Crítica | Lana Del Rey se mostra melancólica e saudosista com a canção “Henry, Come On”

Se há algo que Lana Del Rey sabe fazer muito bem é construir baladas: a cantora e compositora, que despontou em sucesso estrondoso em 2012 com seu segundo álbum de estúdio, ‘Born To Die’, sempre teve um apreço por incursões mais lentas, denotando uma proximidade entre seus desejos e ímpetos mais íntimos e seu desejo de construir narrativas que, mesmo que similares a tantas outras, são delineadas sob uma ótima diferenciada – seja na lírica, seja no arranjo instrumental.

Ao longo de sua carreira, Del Rey remodelou a carreira a seu bel-prazer, utilizando elementos similares que continuam a construir um elo entre seus múltiplos compilados – mas que refletem um amadurecimento artístico aplaudível e prestigiado não apenas pelos fãs, como pelos apreciadores de uma boa música. Seja com as investidas mais críticas e calculistas de ‘Norman Fucking Rockwell!’, seja com as glórias de um saudosismo melancólico de ‘Did You Know That There’s a Tunnel Under Ocean Blvd.’, as pulsões criativas da performer nos tiram o fôlego e nos engolfam em impecáveis ambiguidades narrativas e sonoras.

Agora, Del Rey está de volta com o primeiro vislumbre de seu aguardado décimo álbum de estúdio, ‘The Right Person Will Stay’: a track “Henry, Come On” já vinha sido mencionada pela artista há algum tempo, desde o anúncio do disco – para ver a luz do dia em um suntuoso épico romântico que reúne os melhores elementos de sua identidade em uma canção de mais de cinco minutos de duração. Afastando-se do trap e do pop que explorou no álbum anterior, Del Rey se rende aos conhecidos traquejos do country para uma história de amor que chegou ao fim e que não nutre de ressentimentos – pelo contrário, abre espaço para uma comunhão entre término e rememorações que carregam consigo um gostinho agridoce de melancolia e de letargia.

Aqui, duas personalidades muito distintas entre si percebem que o relacionamento que têm não funciona mais – e não existe uma culpa, per se, que os tenha afastado. Lana, ocupando a primeira pessoa do enredo, reflete sobre uma ambição intrínseca de que não consegue e não quer se desvencilhar, assemelhando-se ao mito grego de Ícaro, que inclusive é citado nos versos “ouvi Deus dizer: você nasceu para ser aquela que segura a mão do homem que voa muito perto do Sol”; dessa forma, seu companheiro a deixa ir em um último ato de amor enquanto se afasta (“não é sua culpa que você está partindo; algumas pessoas vêm e vão, apenas voando para longe”) em uma espécie de comum-acordo entristecido e marcante.

Luke Laird co-assina a canção com Del Rey e também fica responsável pela produção dessa cândida track ao lado de Drew Erickson – construindo uma história cinemática de três atos que se inicia com os acordes do violão e do piano até transformarem-se na epopeica sonoridade orquestral dos violoncelos e dos violinos. Rearranjando-se os tropes do country para uma saudosa lembrança da famosa “Summertime Sadness”, temos uma emulação daquilo que veio e daquilo que virá, pautado pela sensual performance da cantora, com seus icônicos vocais sensuais e abafados.

“Henry, Come On” traz Del Rey em seu estado mais puro de declamações confessionais que, apesar de não trazer muitas originalidades – visto a semelhança dessa incursão a outras de sua própria carreira -, cumpre com o que se dispõe de maneira prática e aprazível, representando um bom início para sua nova era.

Lembrando que o álbum ‘The Right Person Will Stay’ tem lançamento marcado para o dia 21 de maio de 2025.

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Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.