Uma das piores situações que nós cinéfilos passamos é apostar em um filme e percebemos que estamos de frente com uma verdadeira bomba. Acontece. Por isso, é sempre legal pegar dicas de filmes! Abaixo, separamos 10 longas-metragens super interessantes que, com certeza, vão chamar sua atenção:
Bom Garoto (Filmelier+)
Tommy (Anson Boon) é um jovem arruaceiro e completamente sem noção que, certa noite, acaba sendo sequestrado por uma família e preso em um porão. Ao longo dos dias que se seguem, quem o prendeu tentará, através de alguns experimentos, fazer com que ele se transforme.
Sem passar pelos cinemas brasileiros, esse longa-metragem dirigido pelo cineasta polonês Jan Komasa utilizando do suspense psicológico para ir aos poucos apresentando com detalhes sua sombria trama.
Até Amanhã (Filmicca)
Fereshteh (Sadaf Asgari) vive sozinha na capital do Irã, onde estuda e trabalha em uma gráfica para sustentar sua filha recém-nascida. Quando um parente sofre um acidente e hospitalizado na cidade onde mora, seus pais resolvem visitá-la. A questão é que eles não sabem da existência da criança. Assim, sem saber em quem confiar, ela precisa encontrar um lugar para a criança ficar enquanto seus pais estão por perto embarcando em uma série de conflitos que se seguem.
Exibido no Festival de Berlim, o drama iraniano Até Amanhã aborda as escolhas de uma jovem mãe e os dilemas que precisa enfrentar quando o destino, e suas inconsequências, se chocam em um dia intenso onde viverá horas de incertezas, descobertas e muitos aprendizados. Escrito e dirigido pelo cineasta Ali Asgari, o longa-metragem tem seu alicerce nas emoções conflitantes de uma forte protagonista na busca pelos seus sonhos e independência, driblando os olhares julgadores de um país onde a repressão contra a mulher ainda é um chocante retrato dessa sociedade.
Uma Vida Honesta (Netflix)
O jovem estudante Simon (Simon Lööf) chega à cidade de Lund com o objetivo de cursar Direito em uma prestigiada universidade, mesmo carregando o sonho de se tornar escritor. Logo, se depara com as desigualdades sociais à sua volta, especialmente ao conviver com colegas de quarto abastados, o que o coloca diante de um cotidiano de contrastes. É nesse cenário que conhece Max (Nora Rios), uma jovem carismática e integrante de um grupo que comete pequenos delitos contra os mais ricos. Fascinado pela rebeldia e pelo idealismo do grupo, Simon se vê cada vez mais envolvido – até que eventos marcantes o forçam a encarar as consequências de suas escolhas.
Esse longa-metragem sueco, dirigido por Mikael Marcimain e roteirizado por Linn Gottfridsson e Joakim Zander, mergulha no espírito anarquista a partir das desilusões de um jovem protagonista. Preso em um labirinto de ideais, ele atravessa um intenso processo de amadurecimento ao se envolver com outros jovens que vivem à margem das convenções sociais. O filme constrói, com camadas bem estruturadas, uma reflexão sobre a inconsequência, os limites do idealismo e as complexidades das relações humanas.
Zico, o Samurai de Quintino (Globoplay, Sportv)
Um craque como poucos, dentro e fora de campo. Se você acompanha futebol – ou não -, já ouviu falar de Zico, um dos maiores camisas 10 da história do futebol mundial. Muito associado à nação rubro-negra, sua idolatria transborda para torcedores de outros times e outros países. Um figura exemplar, que preencheu páginas gloriosas desse esporte que é uma paixão nacional.
Hoje, aos 73 anos, o galinho de quintino tem recortes de sua vida apresentados ao público no documentário Zico, o Samurai de Quintino, com estreia marcada para o próximo dia 30 de abril nos cinemas. Dirigido por João Wainer, o projeto busca um olhar amplo, construído desde seus primeiros passos na carreira até sua passagem pelo Japão, mostrando sua importância para a profissionalização do futebol naquela região – um legado visto até hoje -, com um recheio saboroso revisitando sua história profissional no Brasil.
Meu Bolo Favorito (Imovision)
A vida da ex-enfermeira e viúva Mahin (Lili Farhadpour), uma mulher que se prendeu em uma solidão faz décadas, caiu na mesmice. Vendo as amigas que adora cada vez menos a cada ano, vive sozinha numa casa tendo contato com as filhas somente pelo celular. Certo dia, algo desperta nela e tomando coragem para se livrar do cantinho solitário que passa o cotidiano, acaba tendo um encontro pra lá de casual com o também solitário, e taxista, Faramarz (Esmaeel Mehrabi), com quem passa uma noite inesquecível, cheia de surpresas.
Da simplicidade chegam as melhores histórias, sendo assim, é possível achar muitas formas de abordar os sentimentos mais profundos ligados ao amor e o desejo no cinema. O caminho encontrado pelo longa-metragem iraniano Meu Bolo Favorito é uma imersão ao despertar de sentimentos esquecidos trazendo a melhor idade como protagonista e logo chegando até um delicado recorte, sem se esquecer de todo o entorno político de um país marcado pela opressão.
