Crítica 2 | O Regresso

Crítica 2 | O Regresso

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UMA PESSOA BONITA, MAS QUE QUANDO ABRE A BOCA…

 

Sabem quando você vê numa festa uma pessoa muito bonita, bem vestida, mas quando fala tudo se desfaz?? Então, foi essa a minha sensação ao ver O Regresso (The Revenant), de Alejandro González Iñarritu: um filme de imagens bonitas, tecnicamente correto, até virtuoso em certas partes, mas que não diz ao que veio. Nele, acompanhamos o caçador de peles Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) que, gravemente ferido por um urso, é abandonado para morrer pelo companheiro de exploração John Fitzgerald (Tom Hardy). Ao longo do cansativo segundo ato, vemos Glass passando por todo tipo de provação que um ator é capaz de passar para ganhar um Oscar… desculpe-me! Vemos todo tipo de provação que um explorador é capaz de passar para… regressar e vingar-se.

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Eu falei que o filme tem imagens bonitas, não disse? Então, as locações são deslumbrantes, rendendo imagens bonitas, muito bem fotografadas, porém vazias. Há frases no filme que se vestem de grandiosas para esconder suas raízes de “folheto de autoajuda”. Estas frases denunciam o desejo de diretor de criar imagens evocativas, de dimensão metafísica. Contudo, elas não vão além de ambientar o espectador na cena. Se a direção de fotografia de Emmanuel Lubezki foi essencial para Terrence Malick construir metáforas visuais únicas em A Árvore da Vida, em O Regresso, Iñarritu só consegue produzir belos cartões-postais. Enfim, tirando a imagem de um grupo de homens carregando tochas no meio de uma floresta escura, já no último ato, nenhuma outra fica na memória.

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O desenvolvimento da história é irregular. Temos uma abertura de impacto, na qual Iñarritu pode mostrar seu virtuosismo. Depois, o filme entra em uma progressiva perda de ritmo até chegar ao arrastado e irregular segundo ato. Aqui acompanhamos Glass em seu regresso. Em paralelo, vemos o regresso de Fitzgerald e a busca de vingança um grupo de índio (uma subtrama um tanto mal encaixada). Salpicados aqui e ali, flashbakcs que tentam contar o passado de Glass são confusos, sem contribuir para uma conexão entre o público e o protagonista.




Agora, vamos à razão que fez vocês clicarem neste texto. Sim, todo o sacrifício físico de Leo está na tela. Sim, muitos vão se angustiar com várias das suas cenas. E, sim, ele tem tudo para levar o Oscar. Porém… não é seu melhor trabalho. Sendo bem sincero, DiCaprio chega perto do overacting. Ele faz questão de esfregar na nossa cara o quanto está atuando bem, o que puxa o público para fora do filme. Em certas cenas, juro que o escutei balbuciando “Esse Oscar é meu!” Juro! Podem conferir!

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Brincadeiras à parte, DiCaprio faz um ótimo trabalho, de uma entrega física palpável, sem se descuidar dos momentos de introspecção. DiCaprio só não se sai mais brilhante porque tem como base um roteiro raso e por precisar disputar com o ego do diretor. Outro que merece aplausos é Tom Hardy, que interpreta um sujeito desprezível, sem perder sua dimensão humana.

As locações belas, as atuações feéricas, os pequenos achados visuais (como a saída de Glass da cova) e as boas cenas, como o ataque do urso e os confrontos entre Glass e Fitzgerald, são qualidades de uma obra que poderia ser grande, não fosse os excessos de Iñarritu. Ele queria realizar um épico, mas fez apenas um filme bonito, até virtuoso em certas partes, que não marca os olhos e nem ancora no coração do espectador. Ao menos, não no meu.

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