Especial | Sexta-Feira 13

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Especial Sexta-Feira 13

O que a série Sexta-Feira 13 e o vilão Jason possuem de tão especial para o sucesso ao longo de três décadas? Essa é a pergunta que me faço cada vez que vejo uma continuação do filme ou a adoração de fãs em comunidades e tópicos específicos das principais redes sociais. Pensando nisso, apresento para vocês esse especial que funciona como uma espécie de Diário de Bordo: na última sexta-feira, dia 13, mergulhei profundamente nos dados sobre a série, pesquisando o máximo de informações acerca da origem do personagem e entendendo a sua fórmula de sucesso. Seguindo um rumo diferenciado dos especiais e matérias sobre o filme e a data considerada como dia do azar, farei uma explanação a partir do documentário His Name Was Jason, lançado em 2009 nos Estados Unidos e ainda inédito no Brasil.

 




Bem Vindos a Cristal Lake!

“Eu preciso de um filme e de uma data”. Essas foram as palavras ditas por Sean S. Cunningham, diretor do primeiro filme da série, que viria a produzir algumas continuações durante as três décadas de existência do vilão Jason. Naquela época, o mesmo havia produzido apenas alguns filmes sem impacto e tinha muito interesse em se firmar como profissional de sucesso. Ao lançar Sexta-Feira 13, não esperava que o filme fosse o sucesso de bilheteria absurdo que foi para a época. Seu “concorrente” Halloween havia feito bastante sucesso e Sexta-Feira 13 agora chegava como mais um do gênero Serial Killer. Algum tempo depois, Wes Craven dirigiria o ótimo A Hora do Pesadelo, lançando o vilão Freddy Krueger nas telas do cinema.

A década de 80 foi um marco para os filmes de terror. É considerada a Segunda Era de Ouro do Horror, precedendo os clássicos da Universal, sucesso das primeiras décadas do século XX e marco de um cinema que fazia os estúdios faturar de verdade. As pessoas tinham medo de ver os filmes, mas lotavam as salas de cinema. Alguns sucessos isolados foram produzidos ao longo dos anos 60 e 70, mas na maioria, filmes que estavam dentro da linha do cânone, como O Exorcista e O Bebê de Rosemary. Eram filmes de diretores renomados, não clássicos B alvos da crítica, que geralmente os detonava. Com exceção de Halloween, que tinha o ar mais classudo (o primeiro filme, cabe ressaltar), maníacos como Jason, Freddy, Shocker e os demais que surgiriam após o sucesso dessa fórmula eram sucessos de bilheteria e fracassos da crítica. Mesmo diante da desaprovação, conquistaram uma legião de fãs. No caso da saga Sexta-Feira 13, mais de 30 anos de sucesso, 12 filmes, sendo o original, 09 continuações, 01 filme solo e 01 refilmagem.  Artistas renomados como Kevin Bacon, Crispin Glover e Corey Feldman, começaram as suas carreiras na série. A partir de agora, convido a todos os leitores do Cine Pop a conhecer um pouco mais. Vamos nessa?

 




Seu nome era Jason: trinta anos de Sexta-Feira 13

Em 2009, partes dos envolvidos na série estão presentes na produção do DVD comemorativo His Name Was Jason: 30 Years of Friday the 13th. Desde o criador da série, Sean S. Cunningham, ao compositor da clássica trilha minimalista, o músico Harry Manfredini, passando por alguns dos roteiristas, protagonistas do original e das continuações, coadjuvantes e especialistas em filmes de terror. O resultado final é interessante: ver os envolvidos no projeto comentando as motivações que os levaram a participar da franquia, o que veio depois, detalhes dos bastidores e outras tantas coisas em quase 04 horas de informações.

O documentário título do DVD tem 90 minutos de duração e começa bem humorado: uma mulher desesperada parece fugir de algo e adentra Cristal Lake. Debate-se com um cadáver pendurado e solta um daqueles gritos bem agudos, típicos de mocinhas indefesas que vimos ao longo dos filmes da série. Interagindo com a personagem, entra Tom Savini, com bastante entusiasmo e doses de sarcasmo na medida ideal: ele é quem vai nos guiar durante o processo de documentação, através de entrevistas, fotos, storyboards e cenas mais marcantes dos filmes.

