Hollywood é uma fábrica de sucessos, filmes inesquecíveis que perduram pela eternidade, como é o caso com os icônicos ‘O Mágico de Oz’, ‘Casablanca’ e ‘E o Vento Levou’. Porém, nem todos se tornam clássicos para toda a vida. É verdade também que nem sempre o sucesso chega junto com o nascimento das obras. Por exemplo, diversos artistas só foram reconhecidos após sua morte. Com o cinema ocorre o mesmo muitas vezes. Filmes que em seu lançamento se mostram fracasso de crítica e de público, podem ressurgir um tempo mais tarde como itens cult, apreciados por toda uma nova geração de especialistas e espectadores.
‘Blade Runner’ e ‘O Enigma de Outro Mundo’, ambos de 1982, foram fiascos na época de sua passagem pelos cinemas. Hoje, ambos são reverenciados como filmes altamente influentes e celebrados em seus respectivos gêneros. Resta saber se isto vai acontecer algum dia com estes filmes que separamos para você nesta matéria. Só o tempo dirá. Por enquanto eles são apenas os filmes recentes que esperávamos que fizessem bem mais sucesso. Confira.
Coringa: Delírio a Dois

Nesta matéria existem alguns casos particulares, que recaem em diferentes tipos de fracassos comerciais. Vamos começar com o caso do segundo ‘Coringa’. O primeiro filme, de 2019, se tornou o sucesso surpresa daquela temporada, chegando até o Oscar e dando para o protagonista Joaquin Phoenix o seu tão aguardado prêmio de melhor ator da Academia. Além, é claro, de talvez o maior prêmio do filme, fazer mais de US$1 bilhão em bilheteria mundial. E bem, poderia ter parado por aí, mas o sucesso instigou o estúdio a fazer uma sequência. O diretor Todd Phillips parecia não estar muito motivado. Assim, resolveu fazer uma continuação-trollagem com os fãs, usando como argumento dois artifícios que não casam nem um pouco com a proposta: um filme de prisão (com direito a julgamento) e um filme inteiramente passado na cabeça do protagonista, como um grande delírio. E bem, quem queria ver isso? Certamente não o grande público.
Wicked: Parte II

Você lembra da comoção que foi o primeiro ‘Wicked’? Baseado em um enorme sucesso musical da Broadway, que usa como tema o clássico ‘O Mágico de Oz’, ‘Wicked’ deu o que falar, desde sua turnê de divulgação (com o relacionamento pra lá de esquisito entre as protagonistas Ariana “Pequena” e Cynthia Erivo), até ter conquistado os críticos e principalmente os fãs, com uma bilheteria de US$758 milhões. Ah sim, não podemos esquecer de suas 10 indicações ao Oscar, incluindo para melhor filme e para as duas atrizes citadas (com as vitórias de direção de arte e figurino). E melhor: essa era a primeira parte. A segunda certamente chegaria para colocar o prego no caixão, superando o original em todos os aspectos. Certo? Bem, … não foi bem assim. O segundo ‘Wicked’, lançado um ano depois, arrecadou US$200 milhões a menos, e não obteve metade dos holofotes do original. Ninguém falou sobre ele e o Oscar simplesmente deu de ombros, não reservando sequer uma indicaçãozinha para o longa.
O Dublê

‘Missão: Impossível’ foi uma série dos anos 60, revivida nos 80, que se tornou a franquia cinematográfica mais bem-sucedida dentro do gênero. Ou seja, naturalmente todos em Hollywood correram para fazer de algum programa clássico e querido o mais novo sucesso. Assim, Hollywood focou em ‘O Dublê’, ou ‘Duro na Queda’ para os mais íntimos. O programa dos anos 80, falava sobre um dublê de filmes de ação, que nas horas vagas trabalhava como caçador de recompensa. O programa durou cinco temporadas. Para a versão cinematográfica, um verdadeiro timaço: David Leitch, o diretor, foi dublê na vida real, então ninguém melhor que ele para comandar um filme sobre dublês. Fora isso, os protagonistas Ryan Gosling e Emily Blunt haviam acabado de sair de indicações ao Oscar, respectivamente por ‘Barbie’ e ‘Oppenheimer’, no ano anterior. Receita para o sucesso. Infelizmente, ninguém foi assistir e o que parecia ser o início de uma nova franquia nas telonas, não se concretizou.
Indiana Jones e a Relíquia do Destino

