31 Dias de Terror no CinePOP: ‘A Autópsia’ transforma um cadáver em um dos maiores mistérios do terror moderno

Outubro chegou e, com ele, começa o nosso 31 Dias de Terror no CinePOP. Até o Halloween, vamos indicar diariamente um filme para quem quer passar o mês mergulhado em histórias assustadoras, indo de clássicos indispensáveis a produções que talvez tenham escapado do radar do público. E abrimos nossa maratona com um dos filmes mais eficientes — e claustrofóbicos — do terror dos últimos anos: ‘A Autópsia’.

Lançado em 2016, o longa dirigido pelo norueguês André Øvredal, que posteriormente comandaria ‘Histórias Assustadoras para Contar no Escuro’ e ‘Drácula: A Última Viagem do Deméter’, parte de uma premissa deliciosamente simples. Durante a investigação de uma cena de crime, a polícia encontra o corpo de uma jovem parcialmente enterrado no porão de uma casa. O detalhe mais estranho é que, ao contrário das outras vítimas encontradas no local, o cadáver não apresenta sinais externos capazes de explicar sua morte.

Sem qualquer identificação, a misteriosa mulher passa a ser chamada simplesmente de Jane Doe, nome tradicionalmente utilizado nos Estados Unidos para pessoas cuja identidade é desconhecida. O corpo é então levado para o necrotério de Tommy Tilden (Brian Cox), um experiente médico legista que trabalha ao lado do filho, Austin (Emile Hirsch). Os dois recebem uma missão aparentemente simples: descobrir a causa da morte antes da manhã seguinte.

Só que existe algo profundamente errado com aquele corpo.

É justamente aí que ‘A Autópsia’ encontra sua grande força. A investigação funciona quase como um quebra-cabeça macabro. A cada etapa da autópsia, pai e filho encontram uma nova evidência que contradiz aquilo que acabaram de descobrir. Por fora, Jane parece praticamente intacta. Por dentro, porém, seu corpo guarda marcas e segredos que desafiam qualquer explicação lógica. E quanto mais tentam descobrir quem era aquela mulher, mais a sensação de que eles jamais deveriam ter começado aquela autópsia toma conta do filme.

Øvredal aproveita brilhantemente o espaço limitado do necrotério para construir tensão. Corredores estreitos, portas fechadas, luzes que falham e uma tempestade do lado de fora transformam o lugar em uma armadilha. Em vez de despejar sustos a cada poucos minutos, o diretor permite que o medo cresça lentamente. Muitas vezes, o que assusta não é aquilo que aparece na tela, mas justamente aquilo que sabemos que pode estar esperando fora do enquadramento.

E existe outro elemento fundamental para que tudo funcione: Olwen Kelly, atriz e modelo que interpreta Jane Doe. Permanecer imóvel sobre uma mesa durante grande parte do filme poderia parecer a tarefa mais simples do elenco, mas sua presença é justamente uma das coisas mais inquietantes da produção. Enquanto Tommy e Austin investigam o cadáver, o espectador inevitavelmente começa a observar Jane, esperando pelo menor movimento. Um piscar de olhos, um dedo mexendo, qualquer coisa. O filme sabe disso — e brinca cruelmente com essa expectativa.

Brian Cox e Emile Hirsch também ajudam a dar peso emocional à história. Antes de ser apenas uma sucessão de acontecimentos sobrenaturais, o longa estabelece uma relação convincente entre pai e filho. Tommy é um homem ligado ao negócio da família e acostumado a procurar explicações científicas para a morte; Austin, por outro lado, começa a demonstrar vontade de construir uma vida longe daquele necrotério. Quando os acontecimentos se tornam inexplicáveis, essa racionalidade começa a desmoronar diante dos nossos olhos.

É por isso que recomendamos entrar em ‘A Autópsia’ sabendo o mínimo possível. Parte da diversão está justamente em montar o quebra-cabeça junto com os personagens. O roteiro vai oferecendo respostas aos poucos, transformando uma simples autópsia em uma investigação sobre algo muito mais antigo e assustador do que aquele cadáver encontrado no início da história.

Com pouco mais de 80 minutos, o filme também não desperdiça tempo. É um terror enxuto, sombrio e extremamente eficiente, daqueles que conseguem fazer algo aparentemente inofensivo — até mesmo uma música tocando ao longe — ganhar uma conotação sinistra. Mais importante: é um ótimo exemplo de como atmosfera e suspense podem ser muito mais assustadores do que simplesmente encher a tela de monstros e efeitos digitais.

Por tudo isso, ‘A Autópsia’ é a nossa primeira indicação do 31 Dias de Terror no CinePOP. Se você procura uma história para assistir de madrugada, com as luzes apagadas e sem pesquisar spoilers antes, encontrou a escolha perfeita para abrir a maratona.

E prepare-se: amanhã tem mais um filme no nosso especial 31 Dias de Terror, com uma nova indicação para deixar a contagem regressiva para o Halloween ainda mais assustadora.

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