Um dos aspectos mais interessantes fica por conta dos depoimentos sinceros e apaixonados dos que viveram as aventuras que marcavam a filmagem de cada continuação do filme. Passeamos pelo trágico incidente envolvendo a atriz Adrienne King, protagonista do primeiro da série. Após o sucesso, foi perseguida por um lunático na vida real. Betsy Palmer, que interpreta a assassina e mãe do Jason no primeiro filme, pivô, se assim poderíamos dizer, das continuações, numa espécie de Psicose às avessas, alegando que achava tudo horroroso antes de embarcar no projeto e só fez o filme pelo dinheiro. Na época, ela era uma renomada atriz de teatro, considerada muito séria para fazer um papel num filme deste quilate. Amy Stelman, em meu ponto de vista, a melhor protagonista dos filmes da série, Sexta-Feira 13 parte 2 (1981), surge estampada com as marcas do tempo, afinal, são 29 anos após a participação no filme, em um depoimento bem humorado e esclarecedor.

Outro aspecto que valida a produção é a autocrítica dos participantes: entendem que os filmes não tinha verossimilhança em boa parte do tempo, como Jason indo até a casa de Alice em outra cidade, externa ao ambiente de Cristal Lake, assassinando-a na parte 2, vingando a mãe e retornando ao acampamento para continuar a sua chacina que duraria três décadas. Em outro momento precioso, um dos protagonistas comenta sobre Sexta-Feira 13 Parte 3, lançado em 3D na época, mas que na verdade era um sábado. Para quem assiste aos filmes atentamente, somos informados logo no início que o filme se passa um dia após os acontecimentos fatídicos da parte 2. Falhas de continuidade não mantêm obrigatoriamente em todos os filmes da série.

Curiosidades como o nome do vilão, que seria inicialmente Josh, fazem parte deste documentário rico em informações: Seth Garhome-Smith, autor de Cristal Lake Memories também apresenta relatos interessantes, somados ao painel de imagens de Jason na cultura pop, como os comerciais da Nike, MTV, The Arsenio Hall Show e outros.

Editado de forma eficiente por Monica Daniel, His Name Was Jason: 30 Years of Friday the 13th é um documentário que acerta ao trazer participação de muitas pessoas envolvidas nos filmes, saudar de maneira autocrítica a saga do vilão Jason e ainda situá-lo no universo da cultura pop, não se tornando apenas uma ode vazia e sem profundidade, cega aos problemas de ordem técnica e conteudista que os filmes enfrentaram ao longo de tantas continuações. Há interpretações diversas a se fazer no que tange às reflexões de receptividade social dos filmes. O documentário deixa esse espaço e este se tornou um dos meus projetos futuros. Em breve, apresento novidades para vocês, caros leitores.

O convite agora é para conhecer um pouco sobre cada filme da série. Preparados?

 

Sexta-Feira 13

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No Lago Cristal, um acampamento de férias, dois adolescentes foram assassinados. Vinte anos após o crime, o acampamento reabre, mas uma série de novas mortes acontecem. Jason ainda não surgiria como o vilão. A matança aqui fica por conta de Mrs. Voorhees. Indicado ao Framboesa de Ouro de Pior Filme e Pior Atriz Coadjuvante (Betsy Palmer).

 

Sexta-Feira 13 parte 2 

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Cinco anos após o massacre no acampamento Cristal Lake, novos instrutores se instalam num acampamento próximo. Um a um, os jovens do grupo são atacados e brutalmente mortos, revivendo a lenda de Jason. Apesar do final em aberto, sem a conclusão necessária para situar o público, apresenta a melhor protagonista da série, Ginny (Amy Stelman). Jason ainda não atacava com a sua famosa máscara.