Nosso grande herói da sétima arte merecia mais e melhor. Indiana Jones definitivamente é um dos maiores personagens da história do cinema. A trilogia dos anos 80 o cimentou como um dos mais queridos protagonistas de todos os tempos. E bem, ele poderia ter ficado para sempre nesta época. Mas o próprio criador Steven Spielberg decidiu tirá-lo da aposentadoria para uma última grande aventura: e o resultado foi ‘O Reino da Caveira de Cristal’ (2008), que ninguém gostou. Agora sim, poderia ter parado por aí. Porém, 15 anos depois, Indy parecia ainda ter gás para estrelar um novo filme (agora ainda mais velho, aos 80 anos). E como queríamos uma despedida à altura do grande herói. Infelizmente não foi isso que ganhamos com ‘A Relíquia do Destino’, um filme ainda pior que o anterior, é o que muitos argumentam (e eu tenho que concordar).
Velozes e Furiosos 10

De filme sobre rachas de carros nas ruas de Los Angeles, a franquia ‘Velozes e Furiosos’ se tornou digna do 007 mais mentiroso, com tramas complexas de espionagem e grandes assaltos, conspirações internacionais. A coisa foi crescendo e ficando grande demais para o seu próprio bem. Em meados dos anos 2010, isso funcionou a favor da franquia, que atingiu seu ápice de prestígio, com os críticos e os fãs (as partes sete e oito atingiram a marca de U$1 bilhão em bilheteria). Porém, a coisa começou a regredir com o nono (em especial devido ao absurdo de carros no espaço, colados com silver tape). O décimo deveria ter corrigido este curso e voltado às boas com o sucesso. Ainda mais levando em conta o elenco adicionado (Jason Momoa, Brie Larson), o elenco que foi trazido de volta (The Rock, Gal Gadot) e que a história estava se encaminhando para o final. O público atual mostrou que não está mais acompanhando a franquia como antes.
Aquaman 2: O Reino Perdido

Por falar em Jason Momoa, merecido ou não, o primeiro ‘Aquaman’ foi o único filme do DCEU a atingir a marca de US$1 bilhão em bilheteria. O fato é bem curioso, se pensarmos que personagens mais populares da casa, como o Superman, a Mulher Maravilha e o Batman não conseguiram este êxito. A resposta para tamanha popularidade talvez seja que o filme do ‘Aquaman’ era bastante colorido e amigável para todo tipo de público, em especial o mais jovem (crianças e adolescentes), coisa que os filmes anteriores não eram (mais sombrios, pesados e carregados de sentimentos ruins). Porém, o segundo ‘Aquaman’ não chegou perto de repetir tamanho sucesso, com uma queda de 61% em relação ao original. O fato apenas demonstra que a esta altura, o público já havia abandonado os filmes do DCEU e estava apenas esperando a reestruturação da casa (que já havia sido anunciada com James Gunn no comando).
M3GAN 2.0

O primeiro ‘M3GAN’ faz parte daquela seleta lista de filmes que se tornam uma pequena surpresa agradável, saídos completamente do nada. Mistura de ‘Brinquedo Assassino’ e ‘Inteligência Artificial’, o filme realmente não tem nada demais, porém, surpreendeu em especial a geração tik tok com o vídeo viralizado em cima da dancinha da boneca-robô. E foi tudo o que precisou para virar um “meme-comoção”, levando um número considerável de pessoas aos cinemas. ‘M3GAN’ viralizou e virou pop. É claro que Blumhouse iria querer repetir o êxito. Mas os realizadores não desejavam apenas se repetir, assim transformaram a continuação em um filme de ação, que mostrava a robozinha como anti-heroína enfrentando uma ameaça ainda pior que ela. Se funcionou com ‘O Exterminador do Futuro’, iria funcionar com ‘M3GAN’ também, certo? Aliás, você sabia que M3GAN teve continuação?
Adão Negro

