O agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã tem gerado manifestações globais. Recentemente, os cineastas Yorgos Lanthimos, Mike Figgis e Ben Rivers uniram-se a dezenas de artistas e acadêmicos em uma carta aberta que condena a guerra e enfatiza o direito inalienável do povo iraniano à autodeterminação.
Segundo informações do Deadline, o documento circula entre profissionais da cultura em ambos os lados do Atlântico.
“Nós, um coletivo de artistas, profissionais da cultura e cineastas, emitimos esta declaração com plena consciência de nossa responsabilidade histórica e ética de condenar de forma inequívoca a guerra, a violência militar e todas as formas de intervenção política e militar”, afirma o coletivo.
A carta continua: “Declaramos de forma clara e sem ambiguidade que o destino, o futuro e a determinação política do Irã pertencem exclusivamente ao povo iraniano. Nenhuma potência estrangeira, nenhum governo e nenhuma coalizão militar possui legitimidade para determinar a trajetória política, social ou histórica desta terra. O direito à autodeterminação é um princípio fundamental e inalienável que surge apenas da vontade livre e consciente de um povo”.
O documento também pede “a cessação imediata dos ataques militares e das políticas de escalada contra o Irã e toda a região; o respeito incondicional ao direito do povo iraniano à autodeterminação; a priorização da diplomacia, do diálogo e do cumprimento do direito internacional; a proteção de civis e de infraestruturas essenciais; e a rejeição de qualquer política que trate a guerra como um meio legítimo de mudança política”.
A publicação ocorre no 11º dia da campanha militar liderada pelos Estados Unidos e Israel. Desde o início da operação, em 28 de fevereiro, o presidente Donald Trump declarou que os objetivos incluem a neutralização do programa nuclear e a mudança de governo.
Relatos apontam que o conflito já causou a morte de lideranças iranianas, incluindo o líder supremo Ali Khamenei, e vitimou ao menos 1.255 pessoas, segundo o Ministério da Saúde local.
Entre os demais signatários estão o diretor e artista multimídia americano Jem Cohen, a cineasta britânica Andrea Zimmerman, o diretor tailandês Thunska Pansittivorakul, a diretora da Viennale Eva Sangiorgi, o cineasta experimental e professor John Smith e o acadêmico Eyal Weizman, fundador do Centre for Research Architecture da Goldsmiths, University of London.
Os signatários da carta rejeitaram categoricamente o uso da intervenção militar.
“Condenamos firmemente os ataques militares realizados pelos governos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e seu território, que resultaram na morte e no ferimento de civis inocentes. Também rejeitamos as políticas belicistas do presidente Donald Trump, que contribuíram para a escalada das tensões e o aprofundamento da instabilidade regional”, acrescentou
O ainda destaca: “A história, tanto moderna quanto antiga, demonstra que nenhuma paz duradoura jamais surgiu de bombardeios ou ameaças militares. Nenhuma liberdade foi conquistada por meio de mísseis, sanções ou ocupação. A guerra, mesmo quando iniciada sob a retórica da ‘libertação’, inevitavelmente leva à destruição da infraestrutura civil, à fragmentação do tecido social, ao aumento da pobreza e à perpetuação da violência. Rejeitamos categoricamente qualquer narrativa política que apresente a guerra como um instrumento legítimo para alcançar a liberdade”.
“Acreditamos que o futuro do Irã e da região não será construído à sombra de ameaças e bombardeios, mas sim pela vontade dos povos, pela justiça, pela convivência e por uma paz justa e duradoura. Neste momento histórico crítico, estamos ao lado do povo do Irã e de todos os povos da região ao pedir uma paz justa, sustentável e humana. A paz é uma escolha ética e uma necessidade histórica, e nenhuma liberdade jamais nascerá da guerra”, concluiu.

