Clint Eastwood se aposenta aos 96 anos! Relembre os trabalhos mais marcantes da carreira deste verdadeiro ícone do cinema

Com uma carreira que durou sete décadas, o lendário ator e diretor Clint Eastwood se aposentou oficialmente no auge de seus gloriosos e muito bem-vividos 96 anos. Quem divulgou a informação foi o próprio filho do astro, o também ator Scott Eastwood, que aproveitou a comemoração do aniversário de 96 anos do astro, no último dia 31 de maio, para revelar que o patriarca estava amarrando as chuteiras de vez. Scott é fruto de seu relacionamento com a comissária de bordo Jacelyn Reeves. Clint possui ao todo oito filhos.

Clint Eastwood é uma das poucas figuras ainda em atividade em Hollywood que obteve bastante destaque tanto na carreira como ator, quanto na carreira como diretor. Eastwood ainda estava trabalhando e lançou filmes recentemente. Como ator, seu último longa foi ‘Cry Macho: O Caminho para a Redenção’, de 2021. E como cineasta, seu último trabalho foi com o ótimo suspense ‘Jurado Nº 2’, de 2024. Esse se torna seu último filme oficialmente. Um bom último capítulo para uma carreira magistral.

Ao todo foram 45 filmes como diretor, 54 como produtor e 73 como ator, entre séries de TV, filmes e participações menores. Eastwood também é compositor e fez trilhas sonoras. Ao longa da carreira iniciada em 1955, ganhou 4 Oscar: melhor diretor por ‘Os Imperdoáveis’, melhor filme por ‘Os Imperdoáveis’, melhor diretor por ‘Menina de Ouro’ e melhor filme por ‘Menina de Ouro’, além de mais um Oscar honorário e outras sete indicações.

Como forma de homenagear a carreira desta verdadeira lenda, daremos uma olhada em alguns de seus trabalhos mais marcantes. Confira abaixo.

A Trilogia dos Dólares

O primeiro trabalho no cinema de Clint Eastwood foi em uma participação não creditada como um cientista no filme de terror cult, ‘A Revanche do Monstro’, de 1955, continuação de ‘O Monstro da Lagoa Negra’ (1954), parte dos monstros clássicos da Universal. Porém, ele seria descoberto mesmo pelo diretor Sergio Leone, que abriria as portas para sua carreira, ao coloca-lo para protagonizar ‘Por um Punhado de Dólares’ (1964), que se tornou um marco e popularizou o movimento conhecido como “faroeste spaghetti”, filmes western italianos. No ano seguinte veio a sequência, ‘Por uns Dólares a Mais’ (1965), que muitos consideram ainda melhor. E para encerrar a trilogia, considerada por muitos cinéfilos uma das melhores do cinema, o auge de tais filmes com ‘Três Homens em Conflito’ (1966), também conhecido como “O Bom, o Mau e o Feio”, o título original. Esse terceiro é o filme mais querido da carreira de Eastwood.

Rawhide

O diretor italiano Sergio Leone pegou um então desconhecido Clint Eastwood e o levou para estrelar faroestes no cinema, fazendo dele um astro. Porém, ele já tinha uma carreira no gênero, ao menos nas telinhas. Acontece que o primeiro trabalho de destaque de Clint Eastwood como ator foi como caubói na série ‘Rawhide’, um cult da TV americana. Eastwood participou de todas as 8 temporadas, de 1959 a 1965 – ao longo de 217 episódios. Embora não fosse o personagem principal, seu papel foi crescendo ao longo do tempo, ele foi ganhando mais destaque.

Perversa Paixão

O primeiro filme de sua carreira como diretor foi, não um faroeste como era de se esperar, mas sim um suspense bastante tenso. Embora tenha aparência bruta de um herói de filmes de ação, Clint Eastwood sempre foi um homem e um artista bastante sensível, amante de boa música e das mulheres. Ele sempre gostou de trabalhar o psicológico de suas histórias. E em seu primeiro trabalho como diretor, ele escolheu falar sobre um DJ de uma rádio (papel do próprio) que se torna alvo da obsessão de uma fã desequilibrada.

