Laura Dern e George Clooney são dois astros veteranos donos de grande prestígio em Hollywood na atualidade. Dern, filha de atores de sucesso (Bruce Dern e Diane Ladd), começou bem novinha na carreira e já soma quase 50 anos de estrada como atriz, dona de 90 créditos no currículo. Mais bela do que nunca na maturidade, a estrela soma sucessos como a franquia Jurassic Park na filmografia, tem 3 indicações ao Oscar e a justiça feita com a vitória ano passado por História de um Casamento. Clooney, filho de um famoso jornalista e âncora de telejornal, tem 43 anos de carreira, 94 créditos profissionais como ator, viu seu currículo decolar com a participação na série de sucesso Plantão Médico (E.R.), se tornou diretor de mão cheia e tem 8 indicações ao Oscar (somando as capacidades como ator, roteiro, direção e produtor) – com duas estatuetas vencidas (ator coadjuvante por Syriana e produtor em Argo).

Voltando para 1983, ambos eram ilustríssimos desconhecidos para o grande público. Foi quando – Clooney aos 22 anos e Dern aos 16 aninhos -, ao lado de Charlie Sheen (18 anos), participaram do terror Grizzly II, anteriormente subtitulado The Concert. O filme sobre um urso gigante e assassino ficou engavetado por assombrosos 37 anos, criando uma aura de lenda urbana ao redor dele, com os fãs de produções cult se perguntando se ele realmente existia. Uma cópia bruta do longa “vazou” na internet em 2007, o que gerou comoção. Agora, qual não deve ter sido a surpresa dos astros estabelecidos ao verem finalmente lançada após quase 40 anos esta produção B que provavelmente já haviam esquecido de ter feito.

Laura Dern e George Clooney também já fizeram parte do clichê dos filmes de terror (sexo = morte).

Antes de falar sobre este problema em forma de filme, um pouco de contexto. Com o lançamento de Tubarão (1975), que veio a se tornar um fenômeno e o primeiro blockbuster da história, produtores de todos os cantos viram o potencial de filmes de terror/suspense com o tema de animais assassinos, criando assim uma tendência na época. Em pouco tempo surgiam filmes como Orca – A Baleia Assassina (1977), Piranha (1978), Barracuda (1978) e Alligator (1980). Mas o subgênero não se ateve a criaturas marinhas, e logo realizadores fizeram surgir itens como Grizzly – A Fera Assassina (1976), sobre um urso pardo de mais de 5 metros de altura aterrorizando um parque estadual. Fazendo sucesso como obra cult, a produtora Suzanne C. Nagy resolveu espremer uma continuação da história, sem saber que passaria por uma verdadeira epopeia que custaria metade de sua vida.

Carlos Estevez, vulgo Charlie Sheen, e sua notória cara de “bobo” na juventude.

Para a sequência, Nagy escalou o mesmo roteirista do original, David Sheldon, que com o boom dos filmes de terror adolescente que dominavam os cinemas na década de 80, resolveu criar um filme mais jovem, onde o urso desta vez aterrorizaria num concerto de rock num parque. O ano era 1983. Em papeis secundários foram escalados os hoje três astros citados. É reportado inclusive que Charlie Sheen teria recusado o papel protagonista em Karatê Kid – A Hora da Verdade (1984) para estrelar esta continuação. Além do trio, fazem parte do elenco a veterana Louise Fletcher (que já tinha um Oscar no currículo por Um Estranho no Ninho), John Rhys-Davies (que ficaria conhecido pelas franquias Indiana Jones e O Senhor dos Anéis), a gracinha Deborah Foreman (atriz que marcou os anos 80 com filmes como Valley Girl – Sonhos Rebeldes, Academia de Gênios e A Noite das Brincadeiras Mortais) e Timothy Spall numa ponta não creditada.



Louise Fletcher, vencedora do Oscar por ‘Um Estranho no Ninho’, é quem paga o maior mico da produção.

Na direção, quem assumia era o húngaro André Szöts (produtor de Cyrano, 1990), falecido em 2006. O drama da produção começou assim que os atores chegaram à Budapeste, Hungria, para o início das filmagens. Foi quando o produtor Joe Proctor avisou para Suzanne Nagy que não havia dinheiro para rodar o longa, e simplesmente foi embora deixando 300 pessoas no set de filmagem. Demonstrando enorme força, Nagy não contou o tremendo problema para ninguém, e buscou desesperadamente novos investidores. Terminou encontrando em empresário do Japão para preencher o orçamento e dar continuidade ao filme, ao menos de forma momentânea.

Deborah Foreman foi um dos nomes dos anos 80 (com os filmes A Noite das Brincadeiras Mortais, Valley Girl e Academia de Gênios).

Apesar disso, o problema não havia terminado. O governo húngaro confiscou o equipamento da equipe devido ao não pagamento das contas pelo uso das locações. Dessa forma, a pós-produção nunca chegou a ser finalizada. Em 1987, a rainha da picaretagem, a Cannon Films (não seria uma boa história sem o envolvimento dela) comprou o filme e planejava completar a pós-produção e lançar o longa nos cinemas (afinal o estilo da obra tem tudo a ver com eles). Infelizmente, já mal das pernas, a companhia estava se encaminhando para a falência em 1988 e, sem dinheiro, o filme foi engavetado e esquecido.

Após “míseros” 37 anos, em 2020 a produtora Suzanne Nagy finalmente anunciou a finalização de Grizzly II, agora subtitulado Revenge (ou Predator como diz o cartaz). Talvez aproveitando a vitória de Laura Dern no Oscar, ou quem sabe a primeira parceria entre Clooney e a Netflix com O Céu da Meia Noite, Grizzly II ganhou seu trailer e estreou em Los Angeles em fevereiro de 2020 antes da pandemia. Passando pelo festival internacional de terror de Lisboa, em Portugal, o filme finalmente foi lançado online em VOD nos EUA em janeiro de 2021, e no dia 17 de fevereiro de 2021, em meio à pandemia, chegou a poucas salas abertas pelos EUA. Imagine a felicidade de Clooney, Dern e os atores envolvidos. Ou quem sabe eles tenham simplesmente entrado na brincadeira, já que ao menos Clooney é conhecido por tirar sarro de suas participações, digamos, menos memoráveis nas telas.



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