Na história do cinema existem aqueles filmes que associamos imediatamente à prêmios e ao maior deles: o Oscar. Filmes como Titanic (1997), por exemplo, serão para sempre lembrados no consciente coletivo pelo seu status de qualidade. E quem poderia esquecer da treta gerada entre La La Land e Moonlight – uma “briga” para ver quem de fato levaria a estatueta de melhor filme, com direito a anúncio errado e tudo? Da mesma forma, o recente Parasita promete figurar um bom tempo em nossas memórias como uma vitória mais que ilustre.

Para os que acham que o Oscar é uma premiação chata, tiveram seus desejos atendidos em anos recentes com a nomeações de filmes como Pantera Negra e Coringa na categoria principal. Mas é só voltar no tempo algo em torno de 20 anos para lembrar da trilogia O Senhor dos Anéis, que havia realizado o mesmo feito.

Existe ainda os filmes que se tornaram tão queridos pelos fãs e tão populares que muitos terminaram esquecendo o prestígio que eles igualmente obtiveram com os votantes da Academia. E é justamente esta última categoria que iremos adereçar nesta nova matéria, levando em conta esta memória – que muitas vezes pode nos pregar peças. Enquanto as no mínimo polêmicas novas indicações ao Oscar não saem, vamos relembrar alguns clássicos indicados ao Oscar de Melhor Filme que nem todos sabem ou lembram.

Tubarão



Sim, o primeiro blockbuster do cinema foi indicado ao Oscar de melhor filme lá atrás, em 1976. Tubarão foi o primeiro filme da história a ultrapassar a impressionante marca de US$200 milhões nas bilheterias norte-americanas, chegando a quase US$500 milhões mundiais. Um feito que serviu como divisor de águas, construindo o cinema entretenimento que conhecemos hoje. Mas o que talvez nem todos saibam é que o thriller de Steven Spielberg foi indicado para 4 Oscar, incluindo melhor filme – o único que não levou naquela noite. Tubarão saiu vitorioso de melhor som, edição e trilha sonora para o maestro John Williams (e quem pode esquecer as duas notas mais assustadoras do cinema – tã tã tã tã tã). Quem levou o prêmio de fato foi outra obra-prima, Um Estranho no Ninho, com Jack Nicholson – que recentemente voltou aos holofotes da cultura pop com o lançamento da série da Netflix Ratched, com Sarah Paulson, uma pré-sequência do longa.

O Exorcista

Não basta ser considerado o melhor terror de todos os tempos, O Exorcista também tem cacife no Oscar. Parte da onda revolucionária da década de 1970, este terrorzão de primeira era lançado dois anos antes de Tubarão e igualmente se tornava febre nos cinemas mundiais, por muito pouco não se tornando, ele mesmo, o primeiro blockbuster da história. Cinemas lotavam, o público passava mal, quebra-quebra e todo tipo de comoção ocorria nas exibições do longa, inclusive no Brasil. O Exorcista foi indicado para nada menos que 10 OSCAR, incluindo melhor filme. Além disso, foi nomeado também para melhor diretor (William Friedkin), atriz (Ellen Burstyn), coadjuvante (Linda Balir), e venceu os prêmios de som e roteiro para o próprio autor do livro William Peter Blatty, que adaptou seu texto ao cinema.

Rocky – Um Lutador



Não apenas o filme preferido da carreira do astro Sylvester Stallone na opinião do grande público, como também uma das franquias mais queridas dos fãs na história do cinema. A história do boxeador azarão, que tem a chance de grandeza e seus 15 minutos de fama define bem a proposta do sonho americano, e de qualquer um que tenha a chance de chegar ao topo, mesmo que momentaneamente. O filme fez tanto sucesso que gerou cinco continuações e dois derivados, seguindo em evidência na cultura pop. Mas o que talvez nem todos saibam é que essa grande chance que o “garanhão italiano” teve resultou na indicação a 10 Oscar, e a vitória de 3 prêmios: melhor diretor (John G. Avildsen), melhor edição e MELHOR FILME! Isso mesmo, ao contrário dos itens acima, Rocky é um vencedor do Oscar. Além disso, indicou quatro atores de seu elenco, incluindo o protagonista Stallone, que também foi lembrado para uma nomeação de melhor roteiro (escrito pelo próprio).

