Uma das coisas mais gostosas para quem ama cinema de verdade é perceber o quanto alguns filmes conseguem resistir ao teste do tempo, permanecendo no subconsciente coletivo dos cinéfilos e do público em geral por vinte, trinta, quarenta, cinquenta anos, ou para sempre. Na história da sétima arte temos uma verdadeira filmoteca de produções que gravaram seu título no panteão da eternidade, sendo referenciados ainda hoje. A história é parte essencial da vida em sociedade, e a história da arte e do cinema igualmente é peça chave para entendermos de onde veio tudo o que apreciamos hoje. Sem o passado, não existe o presente.

No meio de enxurradas de obras de qualidade no gênero terror, vira e mexe é bom pararmos e voltarmos às raízes. Afinal os realizadores atuais se inspiram constantemente em produções que marcaram suas vidas no passado, muitas se tornando o motivo pelo qual se embrenharam na carreira. Aquecendo os motores e totalmente no modo halloween (o dia das bruxas, dia 31 de outubro) trazemos esta nova matéria para os mais saudosistas e nostálgicos. Aqui, iremos lembrar os verdadeiros e absolutos clássicos do terror que completam 45 anos em 2021 e que você precisa assistir fazendo um favor a si mesmo. Confira abaixo e comente os que já viu e os que pretende assistir.

Carrie – A Estranha

Começamos por um sucesso que marca duplamente dois artistas que viriam a ficar conhecidos como mestres em suas áreas. O primeiro, e talvez mais óbvio, é Stephen King, o autor mais associado ao terror no mundo. Carrie foi o primeiro livro escrito por King, e foi também sua primeira adaptação para o cinema. Fora isso, apesar de não ter sido o primeiro filme do cultuado Brian De Palma, foi seu primeiro grande sucesso da carreira. A trama, que aborda o bullying numa época em que não se discutia muito isso, fala sobre uma jovem retraída, filha de uma fanática religiosa que não a deixava viver sua vida adolescente. Ao mesmo tempo em que Carrie entra na puberdade, desenvolve habilidades psíquicas assustadoras. Uma verdadeira obra-prima que rendeu indicações ao Oscar para Sissy Spacek (Carrie) e Piper Laurie (sua mãe).



A Profecia

No cinema, podemos considerar a existência de uma chamada “trilogia das crianças demoníacas”. São três filmes que nada possuem em comum e não são parte de uma franquia (aliás, iniciaram franquias próprias), a não ser o fato de abordarem em suas histórias crianças e uma ligação macabra com o coisa ruim. O primeiro é O Bebê de Rosemary (1968), de Roman Polanski; o segundo é O Exorcista (1973); e o terceiro é este A Profecia (1976), do recém-falecido Richard Donner, que foi o filme que lhe conseguiu emprego como diretor de Superman – O Filme (1978). Aqui, o embaixador dos EUA perde o bebê recém-nascido na maternidade e para evitar o sofrimento da esposa, adota no local um bebê abandonado pela mãe. O pequeno Damien é tratado como xodó, mas quando eventos bizarros e a morte começa a rondar o garoto, seus pais iniciam uma investigação sobre sua verdadeira origem.

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O Inquilino

Por falar em Roman Polanski, o polêmico cineasta de muito renome e prestígio é igualmente um mestre em sua arte. Fora isso, possui sua própria trilogia não oficial, a chama trilogia do apartamento, aonde esse O Inquilino chega como terceira parte – seguindo Repulsa ao Sexo (1965) e o citado O Bebê de Rosemary (1968). E por que essa é a trilogia do apartamento? Bem, porque todos os filmes se passam… em um apartamento. Assim, podemos inclusive incluir Deus da Carnificina (2011), como quarta parte de uma quadrilogia. Aqui, Polanski também protagoniza como um tímido burocrata que aluga um apartamento em Paris e começa a descer numa espiral de loucura e paranoia por acreditar em uma conspiração no local que teria levado a antiga moradora a tentar o suicídio, o mesmo que pode estar ocorrendo com ele agora.



King Kong

Um verdadeiro clássico da sétima arte, a primeira versão deste conto atemporal data de 1933 e permanece como um dos primeiros grandes filmes da história do cinema. Há 45 anos chegava a primeira reimaginação oficial de tal clássico, produzido pelo valor de US$24 milhões pelo produtor Dino De Laurentiis e sua companhia, e dirigido pelo especialista em grandes produções John Guillermin (Inferno na Torre, 1974). Fora isso, o filme marcaria por ser a estreia nas telas da veterana Jessica Lange e um dos primeiros papeis de destaque de Jeff Bridges. Algumas modificações foram feitas, como o desfecho trocando o Empire State pelo World Trade Center, e o fato do gorilão desta vez ser interpretado por um homem num traje de macaco, ao invés da técnica do stop-motion.

