Crítica | Pica-Pau: O Filme – Você sabe, é para criança

CríticasCrítica | Pica-Pau: O Filme – Você sabe, é para criança

Versão bem diluída do desenho

Criado por Walter Lantz ainda na década de 1940, o Pica-Pau (Woody Woodpecker – ou Woody, o Pica-Pau) é parte dos mais icônicos personagens da animação, verdadeiros titãs que permeiam o imaginário coletivo há quase um século. Para termos uma ideia, o carismático e encrenqueiro pássaro permanece lado a lado com as criações de Walt Disney (Mickey, Pato Donald e cia) e os Looney Tunes (Pernalonga, Patolino e cia) da Warner.

O Pica-Pau fez suas primeiras aparições nas telonas, em curtas antes das atrações principais. Com o surgimento da TV na década de 1950, o personagem viria a migrar (com o perdão do trocadilho) ganhando seu próprio programa em 1957. Agora, muitas décadas depois de sua criação, ele finalmente ganha seu próprio filme, em versão live-action (com atores reais), trazido pela Universal, estúdio retentor dos direitos.

Quem já assistiu aos trailers e as prévias pôde perceber que algo soa estranho, como se não fosse verdadeiramente uma produção mainstream, mas algo como um filme B, produzido para o mercado de home vídeo (sem rostos conhecidos). O que ocorre é que o lançamento visa o mercado brasileiro, onde a popularidade do personagem é alta. Justamente por isso, temos no elenco a presença de nossa conterrânea Thaila Ayala – com menos tempo em cena do que aparentam as prévias.

A trama é bem simples e bobinha. Mostra um advogado (Timothy Omundson) que, ao ser demitido, segue para construir uma mansão na propriedade da família. O problema é que as terras ficam no meio de uma floresta, habitada pela personagem título, e ele fará da vida do sujeito um verdadeiro inferno. Acompanhando o protagonista estão sua namorada bibelô (Ayala) e o filho adolescente (Graham Verchere), com quem não possui muita intimidade.

Existem muitos problemas com esta versão de Pica-Pau. Para começar, seria uma justificativa fácil e uma ótima saída argumentar que esta é uma produção mirada ao público infantil. Bom, depois de perceber o que a Disney, a Pixar e outros estúdios têm feito com suas obras miradas às crianças, esta defesa vai por água abaixo. Filmes infantis podem sim desafiar seu público-alvo, tratando-os de forma inteligente. Seguindo este pensamento, Pica-Pau termina recomendado apenas para crianças, digamos, de até 8 anos de idade, já que consiste de ataques, pancadas, choques e piadas escatológicas em sua maior parte.

Fora isso, a animação em si, que cria o personagem, parece inconsistente. Tudo bem que o desejo era confeccionar algo que remetesse ao desenho, ou seja, nada de uma versão realista de um pica-pau de verdade. A pegada aqui era por algo mais Uma Cilada para Roger Rabbit (1988). A diferença é que estas “regras” são pré-estabelecidas lá, e aqui apenas o pica-pau é cartunesco. Ok, estou sendo um velho chato, então vamos passar para a próxima. A animação em si deixa levemente a desejar. O design do pássaro amalucado é legal, e até bem feitinho, mas em determinados momentos dá para sentir que o virtual não casa com o real. Em uma sequência quando o menino vai alimentar a criatura fictícia, a comida erra sua boca. Mais uma vez, são pequenos detalhes, mas importantes o suficiente para adereçar o fato de que a produção não está a par com o que é criado atualmente no gênero.

Por fim, o item nostalgia. Pica-Pau: O filme deveria se comunicar de forma equilibrada com as crianças de hoje, assim como quem foi criança na época em que o desenho estava no ápice de sua popularidade. Bem, é seguro dizer que isso não acontece. Não temos nenhuma mostra dos trechos inesquecíveis para toda uma geração: nada das cataratas com as capas de chuva amarelas (que inclusive fizeram parte da ótima campanha de divulgação do longa), nada de “lá vamos nós” com a bruxa, ou do crocodilo que só pensava em cozinhar a ave. Zeca Urubu? Nem sinal. O que ganhamos em troca é uma trama genérica, envolvendo humanos aborrecidos e mais caricatos que o desenho em si.

 

Notícias

10 Séries Recentes que Duraram APENAS 1 Temporada

Na última terça-feira, dia 19 de maio, chegou ao...

Atriz revela planos para trilogia CANCELADA da franquia ‘Jogos Mortais’

Em entrevista ao The Direct, Hannah Emily Anderson ('Terror...

Novo thriller de sobrevivência com Brad Pitt ganha data de estreia no Brasil

A Paramount Pictures finalmente anunciou quando o thriller de...