Um dos mais impactantes desastres ambientais e sociais dos últimos tempos foram as enchentes que atingiram em cheio o Rio Grande do Sul. Um assunto importante, onde o registro por meio do audiovisual já ganhou diversos olhares, e nunca é demais voltarmos a ele para não esquecermos alguns absurdos que poderiam ter sido evitados.
No terceiro dia de exibições do Bonito CineSur 2026, chegamos até À Margem do Fim, filme selecionado para a Mostra Competitiva de Curta-metragem Documental e que explora, mais uma vez, o assunto. A obra, dirigida por Felipe Beltrame, percorre, com um afiado senso crítico, e com fortes denúncias, diferentes cenários em relação as realidades sociais durante e após a tragédia do sul do país.
Vida destruídas. Memórias perdidas. Mais de 160.000 pessoas sem lar. À Margem do Fim consegue, em pouco tempo, criar um panorama bem profundo que liga as incertezas da periferia e também pelos povos indígenas a um muro de insatisfações, muito em razão das negligências do estado (na época, já em crise). Os depoimentos são fortes e cada um deles fortalecem um mosaico de denúncias, colocando em total evidência a necessidade de dignidade para as famílias desabrigadas, muitas delas a mercê da especulação imobiliária.
Com captações muito bem feitas, ilustrando uma narrativa que caminha pela dor e a insatisfação, o filme inicia com uma série de questões em forma de contextualização, com falas se sobrepondo a legendas que avançam na apresentação do que o discurso se propõe a discutir. Essa escolha pode confundir um pouco, por preencher com muita informação ao mesmo tempo, mas nada que atrapalhe o epicentro das reflexões, que logo alcançam diversos pontos importantes construindo um sólido retrato sobre a crise climática.