A Música de John Williams (Disney Plus)
A magia do cinema do cinema também está associada a elementos que muitas vezes não damos devido valor, como a trilha sonora. E quando pensamos nessa questão não podemos esquecer de John Williams. No documentário, lançado no segundo semestre de 2024 na Disney Plus, A Música de John Williams acompanhamos curtos recortes na carreira e vida pessoal desse genial compositor e maestro de 92 anos autor de temas inesquecíveis: Star Wars, Superman, ET – o Extraterrestre, Jurassic Park e tantos outros.
Nesse glorioso passeio pela criação e emoção de forma preponderante para uma obra cinematográfica nos encontram depoimentos de amigos, músicos, cineastas e sua família, sem esquecer de mostrar as origens de suas mais belas contribuições à sétima arte. A narrativa encontra sentido por meio de uma linha temporal detalhando os primeiros trabalhos, suas referências e o poder que uma orquestra possui. História é o que não falta.
Um Dia de Sorte em Nova York (Filmelier+)
Lu JiaCheng (Chang Chen) é um imigrante chinês que vive nos Estados Unidos há alguns anos e trabalha como entregador por aplicativos. Juntando dinheiro para trazer sua família para perto, vive os dias focado no trabalho. Próximo de conseguir o seu maior sonho – ter sua esposa e a filha (que mal conhece) morando com ele -, vê sua ferramenta de trabalho, uma bicicleta elétrica, ser roubada. Desesperado, e rodando pelas ruas nas horas que se seguem após o roubo em busca de soluções, percebe que sua situação se transforma em um labirinto de poucas oportunidades.
O primeiro longa-metragem da carreira do cineasta Lloyd Lee Choi, Um Dia de Sorte em Nova York, atravessa um recorte sob um olhar intimista, focando nos detalhes cotidianos e se blindando com uma melancolia aguda que dilacera os confrontos morais ligados às inconsequências disponíveis. Simultaneamente, sugere a crueldade do destino que encontra a trajetória de um homem buscando a vida na mais badalada cidade do mundo.
Agneta (Eva Melander) é um mulher que leva uma rotina entediante, há mais de duas décadas trabalhando no departamento de trânsito de sua cidade e presa a um casamento, apenas de aparência, com Magnus (Björn Kjellman). Ela ama a cultura francesa e alimenta o sonho de viver naquele lugar. Um dia, logo após ser demitida, resolve se candidatar a uma vaga de Au Pair para cuidar de Einar (Claes Månsson), na Provença. Essa decisão mudará para sempre sua forma de enxergar a vida.
Quantas pessoas se veem paradas na vida, presas a uma rotina entediante, marcada por sonhos que, a cada dia que passa, se tornam mais distantes? Pegando esse conflito existencial mundano e transformando em uma fábula deliciosa e repleta de sensibilidade, através de uma protagonista radiante, o longa-metragem sueco Meu Nome é Agneta é, antes de qualquer coisa, um brinde à vida.
Crítica | ‘Meu Nome é Agneta’ – Um irresistível brinde à vida chega à NETFLIX
Caminhos do Crime (Prime Video)
Em um presente onde a polícia está pressionada com a onda de crimes por toda Los Angeles, um introspectivo ladrão de joias (Chris Hemsworth), está em um momento de rever sua vida e sua profissão. Sem nenhum tipo de violência nos seus trabalhos passados, consegue ser um dos melhores do ramo. Quando um roubo milionário surge como a oportunidade de fugir e não voltar mais para essa vida, seu destino se cruza com um experiente policial (Mark Ruffalo) e com uma corretora de seguros (Halle Berry).
Apresentando algumas perspectivas e adotando um olhar mais profundo e apurado para um protagonista no lado errado da lei, o longa-metragem Caminhos do Crime caminha lentamente rumo a um retrato nu e cru da violência e as formas pelas quais se chega até ela.
Julián (Javier Cámara), Natalia (Carmen Machi) e Victor (Javier Gutiérrez) são três irmãos, com pouca convivência recente, que precisam se reunir para discutir sobre os próximos passos em relação à situação do pai, que mora sozinho e já está na casa dos 90 anos. Julián é o anfitrião e conta com a ajuda da esposa, a enfermeira Carol (Alexandra Jiménez), para organizar um encontro na casa deles. No entanto, com as desavenças do passado vindo à tona logo que começam a conversar, o assunto principal acaba girando em torno de um romance escrito por um deles.
Quebrando, de forma surpreendente, a quarta parede logo de cara – um recurso narrativo muito bem aplicado ao que acompanhamos ao longo de 78 minutos de ótimos diálogos, recheados com porções generosas de ironias -, o longa-metragem espanhol 53 Domingos, que entrou sem muita divulgação no catálogo da Netflix, é um deleite para quem gosta de refletir sobre dinâmicas familiares.

