Superman, o maior super-herói de todos os tempos, ganhará um novo filme nas telonas este ano. É ganhou que você já deve estar cansado de saber. Esse, no entanto, não é apenas mais um filme do Homem de Aço, e sim o reinício de todo um universo nos cinemas – o universo dos personagens da DC na Warner, agora debaixo do selo de qualidade do diretor e produtor James Gunn (o homem que entregou a emocionante trilogia dos ‘Guardiões da Galáxia’).
Como forma de irmos aquecendo os motores para este que é o filme mais aguardado do ano para muitos, resolvemos revisitar agora o segundo longa para o cinema do Super-Homem, importante para cimentar de vez o gênero e o personagem como um dos mais queridos da época.

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Em 1978, o mundo acreditou. E não em uma pirâmide financeira ou em duendes, e sim que um homem podia voar — era Superman. O filme estrelado por Christopher Reeve não só fez a humanidade acreditar que um homem podia voar, como também provou que adaptações de quadrinhos podiam ser épicas, sérias e, ainda assim, divertidas. ‘Superman – O Filme‘ foi um estouro: aclamado pela crítica, arrecadou mais de US$ 300 milhões ao redor do planeta e inaugurou uma nova era de super-heróis no cinema. Naturalmente, uma sequência era questão de tempo. E assim nasceu ‘Superman II – A Aventura Continua‘ (1980) — um filme que deveria ter sido simples… mas virou uma verdadeira batalha nos bastidores, quase digna de um crossover com o Batman (sem direito a Martha como arrego).
Desde o início, os produtores Alexander e Ilya Salkind tiveram uma ideia megalomaníaca: filmar ‘Superman’ e sua continuação ao mesmo tempo, como se fazer um filme gigantesco já não fosse complicado o suficiente. O diretor Richard Donner, perfeccionista e visionário, comprou a briga. Durante a produção do primeiro longa, cerca de 75% de ‘Superman II‘ já havia sido filmado, o que teoricamente facilitaria a vida de todo mundo. Teoricamente.

Mas Donner e os Salkind entraram em colisão mais rápido do que uma bala. O diretor queria manter o tom épico e respeitoso ao personagem, enquanto os produtores queriam mais leveza, mais ação e menos discussões filosóficas sobre Krypton. Resultado? Brigas, gritos e, claro, a demissão de Donner antes que ele pudesse concluir o segundo filme.
Para terminar o trabalho, os Salkind chamaram Richard Lester, conhecido por seu trabalho com a maior banda do mundo, na aventura dos Beatles em ‘Os Reis do Ié-Ié-Ié‘ (A Hard Day’s Night) e por sua habilidade em misturar ação com comédia. E Lester fez jus à fama: regravou boa parte do material já pronto, injetou mais humor e transformou a continuação em algo mais leve, com piadinhas visuais e tom pastelão.

O resultado é uma obra híbrida — parte do estilo épico de Donner, parte da leveza de Lester. E é exatamente isso que dá charme (ou confusão) ao filme, dependendo de quem assiste. Acredite: tem cena do General Zod flutuando ameaçadoramente… e tem cena de Clark Kent tropeçando no carpete como se estivesse num esquete do ‘Chaves‘. Tudo, é claro, parte do charme inocente que Reeve trouxe ao personagem.
Apesar do caos, o elenco principal voltou firme como aço reforçado. Christopher Reeve assumiu o manto (ou melhor, a capa) do Superman mais confiante do que nunca — agora mais forte fisicamente e mais afiado no papel. Margot Kidder voltou como Lois Lane, com um timing cômico ainda maior e uma química com Reeve mais refinada. Quem retorna também é Lex Luthor, Gene Hackman volta como o vilão careca mais sarcástico da história — mas só aparece em cenas dirigidas por Donner, já que se recusou a participar das refilmagens com Lester.