Assassino Invisível

Para os mais novos, esse foi um dos filmes citados pelos personagens de Pânico no primeiro filme. Para os não tão novos assim, essa foi a máscara que inspirou o assassino Jason em sua primeira aparição como antagonista em Sexta-Feira 13 – Parte 2 (1981), há 40 anos; embora os realizadores afirmem ter sido mera coincidência. Será? O fato é que Assassino Invisível foi lançado cinco anos antes e apresentava um vilão homicida usando um saco de batatas na cabeça como máscara. A única diferença é que ele possuía dois buracos na máscara para os olhos, enquanto Jason só precisava de um, afinal, um de seus olhos já não funcionava mesmo. Baseado em uma história real, o filme relata os crimes de um assassino em série encapuzado aterrorizando a população de Texarkana, uma pequena cidade do Texas, em 1946.

Alice, Querida Alice / Comunhão

Conhecido pelos dois títulos acima, esse longa é considerado por muitos como um dos primeiros exemplares do subgênero slasher, antes de sua popularização com o lançamento de Halloween – A Noite do Terror, dois anos depois. O filme se passa em 1961 e pode ser considerado uma crítica ao ultraconservadorismo e ao fanatismo católico. Na trama, a vida de um casal católico divorciado vira do avesso quando sua filha adolescente se torna suspeita do brutal assassinato da irmã mais nova e de consequentes esfaqueamentos, durante sua primeira comunhão. O filme marcou a estreia da lendária Brooke Shields nas telonas, quatro anos antes de sua revelação em A Lagoa Azul.

A Menina do Outro Lado da Rua



No mesmo ano em que se tornou famosa para o grande público por seu trabalho muito maduro e digno de uma indicação ao Oscar em Taxi Driver, uma Jodie Foster de 14 aninhos estrelava este cult de terror. Na trama, Foster interpreta uma menina vivendo numa pequena cidade de classe alta em Quebec, no Canadá. Tendo se mudado para o local com seu pai, os vizinhos começam a se questionar ao notarem que atualmente ela se encontra sozinha. Seu pai ao que tudo indica viajou à trabalho. Assim, uma vizinha intrometida e outro, um abusador sexual, começam a interferir na vida da adolescente, buscando descobrir seu segredo.

Martin

Quase dez anos depois de ter redefinido o gênero terror com a crítica social disfarçada de filmes de zumbis, A Noite dos Mortos-Vivos (1968), George A. Romero debutava outro conto macabro nas telonas, que igualmente abordava a psicose humana. Dois anos antes de continuar sua história de zumbis com Despertar dos Mortos (1978), Romero lançava Martin, sobre um jovem perturbado que acredita ser um vampiro de 84 anos. Para tal, o sujeito se satisfaz com sangue humano. Essa foi a investida de Romero para revolucionar outro subgênero do horror: os filmes de vampiros. Porém, Martin por mais que seja uma obra cult, não se tornou tão popular quando o citado primeiro grande sucesso do diretor, ainda enaltecido como um dos grandes exemplares do cinema.

Grizzly – A Fera Assassina

Depois que Tubarão (1975), de Steven Spielberg, se tornou um dos maiores fenômenos da história do cinema em bilheteria, todo e qualquer estúdio e produtor de Hollywood visava reproduzir este sucesso. Sabe aquela história do “copia, mas faz diferente”? então, foi daí que surgiram inúmeros filmes sobre animais assassinos. Um deles foi este Grizzly, cult sobre um urso pardo de mais de cinco metros de altura, aterrorizando os visitantes de um parque nos EUA. O filme inclusive gerou uma sequência, mais farofeira, nos anos 80, que ficaria engavetada por 37 anos até ver a luz do dia – e contou com as presenças hoje ilustres de gente como George Clooney, Laura Dern e Charlie Sheen em início de carreira.


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Devorado Vivo

Terminando a lista, chega esta produção que é uma mistura de O Massacre da Serra Elétrica (1974) com filmes de animais assassinos. Como dito, ainda pegando carona no sucesso de Tubarão, aqui o tema usado foi um crocodilo, que mais quatro anos voltaria a sua popularidade com Alligator – O Jacaré Assassino (1980). Em Devorado Vivo, um caipira do Texas mata à sangue frio quem atravessa seu caminho ou atrapalha seus negócios como administrador de um hotel. Depois de assassinar suas vítimas, ele as usa como alimento para um grande crocodilo que mantém como bicho de estimação no pântano ao lado da propriedade. O longa faz uso de uma verdadeira galeria do terror e sua semelhança com o citado filme do psicopata Leatherface não é acidental, pois aqui temos na direção o mesmo Tobe Hooper, e protagonizando a mesma Marilyn Bruns. Fora isso, as presenças de Robert Englund, o Freddy Krueger em pessoa, Kyle Richards, a menina Lindsey, de Halloween (1978), e Carolyn Jones, a Morticia original da série A Família Addams (1964).

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