Crítica | Star Wars: O Mandaloriano e Grogu – Nostalgia e Fofura Dosam Nova Aventura

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CríticasCrítica | Star Wars: O Mandaloriano e Grogu – Nostalgia e Fofura Dosam Nova Aventura

Fazia tempo que um filme da franquia ‘Star Wars’ não estreava nos cinemas. Depois das nove partes da saga original e do derivado ‘Han Solo’, a franquia voltou sua Força para produções direto para o streaming da Disneyplus, onde vem estreando temporadas atrás de temporadas de diversas séries para todos os gostos, ora centrada nos menores como a animação ‘A Guerra dos Clones’, ora voltada ao público feminino, com ‘Ahsoka’, e o grande sucesso da última década: a produção para toda a família chamada ‘O Mandaloriano’. E sim, fez tanto sucesso de público que Jon Favreu, atual diretor das produções do universo de ‘Guerra nas Estrelas’, anunciou um longa-metragem com os protagonistas da série, um filme que iria direto para o cinema. Trata-se de ‘Star Wars: O Mandaloriano e Grogu’, que chegou essa semana aos cinemas após alguns eventos para fãs terem exibido os primeiros minutos em sessões fechadas.

Mandalorian in black armor at a bar with Grogu perched on his shoulder, dim sci‑fi tavern setting.

Mando (Pedro Pascal, de ‘Quarteto Fantástico: Primeiros Passos’) acaba de receber uma nova missão da Coronel Ward (Sigourney Weaver, de ‘Avatar’): encontrar Rotta the Hutt (dublado por Jeremy Allen White, da série ‘O Urso’), sobrinho do lendário contrabandista Jabba the Hutt e herdeiro do império deste. Aparentemente, Rotta está sendo mantido em cativeiro, e seus tios – conhecido como Os Gêmeos – contratam Mando para salvar Rotta. O que parecia uma simples missão acaba se tornando em algo muito maior, que ameaça até mesmo a vida de Mando e do seu fiel escudeiro Grogu, e agora os dois precisarão estreitar os laços que os une para que não haja medo nem temor pelos caminhos a seguir.

Com duas horas e doze minutos de duração, a extensão do filme é o primeiro elemento que se destaca na produção, afinal, é um filme longo demais para uma produção que intenciona trazer um novo público para a franquia. Especialmente porque esta longa extensão resulta numa “barriga” no meio do filme que se prolonga em demasiado – um intervalo entre a conclusão da missão e o início da resolução da trama, que passa por um pequeno retrocesso na aventura e num deslocamento de protagonismo (que passa de Mando para Grogu), o que acaba gerando a necessidade do desenvolvimento de subtramas menores e destaque para personagens pequenos cuja função é a de apenas de não deixar o filme em silêncio, uma vez que Grogu não fala.

Tendo isso em mente, é fácil pensar que o roteiro de Jon Favreau, Dave Filoni e Noah Kloor deveria ter enxugado uma parte dessa barriga, seja no meio, quando a trama dá uma amornada, seja no início – que, embora seja um início eletrizante e faz a gente acreditar que o sarrafo vai ficar lá em cima o tempo todo, a real é que toda a aventurinha do início (ou boa parte dela) também poderia ter sido reduzida.

Two massive stone frog statues leaning together in a dim vaulted chamber with warm orange lighting.

Agora, para quem se encantou com a fofura de Grogu (nosso eterno baby Yoda), ‘Star Wars: O Mandaloriano e Grogu’ é um prato cheio. São muitas as cenas da criança fazendo suas fofurices – em especial, comendo, e comendo muito, quase todas as cenas dele são ingerindo alguma coisa. Mas há também toda uma pequena jornada que Grogu atravessa no meio do filme que o aproxima daquilo que mais tarde conheceríamos como as características do Yoda – usar um cajado para andar, controlar a Força sem esforço, etc. Sem contar que temos nosso querido Martin Scorsese dublando um personagem, que tem todos os trejeitos do famoso diretor!

Recheado de nostalgia por conectar a trama de sucesso do momento com elementos clássicos da franquia, ‘Star Wars: O Mandaloriano e Grogu’ é uma aventura no real sentido do gênero, com muita ação, perseguição e lutas por sobrevivência (uma delas, aliás, claramente fazendo menção à ‘Mortal Kombat’), mas com uma história meio morna. Porém, tudo indica que nos encaminhamos de vez para a conclusão da franquia em breve.

Snowy mountain scene with a bipedal armored walker and a pilot inside the cockpit.

Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.

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