Voltamos a falar de um filme da extinta DCEU. É sabido que o universo da DC Comics no cinema começou mal em meados da década passada. Idealizado por Zack Snyder, a pressão em cima do diretor era para que ele construísse um universo cinematográfico nos moldes do que a Marvel estava fazendo àquela altura. Porém, o estúdio rival começou da maneira certa: construindo bases sólidas em filmes solo que apresentavam e desenvolviam os personagens. Mas isso nem foi o pior, pois se ‘Batman vs. Superman’ e ‘Liga da Justiça’ tivessem agradado de verdade, ninguém ligaria para o resto. Mas quando você começa tropeçando, dificilmente irá se reerguer para chegar ao fim da corrida. E no meio destes tropeços surgiu ‘Adão Negro’, um filme que ficou em desenvolvimento por 15 anos, e era um projeto dos sonhos do astro Dwayne Johnson. Nessa altura, o mundo passava pelo que ficou conhecido como “fadiga dos super-heróis”, e ‘Adão Negro’, infelizmente, foi o epicentro disso.
Furiosa: Uma Saga Mad Max

Veja bem, antes é preciso saber diferenciar entre um sucesso cult e um sucesso de público e bilheteria. A franquia Mad Max no cinema sempre foi um sucesso cult. ‘Mad Max 2’ ainda hoje é um dos melhores filmes de ação de todos os tempos. Porém, em seu lançamento teve até que mudar de título pois ninguém havia visto o anterior. Para piorar se tratavam de produções australianas. Quando finalmente foi levado para Hollywood em 1985, com o terceiro filme, o resultado não foi bem o esperado. Em 2015 estreava o que muitos consideram um dos melhores filmes dos últimos 20 anos, ‘Estrada da Fúria’. Apesar de ter sido indicado ao Oscar de melhor filme e ser enaltecido por 9 entre 10 cinéfilos, ele não chegou sequer aos US$400 milhões, ou seja, estava muito longe de ser um fenômeno de público. Os realizadores desejavam elevar ainda mais o status da franquia com o tão aguardado filme solo da personagem que roubou a cena em ‘Estrada da Fúria’, Furiosa. Mas para isso deram dois chutes na trave. O primeiro, tiraram Charlize Theron do papel e a substituíram por outra atriz. E segundo, voltaram no tempo para uma história de origem. Resultado: ninguém saiu de casa para ver.
Dungeons & Dragons: Honra Entre Ladrões

Finalizando, temos outro filme divertido que deveria ter recebido muito mais atenção e feito bem mais sucesso. Como já puderam perceber, nem todos os filmes da lista são ruins, ou sequer medianos. Alguns, de forma merecida não fizeram sucesso. Outros, infelizmente não conseguiram atrair atenção do grande público, apesar de sua qualidade. E ‘Dungeons & Dragons’ recai na segunda categoria. Para começar, podemos dizer que esta talvez seja uma franquia amaldiçoada no cinema. Tudo bem, é baseado em um jogo de nicho de tabuleiro, que nem todo mundo é familiarizado. Porém, poderia ter dado muito certo, pegando os fãs de ‘O Senhor dos Anéis’, já que fazem parte do mesmo gênero. O que pegou mesmo foi que a marca já estava “queimada” graças ao horrendo filme de 2000, com Jeremy Irons, considerado um dos piores filmes da sétima arte. Vinte e três filmes separam o filme bom e o ruim, porém, talvez tenha sido pouco tempo, pois o grande público ainda não tirou o gosto amargo da boca.





