Começou esta semana a 44ª Mostra Internacional de São Paulo, o principal festival da sétima arte da capital paulista. Em formato híbrido – parte virtual, parte no drive in Belas Artes –, pela primeira vez em sua história os filmes poderão ser aproveitados simultaneamente por pessoas do mundo inteiro através da plataforma Mostra Play. Funciona assim: o cinéfilo entra na plataforma, escolhe os filmes que lhe interessa, compra seu ingresso (a R$6,00 cada); a maioria dos filmes (falta só uma meia dúzia) já está disponíveis na plataforma, o cinéfilo só precisa colocar os de seu interesse no seu carrinho; os longas ficam disponíveis para o espectador por um determinado período, podendo ser assistido algumas vezes dentro desse prazo.

Além da plataforma Mostra Play, o site o Itaú Cultural irá disponibilizar alguns filmes com exibição gratuita, que são eles: ‘Era o Hotel Cambridge’, ‘Mulher do Pai’, ‘Pitanga’, ‘Tudo é Projeto’ e ‘Tudo Que Aprendemos Juntos’. Além disso, também haverá algumas exibições de filmes nas plataformas Spcine Play e gratuitamente (com limite de duas mil visualizações por filme) no site do Sesc Digital.

Portanto, de 22 de outubro a 4 de novembro cinéfilos do mundo inteiro poderão conferir, na segurança de suas casas, o que há de novo na produção cinematográfica mundial, e, por isso, fizemos aqui um guia com doze títulos imperdíveis para assistir na 44ª Mostra Internacional de São Paulo.



12 – ‘Mães de Verdade’ (Japão, 2020).

Aproveite para assistir:



Após um longo e malsucedido esforço para engravidar, e convencidos pelo discurso de uma associação de adoção, Satoko e o marido decidem adotar um menininho. Alguns anos depois, a paternidade do casal é abalada por uma garota desconhecida e ameaçadora, Hikari, que finge ser a mãe biológica da criança. Satoko, então, resolve confrontar Hikari diretamente.

11 – ‘Casa de Antiguidades’ (Brasil, 2020).

Único latino-americano na seleção de Cannes 2020, em ‘Casa de AntiguidadesAntonio Pitanga dá vida a Cristovam, um homem simples do interior, que precisa mudar de cidade em busca de melhores condições de vida e trabalho. Porém, ele se depara com uma realidade que desperta, dentro dele, algo que antes não estava escancarado, passando a sofrer com a solidão e o preconceito dos moradores locais.



10 – ‘Prazer, Camaradas!’ (Portugal, 2019).

Em 1975, depois da Revolução dos Cravos em Portugal, muitos estrangeiros e portugueses do norte vão para a região central do país para ajudar nas recém-formadas cooperativas. Mas suas visões progressistas sobre os costumes e a sexualidade logo se chocam com os comportamentos locais. O filme nasceu de um conjunto de relatos orais, textos literários e diários sobre essa experiência. Entre os portugueses das aldeias e os estrangeiros, chamados de turistas revolucionários, criaram-se tensões, mas também cumplicidade e, em alguns casos, amor.



9 – ‘Valentina’ (Brasil, 2020).

Valentina é uma jovem trans que se muda para o interior de Minas com a mãe, Márcia (Guta Stresser), em busca de um recomeço. Com receio de ser intimidada na nova escola, a garota quer mais privacidade e tenta se matricular com seu nome social. No entanto, a menina e a mãe passam a enfrentar dilemas quando a escola começa a exigir, de forma injusta, a assinatura do pai ausente (Rômulo Braga) para realizar a matrícula. Valentina é um retrato das dificuldades da vida real enfrentadas por uma jovem que busca abraçar quem ela é.

8 – ‘O Livro dos Prazeres’ (Brasil, 2020).



O Livro dos Prazeres acompanha Lóri (Simone Spoladore), uma professora que vive a monotonia de uma rotina de trabalho e relacionamentos furtivos até conhecer Ulisses (Javier Drolas), um professor de filosofia argentino, egocêntrico e provocador. É com ele que Lóri aprende a amar, enfrentando sua própria solidão. Uma jornada de investigação íntima, de cara a cara com a angústia e a dor, numa trajetória só possível pelo encontro, troca e aprendizado entre os dois. O filme é livremente baseado na obra da escritora Clarice Lispector, cujo centenário de nascimento é celebrado em dezembro próximo.

7 – ‘A Machine to Live in’ (Estados Unidos, 2020).



Construída ao longo de mil dias, a partir do projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer, Brasília é uma utopia “cosmofuturista” típica dos anos 1960 que se torna realidade. Por meio de vários encontros, paisagens e textos (de escritores e escritoras como Clarice Lispector), ‘A Machine To Live In’ é um documentário com linguagem de ficção-científica sobre a gênese e os futuros potenciais do modernismo e da transcendência espiritual.