 

Sexta-Feira 13 parte 3

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O assassino Jason continua fazendo vítimas, desta vez um grupo de jovens procurando a paz das florestas por um fim de semana. A protagonista Chris (Danna Kimmel) também é interessante, mas falta um pouco de ritmo em algumas cenas. É neste filme que a famosa máscara vai aparecer.

 

Sexta-Feira 13 parte 4: O Capítulo Final 

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Capítulo final? Não mesmo. Os moradores dos arredores de Crystal Lake descobrem que Jason pode ainda estar vivo, quando nova série de violentos assassinatos começa a ocorrer. Considero um dos mais enérgicos. O epílogo é bem costurado, deixando espaço para interpretações bem variadas. Trish (Kimberly Beck), ao lado de Ginny, figura no painel das protagonistas mais fortes. É um dos meus prediletos.

 

Sexta-Feira 13 parte 5: Um Novo Começo 

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Após Jason estar morto e enterrado, alguém decide assumir seu comportamento e iniciar uma nova série de crimes. Definitivamente, a pior coisa já produzida não apenas no âmbito da série, mas em todo o painel dos filmes de terror da história do cinema. Péssimo, roteiro fraco e direção absurda.

 

Sexta-Feira 13 parte 6: Jason Vive 

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O melhor da série. Sem dúvida. Os envolvidos perceberam que ressuscitar Jason, só mesmo na base da brincadeira, e a ironia caminha vertiginosamente nesta continuação, satirizando 007 logo na abertura. Tommy Jarvis (Thom Mathews) está muito traumatizado, pois sua mãe e seus amigos morreram por causa Jason Voorhees (C.J. Graham). Querendo ter certeza de que Jason está morto, Tommy vai com Allen Hawes (Ron Palillo), um amigo, até o cemitério onde Jason está sepultado. Eles desenterram o corpo, pois pretendem queimá-lo, mas acidentalmente ressuscitam Jason, quando empala o cadáver do assassino com um pedaço de metal durante uma tempestade de raios. Os raios são atraídos pelo metal, que levam aquela enorme energia até corpo de Jason, que dessa forma, ressuscita.

 

Sexta-Feira 13 parte 7: A Matança Continua

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Foi o primeiro filme da minha vida. Assisti aos cinco anos. Por isso um marco. Na época, 1990, tinha apenas cinco anos de idade e sem videocassete, gravamos em VHS e assistíamos quase toda semana, entre amigos. Pode não ser o melhor, mas é o que tenho mais apreço. Minha carreira cinematográfica começaria com este filme. Tina Shepard (Lar Park-Lincoln) é uma adolescente com poderes telecinéticos descontrolados. Quando menina tirava férias no acampamento Crystal Lake, ela matou seu abusivo pai com o uso das suas habilidades mentais, quando teve um acesso de raiva. Anos depois, ao se aconselhar com Crews (Terry Kiser), um psicólogo manipulador e ambicioso, Tina concorda em participar de uma terapia radical que a leva de volta à Crystal Lake. Infelizmente, as habilidades psíquicas de Tina despertam Jason Voorhees (Kane Hodder), que estava sepultado no fundo do lago, o que faz com que o vingativo Jason elimine vários adolescentes de uma casa próxima de forma sangrenta. Assim, Tina tenta deter o massacre de Jason usando seus poderes.

 

Sexta-Feira 13 parte 8: Jason ataca Nova York

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Por mais absurdo que pareça, Jason chega à Nova York. A âncora de um barco atinge um cabo de eletricidade, cuja descarga ressuscita o assassino Jason Voorhess (Kane Hodder). Após matar os tripulantes, Jason embarca em um barco maior que leva um grupo de estudantes para Nova York. Já na embarcação ele reinicia a matança. Mediano.