Guerra nas Estrelas

Os mais novos conhecem a saga mais famosa do cinema com o nome original Star Wars, planejado para padronizar melhor a marca. Mas os que cresceram na década de 1980 terão sempre no coração e na memória o título Guerra nas Estrelas – como era conhecido no passado, em especial o primeiro longa de 1977. E é justamente dele que iremos falar agora. A obra que começou tudo não é apenas o segundo blockbuster da história – que ao lado de Tubarão ajudou a estabelecer um novo tipo de cinema. Guerra nas Estrelas é também um indicado ao Oscar de Melhor Filme! E para quem acha que indicar superproduções é coisa recente, saiba que os anos 1970 já faziam isso, demonstrando toda a sua aura cool. A criação de George Lucas, ainda considerado o preferido de muita gente quando falamos em longas de aventura no cinema, foi indicado para nada menos que 10 Oscar, incluindo melhor filme, roteiro original e direção (ambos para Lucas), e até mesmo ator coadjuvante para o icônico Sir Alec Guiness (que vive o mestre Jedi Obi Wan Kenobi). Guerra nas Estrelas saiu vitorioso de 6 prêmios técnicos, incluindo a trilha de John Williams (ele de novo).

Aproveite para assistir:



Noivo Neurótico, Noiva Nervosa

Independente da polêmica na sua vida pessoal, ninguém pode negar a importância que Woody Allen tem na carreira profissional e o que significou para o cinema independente de autor no mercado norte-americano. Ainda hoje muito influente quando o assunto é “filme de relacionamentos”, em sua extensa filmografia (de quase um filme por ano), Woody Allen já indicou diversos artistas (em especial mulheres) ao Oscar devido aos papeis que escreve para elas – e deu a vitória para outras tantas. Seus filmes também já foram indicados na categoria principal do Oscar (de melhor longa de ficção), mas nenhum tem o prestígio deste item aqui. Annie Hall, título original para o “longo” Noivo Neurótico, Noiva Nervosa foi o único filme da carreira do cineasta a sair com a honraria máxima de ganhar o Oscar de melhor filme. De quebra derrotando o fenômeno Guerra nas Estrelas, citado acima. Além do melhor filme, a obra levou também os de diretor e roteiro para Allen e atriz para Diane Keaton (a primeira musa do cineasta). Só ficou de fora mesmo de melhor ator para Allen, o único prêmio, das 5 indicações, que não levou.

Os Caçadores da Arca Perdida

Um nome instantaneamente lembrado quando falamos dos primórdios do cinema blockbuster é o do diretor Steven Spielberg. Seis anos depois de ter emplacado sua primeira superprodução no gosto dos votantes da Academia, Spielberg voltava ao radar da maior premiação da sétima arte com Os Caçadores da Arca Perdida, primeiro longa da franquia Indiana Jones, um filme que redefiniu para sempre o cinema aventura. E pensar que tudo nasceu de uma vontade do diretor em comandar um 007. O primeiro Indiana Jones foi indicado para 8 Oscar, incluindo melhor filme, e desta vez levando o diretor junto – já que em Tubarão ele não havia sido nomeado. No entanto, esta foi a segunda indicação de Spielberg como diretor, já que havia sido lembrado anteriormente por Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977), filme que não entrou na categoria principal. Os Caçadores da Arca Perdida recebeu 4 Oscar técnicos.



E.T. – O Extraterrestre

Já está ficando chato. Mas agora talvez os mais novos entendam o que significa o nome Steven Spielberg para o cinema, seu peso e importância. Sim, o diretor mesclou com muita eficiência o cinema entretenimento, filmes extremamente populares, com o prestígio e qualidade de grandes dramas (o tão chamado “conteúdo”), muito antes de pesos pesados atuais, vide Christopher Nolan, Quentin Tarantino ou Denis Villeneuve. E no ano seguinte de Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida, o cineasta emplacava novamente com este fenômeno da fantasia, que mostra a amizade de um menino vindo de um lar de pais divorciados, com uma pequena criatura interplanetária. E.T. encantou o mundo, e com os membros da Academia não seria diferente. O longa recebeu 9 nomeações, incluindo melhor filme, roteiro e diretor, e levou para casa 4 prêmios técnicos. Acertou quem disse que a trilha de John Williams está no meio deles.

