Crítica | O Assassino: O Primeiro Alvo – Dylan O’Brien estrela seu próprio ‘Missão Impossível’ na Netflix

Quando Tom Cruise estreou seu primeiro ‘Missão Impossível’ o público veio à loucura com um estilo de filme de ação que envolvia espionagem a la ‘007’, com muita astúcia e situações inimagináveis até mesmo para a ficção. Foi como elevar o gênero da ação de espionagem a um nível extremo, até então feito por poucos. De lá para cá esse tipo de produção se popularizou e despertou o interesse mundial, ganhando toda uma indústria voltada para os longas de ação impossível, estrelados por atores homens de todas as idades. De olho nesse filão, chegou agora à Netflix o longa ‘O Assassino: O Primeiro Alvo’, de 2017, mas que somente nos últimos dias foi disponibilizado na plataforma e, desde então, figura entre as primeiras posições do Top 10.

Mitch Rapp (Dylan O’Brien) tinha a vida perfeita com a namorada perfeita. Enquanto passam férias em Ibiza, ele decide pedir a mão de Katrina (Charlotte Vega) em casamento, e a moça aceita. Porém, enquanto celebram, do nada um grupo de terroristas aporta na praia e começa a atirar aleatoriamente, matando Katrina. O tempo passa, mas Mitch não consegue esquecer o que houve, e tem apenas um objetivo em vida: se infiltrar no núcleo radical islâmico para matar pessoalmente Khaled (Yousef’ Joe’ Sweid), responsável pela morte de sua noiva. Porém, Rapp não esperava que a vida fosse dar outra reviravolta, e ele acabasse sendo convocado para se juntar ao treinamento de Hurley (Michael Keaton) na caçada ao Fantasma (Taylor Kitsch), que roubara importantes materiais na intenção de construir uma bomba nuclear.

A ver pela sinopse, já dá para ter uma noção de que ‘O Assassino: O Primeiro Alvo’ é desses filmes que atiram para todos os lados (com o perdão do trocadilho) e acabam focando em lugar algum. Até por isso, talvez, a produção seja realmente grandiosa, garantindo não só um elenco de peso, reconhecido pelos espectadores, mas também a inserção de efeitos especiais para a realização de cenas espetaculares (como a cena final), em múltiplas locações (Itália), com cenas de tiroteio (o que sempre encarece uma produção, uma vez que faz-se necessário a presença de especialistas para garantir a segurança de todos), etc. Tudo isso para nos distrair do fato de que a história é toda confusa.

O roteiro de Stephen Schiff, Michael Finch e Edward Zwick parece tentar se justificar o tempo todo, e, para isso, recai no reforço de estereótipos. Todo o rolê do protagonista perder a noiva e aprender árabe para se juntar aos terroristas não serve para nada, uma vez que o foco do longa de Michael Cuesta é buscar um outro personagem que não tem nada a ver com esse início. Uma pena, pois desperdiça um intenso plano-sequência de ação realmente de tirar o fôlego no princípio do filme.

Se jogarmos a lógica do filme para escanteio, ‘O Assassino: O Primeiro Alvo’ é um filme que contempla todas as exigências dos fãs de filmes de ação, com muita testosterona escorrendo nas cenas de brigas, tiroteio, perseguição, carrões pelas ruas da Europa e um final exagerado que torra toda a verba da produção, bem estilo ‘Missão Impossível’ estrelado pelo corpo juvenil de O’Brien. Tudo indica que temos aqui uma promissora passagem de bastão.

Notícias

Christopher Nolan quer dirigir um filme de TERROR

Em entrevista ao Fred Asquith, Christopher Nolan ('TENET') revelou...

10 FILMES EXCELENTES que estão há anos esperando você dar o Play

A cada semana, novos filmes se juntam ao diversos...

Aos 100 anos, Sir David Attenborough faz história como o indicado mais velho do Emmy

O renomado naturalista e cineasta Sir David Attenborough acaba...
Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.