E, claro, temos o destaque do filme: os três kryptonianos banidos da Zona Fantasma. Terence Stamp rouba a cena como o autoritário General Zod — dono da frase mais icônica do filme: “Ajoelhe-se perante Zod!”. Ao seu lado estão Ursa (Sarah Douglas), a guerreira com olhar fulminante, e Non (Jack O’Halloran), o brutamontes silencioso com cara de poucos amigos e força de muitos.
O enredo começa exatamente onde o primeiro parou. Superman salva o mundo, mas está apaixonado por Lois. Na Fortaleza da Solidão, ele toma a decisão mais polêmica de sua carreira: abre mão dos poderes para viver um amor comum com a repórter. Claro que, no melhor estilo “o universo não colabora com casais felizes”, os três vilões escapam da Zona Fantasma e invadem a Terra, conquistando o planeta com a facilidade de quem chega antes do feriado.

Enquanto isso, Lex Luthor dá um jeitinho de fugir da prisão e se aliar aos kryptonianos, só para tentar roubar a cena (e o mundo). No final, Superman precisa recuperar seus poderes e enfrentar os vilões em uma batalha que envolve socos voadores, vitrines quebradas e uma cena no Planeta Diário digna de novela mexicana. E como bônus, temos um beijo que apaga memórias, porque… por que não, né?
Antes de Reeve se tornar o Superman definitivo, nomes como Robert Redford, James Caan, Nick Nolte e Sylvester Stallone foram cogitados para o papel. Após o primeiro filme, Reeve quase desistiu de voltar, insatisfeito com a direção que o estúdio tomava. Mas após um reajuste de salário e algum convencimento, ele retornou — e ainda melhor. Para a direção, Guy Hamilton (de 007) chegou a ser considerado, mas não pôde por questões legais. Outros nomes bizarros como Sam Peckinpah chegaram a surgir, o que poderia ter tornado ‘Superman II‘ um “faroeste ultraviolento”.
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‘Superman II‘ foi recebido positivamente pela crítica na época, embora muitos notassem o contraste de tons entre Donner e Lester. O consenso era de que o filme oferecia mais ação e humor do que o original, mas perdia um pouco do peso dramático. O The New York Times elogiou o desempenho de Reeve e a dinâmica entre os personagens, enquanto outros veículos, como a Variety, apontaram a direção de Lester como “mais leve, mas funcional”.
Alguns críticos torceram o nariz para as mudanças de tom e para o humor exagerado. Outros adoraram a ação e o carisma dos vilões. No geral, o filme manteve a boa reputação do primeiro e consolidou-se como uma das melhores sequências de super-heróis já feitas — mesmo com todo o caos nos bastidores.

Apesar dos problemas internos, ‘Superman II‘ foi um sucesso comercial. Lançado no Reino Unido em dezembro de 1980, assim como no Brasil (e nos EUA apenas em junho de 1981), o filme arrecadou cerca de US$ 190 milhões mundialmente, com um orçamento estimado entre US$ 54 e 60 milhões. Nos EUA, estreou em primeiro lugar e ficou entre as maiores bilheterias do ano, provando que o público ainda queria — e muito — ver o Homem de Aço em ação.
Anos depois, em 2006, os fãs finalmente puderam ver ‘Superman II’ como Donner o imaginou. O “Richard Donner Cut” incluiu cenas inéditas, refilmagens descartadas e uma narrativa mais próxima da visão original. Com um tom mais coeso ao primeiro filme, essa versão ganhou status cult e mostrou que, sim, existe uma linha do tempo alternativa onde Superman podia ser mais sério e menos pastelão.
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‘Superman II‘ se tornou um clássico. É uma das raras sequências que conseguem manter o nível do original, mesmo com turbulências criativas, egos inflados e diretores trocados no meio do caminho. O filme estabeleceu o General Zod como um dos maiores vilões da cultura pop e consolidou Christopher Reeve como o Superman definitivo — insuperável até hoje, em muitos corações por aí.
‘Superman II – A Aventura Continua‘ poderia ter dado tudo errado. E, honestamente, quase deu. Mas graças ao talento do elenco, ao charme do protagonista e à paciência dos editores, o filme entregou um espetáculo que mistura ação, romance, comédia e destruição em massa com estilo. Pode não ser perfeito, mas é icônico. E se você ainda não se ajoelhou perante Zod… bom, melhor começar a ensaiar.