Atração Fatal

Digam o que quiserem os detratores, mas o Oscar sempre foi um prêmio muito eclético. A cada nova edição, desde seus primórdios, sempre sobrava espaço para indicar aquele filme mais popular, que havia caído nas graças do grande público que lota os cinemas, ou pertencente àquele gênero menos “respeitado” por não ser um drama. Aqui, temos um verdadeiro filmaço de suspense, daqueles de gelar a espinha, que se enquadra em todos os requisitos citados acima. Fenômeno de bilheteria, o longa também pode ser considerado um drama sobre relacionamentos extraconjugais. Na trama, Michael Douglas vive um homem casado, que cai em tentação quando a mulher viaja com seus filhos – algo como o clássico O Pecado Mora ao Lado (1955). Mas o sujeito consuma o ato, e vai para a cama com uma mulher muito inteligente e aparentemente divertida, vivida por Glenn Close. Ela, porém, possui um sério problema, não gosta de ser rejeitada e “não será ignorada”, como diz em um dos mais icônicos diálogos do filme – se tornando o pesadelo definitivo dos homens infiéis. Atração Fatal foi indicado para 6 Oscar, incluindo melhor filme, diretor, roteiro e atriz para Close, mas saiu de mãos abanando, se tornando assim também um dos maiores injustiçados dos prêmios da Academia.

Uma Secretária de Futuro


Talvez o filme mais desconhecido da lista para as novas gerações, quem cresceu na década de 1980 ou os especialistas no cinema da época, ao contrário, não consegue jamais esquecer esta história edificante. Comédia tipicamente oitentista, Uma Secretária de Futuro – ou Working Girl, no título original -, traz a veterana Melanie Griffith (a mãe de Dakota Johnson para os mais novos) no que é provavelmente seu melhor papel nos cinemas. Aqui, ela vive uma empenhada secretária, muito eficiente e dona de ambições profissionais maiores, ela se sente tolhida por sua chefe – que muitas vezes pega para si suas ideias sem lhe dar crédito. A “fofa” é interpretada pela gigantesca Sigourney Weaver. Até que a patroa traiçoeira sai de cena devido a um problema de saúde e a protagonista vê a chance de mostrar seu verdadeiro valor, nem que para isso precise se passar por sua chefe para um potencial parceiro nos negócios – vivido por Harrison Ford, em seu terceiro filme indicado ao Oscar na lista (isso que é dar sorte a um projeto). Uma Secretária de Futuro foi indicado para 6 Oscar, incluindo melhor filme, diretor (Mike Nichols), e três atrizes: Griffith, Weaver e Joan Cusack (que vive a melhor amiga da protagonista). O filme levou o Oscar de melhor canção para a “espiritual” Let the River Run, de Carly Simon.

A Bela e a Fera

Calma, não estamos falando da versão em live-action com Emma Watson. Aqui ainda nos encontramos em território Disney, mas voltamos no tempo para 1991, quando foi lançada a animação que serve como grande marco para o estúdio. Nesta época ainda não existia a categoria de melhor animação no Oscar, o que torna o feito deste filme ainda mais impressionante. Sim, A Bela e a Fera foi a primeira animação da história a obter tamanho prestígio com os votantes, ao ponto de ser indicado na categoria principal, disputando o prêmio de melhor filme com produções de carne e osso. E mais impressionante ainda, numa época em que apenas 5 longas adentravam a honraria. E o que você nos diz? A Bela e a Fera foi nomeado para 6 Oscar, incluindo melhor filme, e emplacou nada menos que 3 das suas canções com os votantes, vencendo contra ele mesmo o prêmio pela canção tema Beauty and the Beast, além do prêmio de trilha sonora.

Comentários

Não deixe de assistir:

🚨 INSCREVA-SE NO NOSSO CANAL DO YOUTUBE 🚨http://bit.ly/CinePOP_Inscreva