Crítica | Meu Namorado Astronauta – Caliente Top Gun Polonês sem o carisma de Tom Cruise

Uma simples missão espacial? Um experimento? As duas coisas? Criogenia de humanos? Uma nova função para as células tronco? Top gun polonês? Um romance picante, sensual, com cenas calientes? De forma confusa e com corajosas lacunas em aberto, mesmo sem saber se haverá uma segunda temporada, chegou ao catálogo da Netflix em fevereiro desse ano um seriado polonês de ficção científica que busca nas mais diversas subtramas, que envolvem política, amorosos separados pelo tempo, e estudos do corpo humano, apresentar ao público um jogo de adivinha que se equilibra em duas linhas temporais separadas por três décadas. O espectador, se quiser se prender ao que assiste, precisa se jogar em alguma subtrama e a partir daí tentar entender o contexto que basicamente tem seu ponto em comum em um jovem que durante uma viagem espacial, em vez de dormir 24 horas, acaba dormindo 262.800, o equivalente a incríveis 30 anos.

Na trama, conhecemos Niko (Jedrzej Hycnar), um brilhante e indomável piloto da força aérea polonesa que certo dia tem seu destino cruzado com o de Marta (Vanessa Aleksander no passado, Magdalena Cielecka no presente) uma jovem por quem logo se apaixona. Niko é muito amigo de Bogdan (Jakub Sasak), um outro piloto. Esse amigo acaba se apaixonando também Marta, o que forma um intenso e imprevisível triângulo amoroso que terá desdobramentos no presente e no futuro já que Nico é selecionado para uma missão no espaço e acaba conseguindo retornar somente 30 anos depois. Assim, vamos acompanhando duas linhas temporais e os segredos que se revelam aos poucos.

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Um caminho para abrir a mente e embarcar reflexões, pelo menos de parte da narrativa, é traçar os paralelos entre a rivalidade que se concretiza entre os amigos. Um deles um bon vivant, piloto brilhante, o outro um amargurado piloto com conflitos nada ultrapassados com o pai. O terceiro vértice do triângulo amoroso, Marta tem um grande desenvolvimento na trama que mostra os conflitos amorosos entre os três em dois tempos. Há o núcleo de 2022 que mostra a juventude dos personagens chaves da trama, e em 2053, somos apresentados aos mesmos personagens, só que envelhecidos. A questão é que o roteiro patina quando projeta a base de sua estrutura no piloto playboy da força aérea da Polônia, um protagonista que é mal definido em qualquer das linhas temporais.

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As memórias são detalhes importantes nessa produção polonesa, seja na evolução da tecnologia em recriar momentos e lugares (algumas situações bem parecidas como algo já visto em Star Trek), ou nos laços de amor que vamos entendendo a força conforme as surpresas são reveladas, ou mesmo na ciência e sua busca por regenerar órgãos e tecidos lesionados.

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Progresso requer sacrifício? Manobras políticas são o plano de fundo dessa tentativa de engenhosa trama que se perde em muitos momentos. Nos embates políticos que se estabelecem, vemos a mão de obra polonesa sendo usado por poderosos russos, algo complexo de se ver numa realidade já que historicamente há diferentes linhas de pensamento entre esses dois países ao longo do tempo.

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Em resumo, Meu Namorado Astronauta tenta apresentar muita coisa em pouco tempo e ainda deixando lacunas em aberto, seja nas complexidades de uma batalha entre a ciência e a política, seja no inusitado reencontro de um jovem que não envelheceu e sua namorada que de repente tem quase 60 anos.

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Raphael Camacho
Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.
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