 

Jason Vai Para o Inferno: A Última Sexta-Feira 13 

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Horrível. Medonho. Insanamente concebido, uma maneira de reinventar Jason que não deu certo. Apesar de ser ruim, é deliciosamente divertido. Fato.  O FBI realiza com sucesso uma armadilha para eliminar Jason Voorhess (Kane Hodder). Os pedaços de seu corpo são levados ao necrotério, mas logo o espírito de Jason toma conta do legista. Isto faz com que ele coma o coração de Jason e passe a encarná-lo. A situação se repete com diversas pessoas, com Jason trocando de corpo sempre que este enfraquece. Seu alvo é reencontrar sua irmã, Jessica (Kari Keegan), que vive em Crystal Lake. Apresenta a famosa cena de desfecho, quando Freddy puxa a máscara de Jason, prelúdio do filme Freddy vs Jason, lançado quase dez anos depois.

 

Jason X 

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Poderia ser o pior. Mas é um dos melhores. Apesar de absurdo, o roteiro é fluente e o filme trafega em via de mão dupla: trágico e cômico. Participação especial de David Cronemberg. Confinado no mais seguro nível de segurança do Centro de Pesquisa Crystal Lake, o psicopata Jason Voorhess (Kane Hodder) ainda vive. Até que, enquanto o Dr. Wimmer (David Cronenberg) e Rowan (Lexa Doig), que trabalha no mesmo local que Wimmer, discutem o que fazer com ele, Jason consegue se libertar. Quando está prestes a matar Rowan, Jason e a jovem assistente são congelado criogenicamente, estado este no qual permanecem durante mais de 400 anos. Até que, em pleno ano de 2455, uma nave espacial contendo jovens exploradores pousa na Terra para explorar o local. O planeta não é mais utilizado como moradia para seres humanos, já que a Terra agora é um mundo contaminado com violentas tempestades, oceanos envenenados e solos estéreis. Porém, durante suas pesquisas no planeta, o Prof. Loew (Jonathan Potts) e seus alunos encontram os corpos de um homem e uma mulher congelados. O processo de auto-regeneração de ambos foi ligado e, com os corpos já em processo de descongelamento, eles rapidamente são levados até a nave espacial, na intenção de que ambos sejam estudados por cientistas em Terra II. Porém, antes deles chegarem ao seu destino Jason Voorhess desperta e dá início à uma nova onda de assassinatos.

 

Freddy Vs. Jason

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Alguns consideram um dos mais interessantes. Eu achei extremamente afetado. Demais. Freddy Krueger (Robert Englund), o carniceiro de Springwood, assassinou dezenas de crianças. A população, tomada por uma total revolta, fez justiça com as próprias mãos e Freddy foi queimado vivo. Isto não impediu que ele continuasse praticando crimes, pois voltava através dos sonhos dos jovens e fazia atrocidades ainda maiores. Os moradores de Springwood resolveram fazer com Freddy algo que o deixou mais irritado que ter sido mandado para o inferno: o condenaram ao esquecimento. Todas as menções sobre sua existência foram apagadas e os jovens que ficaram mais traumatizados com suas macabras aparições foram mandados para um sanatório, onde tomavam uma droga experimental, Hypnocil, que os impedia de sonhar, o que impedia que Krueger agisse. Isto faz com que ele perca as forças gradativamente. Tentando se vingar, Freddy manipula alguém que estava com ele no inferno: Jason Voorhees ((Ken Kirzinger). Freddy o manda aterrorizar os jovens da Elm St., assim a cidade pensará que ele voltou. Seu plano não acontece como o planejado, pois Jason começa a matar todas as “crianças de Freddy” e isto realmente o enfurece. Mas quando Jason descobre que Freddy o usou, um confronto entre os dois se torna inevitável.

 

Sexta-Feira 13 (remake) 

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Razoável. Com mais tecnologia, poderia ser um filme melhor. Contentou-se em ser apenas básico. Clay (Jared Padalecki) vai à misteriosa floresta de Crystal Lake, em busca de sua irmã desaparecida. Lá ele encontra restos de velhas cabanas, aparentemente abandonadas. Apesar de ser avisado pelos oficiais e habitantes locais, ele resolve explorar o local juntamente com uma jovem, que está em um grupo que se formou para passar um final de semana de aventuras. O que eles não esperavam era encontrar Jason Voorhess (Derek Mears), o assassino da máscara de hóquei.

 

 

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