Crítica | Batman vs Superman: A Origem da Justiça

Crítica | Batman vs Superman: A Origem da Justiça

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O Universo Cinematográfico DC

Tudo o que funcionou serve de exemplo, certo? É com essa máxima que os estúdios Warner pretendem levar ao grande público dos cinemas os personagens da DC Comics, seus por direito. O estúdio retentor do Superman e do Batman percebeu o potencial de suas propriedades quando a rival Disney (dona dos direitos dos heróis da Marvel) construiu um verdadeiro universo cinematográfico, costurando histórias e transformando merchandising em rios de dinheiro. Mas não apenas isso, os filmes da Marvel possuem qualidade. E é essa a parte mais difícil, confeccionar algo que tenha ressonância.

Se para a Marvel foi necessário lançar cinco filmes antes de juntar todos os seus personagens em Os Vingadores (2012), a DC faz o caminho inverso, cansada de dar com os burros n´água. Superman – O Retorno (2006) não deu certo e precisou ser “rebootado” com O Homem de Aço (2013) – que também não atingiu o esperado, mas foi assim mesmo. A trilogia do Cavaleiro das Trevas de Nolan se fecha em seu próprio arco e existiu num universo à parte. E Lanterna Verde… bem, vocês sabem.  É o famoso caso de “ou vai, ou racha”. E, aparentemente, foi.

Batman VS Superman




Assim como O Homem de Aço, Batman vs Superman é um filme extremamente sombrio. O clima tenso impera. Tudo é excessivamente dramático. Não existem Existem poucos alívios cômicos. Ou seja, todos os elementos para um filme pesado, sem grande alegria e totalmente afastado daquele sentimento de “estar maravilhado”, inerente aos mais clássicos filmes de super-heróis.

Grande parte do que faz “um filme de herói” é transformar adultos em crianças novamente. É fazer os sonhos se concretizarem. E é nessa parte que o cinema se mescla a este subgênero, já que muito desta definição está implícito no que é cinema: magia e diversão. Poucos são os que adentram uma sala de cinema para, por duas horas, se sentirem miseráveis, e muito piores do que entraram.

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Ao mesmo tempo, é preciso admirar a coragem da DC, por se manter fiel ao seu espírito original citado, e não aderir ao “caminho Marvel de fazer filmes”, como sendo a solução da lavoura. Existe mercado para os dois tipos de escolha. Particularmente, uma produção pseudo-sombria, mas com censura baixa, é um grande engodo contraditório. Seja como for, em sua grande parte, Batman vs Superman funciona, e é o filme pelo qual os fãs estão esperando. Ninguém sairá insatisfeito.




A sessão de imprensa começou com uma mensagem gravada pelo diretor Zack Snyder, o comandante da obra. Nela, o cineasta pedia encarecidamente para que os jornalistas e especialistas ali presentes basicamente não tenham espírito de porco, entregando segredos (os famosos spoilers) do filme. O que eu posso afirmar é que não existem grandes segredos, para aqueles que viram todos os trailers e prévias lançadas pela própria Warner ao longo dos meses que precederam o lançamento. Acredite! Tudo o que você já sabe, é o que verá na tela.

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Na trama, após os eventos apresentados em O Homem de Aço, nos quais a cidade de Metrópolis foi quase reduzida a cinzas – ecoando muito o trágico 11 de setembro em Nova York – o bilionário Bruce Wayne (Ben Affleck) resolve que o alienígena conhecido como Superman é muito mais uma ameaça, do que um salvador. Muitos pensam igual a ele, como o jovem magnata Lex Luthor (Jesse Eisenberg), que toma atitudes mais extremas para que tal “ameaça” seja dizimada de seu planeta. O ricaço psicótico então resolve numa espécie de joguete colocar Superman e Batman, os maiores heróis da Terra, para duelar. E o resultado é… bem, você verá nas telas, tenho certeza.

Batman vs Superman funciona de forma harmoniosa e não há furos gritantes aparentes no roteiro, bem trabalhado a duas mãos por Chris Terrio (Argo) e pelo especialista David S. Goyer (trilogia O Cavaleiro das Trevas). No entanto, existe sim um sentimento deste ser “um filme do meio”, um sentimento de que esta história não começou aqui e tampouco terminou. As pontas soltas – como a aparição de diversos personagens da DC, com destaque para a Mulher Maravilha (Gal Gadot) – são estrategicamente plantadas como migalhas para filmes vindouros. Dois detalhes em especial chamam bastante atenção – duas sequências de “sonho” de Bruce Wayne. Fiquem ligados nisso, pois há nas entrelinhas algo suculento para o futuro.

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Fora isso, a sensação de grandiosidade é trazida pela trilha de Hans Zimmer, novamente o maestro por trás dos “esporros” sonoros que prenderão sua atenção na marra. Isso não é um ponto negativo, mas Snyder e Zimmer pontuam com sonoridade, destacando a importância de certas cenas. O que só acrescenta a tremenda dimensão da coisa toda.

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Ben Affleck é o ponto chave, tem o melhor desempenho dentre os atores (tanto como Wayne, quanto Batman) e leva basicamente a seriedade do filme, carregando o protagonismo da obra com grande desenvoltura. Outra atuação de destaque é a de Holly Hunter como a senadora Finch, sendo também uma âncora responsável por fincar o fantástico no real. Como contraponto nas atuações, a caricatura confeccionada por Eisenberg (em geral um ator simpático) para seu Lex Luthor. Não sei de quem foi a ideia para esta abordagem, e poderia até ter funcionado, mas o exagero com que o jovem entrega suas cenas é comparável a unhas arrastando num quadro negro. Causa desconforto e retrata um antagonista sem sentido.

Batman VS. Superman satisfará os entusiastas, fãs e fanáticos. Para todo o resto serve como entretenimento passageiro, sem qualquer reflexão ou significado.

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