morte de seu irmão Wesley, quando crianças. Editado como uma sucessão de flashbacks sobre sua vida e carreira, as imagens revisam sua juventude idolatrando Marlon Brando com quem contracenou em “A Ilha do Dr.Moreau” (1996), o período em que estudou na Julliard (renomada escola em que Robin Williams e Christopher Reeve estudaram), entre outras passagens de sua vida exposta ora em fotos e filmagens de seu arquivo pessoal ora cenas de seus filmes.



O documentário não esconde histórias que negativam a imagem do ator diante do público como comportamento abusivo do ator durante as filmagens de “A Ilha do Dr. Moreau” (1996) quando queimou o rosto de um cameraman om um cigarro ou acusações de comportamento violento e infidelidade durante seu casamento com Joanne Whalley-Kilmer, com quem esteve unido entre 1988 e 1996. Desse casamento nasceram Mercedes (29 anos) e Jack (26 anos) que estiveram no evento de lançamento do documentário em Los Angeles, e também em Cannes.

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Do começo como cantor e agente secreto na parodia “Top Secret – Super Confidencial” (1984), passando a papeis como de nerd em “Academia de Gênios” (1985) ou de guerreiro em épico de fantasia em “Willow – na terra da Magia” (1989) , Val Edward Kilmer, hoje aos 61 anos, se defende assumindo ser um perfeccionista, espelhando até mesmo o polêmico Brando. Uma aura inevitável de lamento se faz sentir pelos problemas de saúde de Val, diagnosticado com câncer na garganta em 2016, que o levou a fazer traqueostomia e a usar um aparelho para ajudá-lo a falar.

Apesar de assumir erros e atitudes reprováveis, Kilmer não parece se entregar a arrependimentos à medida que a narração segue sem esconder sua vulnerabilidade em função da doença. Se o documentário foi realizado com a intenção de ser uma expiação pública, consegue em determinados momentos despertar pena, ao mesmo tempo que não disfarça a arrogância dos tempos de astro. Sua técnica de atuação parece quase uma justificativa para suas ações, mais do que simplesmente um amor pelo ofício que seguiu.



Ainda assim vale a pena assistir ao documentário e ter um vislumbre de sua personalidade, e estrelato que indiscutivelmente esteve presente por duas décadas de grandes produções.

 

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