Crítica | Cinderela

Crítica | Cinderela

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Cinderela foi criada pelo autor francês Charles Perrault em 1634, mas somente se tornou popular quando a Disney desenvolveu sua clássica animação em 1950, tornando-a a segunda princesa do estúdio (Branca de Neve foi a primeira).

Apesar do sucesso da animação e das diversas versões que foram lançadas ao longo das últimas décadas, minha preferida foi a retratada em ‘Para Sempre Cinderela‘ (‘Ever After: A Cinderella Story’), filme dirigido por Andy Tennant, de 1998. No romance, o roteiro toma liberdades criativas sobre o conto original, e dá mais profundidade para a protagonista, o principe e a Madrasta Má. As atuações de Drew Barrymore (Danielle de Barbarac, a Cinderela) e Anjelica Huston (Baronesa Rodmilla de Ghent) elevam o filme a um romance extremamente bem atuado e dirigido, que traz até a presença inusitada de Leonardo da Vinci (Patrick Godfrey) como um pintor que ajuda a gata borralheira em diversos momentos do filme. É uma versão modernizada do clássico, que consegue adicionar elementos e dar profundidade à trama, a tornando melhor que o material original.

Tendo esta preferência em vista, fui assistir esse ‘Cinderela‘ com um pé atrás, afinal, já tinha a imagem perfeita do conto nos cinemas e achava difícil uma nova versão me agradar. E agradou em cheio.

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Produzido pela própria Disney, ‘Cinderela‘ é um daqueles filmes que usa a história clichê e batida sem adicionar novos elementos, mas consegue te encantar pela simplicidade e beleza do conto: a garota pobre, mas rica de espírito, que conhece o jovem rico (mas pobre de espírito) e logo se apaixonam, superando todas as adversidades de viverem em mundos totalmente diferentes até conseguirem o final “Felizes Para Sempre”.

É a história mais clássica e batida do cinema, e já foi recriada em centenas de produções cinematográficas das mais variadas maneiras, indo de ‘Uma Linda Mulher‘ até ‘Cinquenta Tons de Cinza‘ (sim, apesar do sadomasoquismo e de toda aquela sacanagem, o filme traz a história da garota comum que se apaixona pelo príncipe).

Dirigida por Kenneth Branagh (‘Thor’), a trama acompanha a vida da jovem Ella (Lily James), cujo pai comerciante casa novamente depois que fica viúvo de sua mãe. Ansiosa para apoiar o adorado pai, Ella recebe bem a madrasta (Cate Blanchett) e suas filhas, Anastasia (Holliday Grainger) e Drisella (Sophie McShera), na casa da família. Mas quando o pai de Ella falece inesperadamente, ela se vê à mercê de uma nova família cruel e invejosa. Tudo muda quando ela conhece um belo estranho na floresta, o Príncipe Kit (Richard Madden).

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Branagh consegue empregar aqui seu estilo shakespeariano, com cenários deslubrantes e uma arquitetação ambiental maravilhosamente detalhada, graças à construção de sets gigantescos ao invés do uso do infame e batido CGI. Isso dá uma maior realidade aos eventos da trama, unidos com o figurino majestoso, que te transporta para a época em que a história se passa.

O elenco de apoio é o principal chamariz do filme. Cate Blanchett brilha e rouba a cena como a Madrasta Má, em uma das melhores atuações de sua carreira. Ela não fica caricata como tantas outras atrizes que tentam interpretar uma vilã, e sua sua personagem consegue transpor ódio e dor apenas com o olhar. Uma atuação digna da nossa vencedora do Oscar de Melhor Atriz.

A fada madrinha é vivida por Helena Bonham Carter, sendo Helena Bonham Carter. E isso é ótimo. A atriz consegue adicionar ironia à personagem e tira risos da platéia, mesmo tendo uma participação curta.

Richard Madden também encanta e esbanja charme como o Príncipe Kit, deixando o elo fraco do elenco para a protagonista: Lily James dá o seu melhor como Cinderela, mas acaba sendo ofuscada pelo talento de seus coadjuvantes. Mesmo assim, não afeta a produção.

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Cinderela‘ é um clássico instantâneo, um filme à antiga que irá agradar a todos, com belas mensagens morais e aquele sentimento de feel good ao final da produção.

Em tempos de blockbusters que dão ênfase na ação exacerbada e esquecem o roteiro, ‘Cinderela‘ mostra que ainda há espaço para o cinema clássico, feito à moda antiga, unindo um bom roteiro a uma direção primorosa.

O longa da Disney conquistou a liderança das bilheterias norte-americanas com US$ 70 milhões e fazendo US$ 132 milhões pelo mundo, conseguindo assim pagar seu orçamento de US$ 95 milhões. ‘Cinderela’ teve abertura maior que ‘Malévola’ (US$ 69,4 milhões) – o que é um feito considerável, já que a adaptação não tem uma protagonista conhecida como Angelina Jolie – e a terceira melhor de um filme da Disney no mês de março, perdendo apenas para ‘Alice no País das Maravilhas’ (US$ 116 milhões) e ‘Oz: Mágico e Poderoso’ (US$ 79 milhões).


As Duas Cenas Pós-Créditos de Liga da Justiça


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