6 – ‘Curral’ (Brasil, 2020).

Chico Caixa (Thomas Aquino) é um homem humilde e ex-funcionário da distribuidora de água de Gravatá, em Pernambuco, local que sofre com a escassez hídrica. Ele é recrutado por um amigo de infância, o advogado Joel (Rodrigo García), que precisa conquistar votos de um bairro popular fundamental para conseguir se tornar vereador. Para se eleger, os dois usam o fornecimento de água como moeda de troca com a população, e Chico se vê confrontado entre suas necessidades financeiras e seus princípios.


5 – ‘Verlust’ (Brasil, 2020)

Isolada na praia, a poderosa empresária Frederica (Andrea Beltrão) prepara a festa de réveillon que todos esperam. Em meio à crise do casamento com o fotógrafo Constantin (Alfredo Castro), que afeta diretamente a filha adolescente (Fernanda Pavanelli), ela ainda tem que administrar a vida e a carreira da ícone pop Lenny (Marina Lima), que decidiu escrever uma obra misteriosa ao lado do escritor João Wommer (Ismael Caneppele). Quando uma criatura estranha surge do fundo do mar, a crise se instaura e Frederica terá que enfrentar seu maior medo: a perda.

4 – ‘Ana. Sem Título’ (Brasil, 2020).

Stela, uma jovem atriz brasileira, decide fazer um trabalho sobre as cartas trocadas entre artistas plásticas latino-americanas nos anos 1970 e 1980. Para tal, viaja para Cuba, México, Argentina e Chile à procura de trabalhos e de depoimentos sobre a realidade que elas viveram durante as ditaduras que a maior parte desses países enfrentaram na época.  Em meio à investigação, Stela descobre a existência de Ana, uma jovem brasileira que fez parte desse mundo, mas que havia desaparecido em 1968. Obcecada pela personagem, Stela resolve encontrá-la e descobrir o que aconteceu com ela.

3 – ‘Cozinhar, F*der, Matar’ (República Checa/Eslováquia, 2019).

Jaroslav é um belo, tímido e aparentemente bem-humorado filho, pai e marido e motorista de ambulância. Ele tem um relacionamento complexo com a esposa, Blanka, que usa os três filhos do casal como chantagem para conseguir o que quer. Jaroslav, por sua vez, esconde que tem ciúmes patológicos de Blanka e pavor de que ela o abandone com os três filhos. Várias versões sobre como Jaroslav tenta salvar seu casamento são engenhosamente contadas e desdobradas na narrativa, em que papéis e a dinâmica de poder são invertidos, sempre culminando em muito sangue e louças quebradas. Um drama absurdo que retrata a tortura violenta e o abuso sexual e doméstico, inspirado em pesquisa sobre a violência em penitenciárias masculinas e femininas conduzida pela diretora Mira Fornay.

2 – ‘9,75’ (Turquia, 2020).

Durante o serviço militar nos anos 1990, no sudeste da Turquia, Ahmet passa por uma experiência que irá persegui-lo pelo resto da vida: ele começa a sofrer ataques de estresse pós-traumático nos mais inesperados momentos, o que o leva ao alcoolismo. Em 2013, durante os dias caóticos dos protestos em Gezi Park, em Istambul, Ahmet descobre que tem um tumor no cérebro. Quando a linha entre a ficção e a realidade, o sonho e a verdade, começa a ficar embaçada, ele conhece o amor da sua vida, Serap, uma “miragem”, assim como o significado de seu nome. Mas o tempo está passando e seu doloroso passado pesa todos os dias, sufocando-o com a mesma pergunta: quem é a criança que brinca de esconde-esconde com ele?

1 – ‘Coronation’ (China, 2020).

Em 31 de dezembro de 2019, o primeiro caso do novo coronavírus foi confirmado em Wuhan. As autoridades chinesas negaram repetidamente que a transmissão de pessoa para pessoa fosse possível, ocultaram o número de pacientes diagnosticados e puniram a equipe médica por divulgar informações sobre a epidemia. Em 23 de janeiro de 2020, a cidade foi colocada sob lockdown e, logo, a Covid-19 tornou-se uma pandemia global. ‘Coronation’ examina o controle político do governo chinês do primeiro ao último dia do lockdown em Wuhan. O filme registra a resposta militarizada e brutalmente eficiente do governo para controlar o vírus, os amplos hospitais de campanha que foram erguidos em questão de dias, os 40 mil médicos e enfermeiros que foram trazidos de ônibus de toda a China, além dos moradores locais, que foram trancados em casa. Ai Weiwei dirigiu, produziu e completou a pós-produção do longa remotamente da Europa. As filmagens foram feitas por cidadãos comuns que moram em Wuhan.

Comentários

Não deixe de assistir:

SE INSCREVA NO NOSSO CANAL DO YOUTUBE