Os Filmes de Dirty Harry

Clint Eastwood ficou marcado como pistoleiro em diversos faroestes, mas no início de sua carreira ele soube dar vida a outro tipo de personagem bem marcante: o policial durão “moderno”. Foi graças ao estilo de Eastwood, as sacadas rápidas em frases de efeito, e a truculência, que foi possível o nascimento do subgênero “exército de um homem só” nos anos 80. Ou seja, Clint engatinhou para que Stallones e Schwarzeneggers pudessem andar. Em ‘Dirty Harry’ (ou ‘Perseguidor Implacável’, o primeiro filme da franquia, de 1971), Eastwood vive o policial incorreto “Dirty” Harry Callahan, que usa métodos nada convencionais no combate ao crime. O primeiro filme foi inspirado na caçada ao assassino serial real conhecido como “Zodíaco”. O filme teve quatro continuações até 1988, inclusive uma dirigida pelo próprio Eastwood.

Interlúdio de Amor

Um dos longas mais obscuros da carreira de Clint Eastwood, esse romance dramático marcou uma virada na filmografia do diretor. Foi o terceiro filme dirigido por Eastwood, mas o primeiro em que não estrelava como ator. Aqui, ele apenas comandou a história de trás das câmeras. E a escolha para isso foi polêmica, pois o assunto aqui é o relacionamento entre uma jovem e um homem bem mais velho. A diferença de idade entre os personagens (vividos por William Holden e Kay Lenz) era de 30 anos. Embora um pouco controverso, a atriz já tinha 20 anos na época.

O Estranho Sem Nome

No mesmo ano em que dirigia seu primeiro filme em que não participava como ator, Clint Eastwood lançava também seu primeiro faroeste como diretor. Agora sim ele estava em casa. ‘O Estranho Sem Nome’ (1973) foi seu segundo filme como diretor, e o próprio estrelava como um pistoleiro contratado por moradores de uma pequena cidade, para ensiná-los a lutar e combater um grupo de criminosos que está a caminho. Eastwood fez ao total 12 faroestes clássicos no cinema, contando com a famosa trilogia dos dólares. Dentre os quais, vale citar também ‘Josey Waler – O Fora da Lei’, de 1976, dirigido pelo próprio, e um dos mais bem avaliados por críticos e fãs.

Os Imperdoáveis

E se ‘O Estranho Sem Nome’ foi o primeiro faroeste dirigido por Clint Eastwood, ‘Os Imperdoáveis’ foi o último western clássico que ele fez. E o astro não poderia ter escolhido forma melhor de se despedir do gênero que fez seu nome e sua carreira. Esse é não apenas o meu faroeste preferido da carreira de Clint Eastwood, como também o meu faroeste preferido de todos os tempos, e um de meus filmes preferidos do cinema em si. E bem, talvez outras pessoas concordem comigo, já que ‘Os Imperdoáveis’ foi o único do gênero em sua carreira não apenas indicado para melhor filme, como também saiu vitorioso, eleito o melhor filme do ano no Oscar de 1993. Uma verdadeira obra-prima, um destes filmes inesquecíveis, que podemos citar todos os diálogos.

Na Linha de Fogo

E como seguir após a vitória de melhor diretor e melhor filme no Oscar? Bem, trabalhando mais, é claro. Esse era o lema de Clint Eastwood. Após a vitória por ‘Os Imperdoáveis’, Eastwood lançou logo no ano seguinte dois grandes filmes. Em ‘Um Mundo Perfeito’, ele voltava como diretor e nas telas era o coadjuvante em uma caçada pelo fugitivo Kevin Costner (que estava no auge na época, também um diretor consagrado de faroestes). Talvez melhor ainda seja o thriller ‘Na Linha de Fogo’, que estreava no mesmo ano, e trazia Eastwood como um agente do serviço secreto caçando um psicopata que colocou o presidente americano na mira. Durante muito tempo, ‘Na Linha de Fogo’ marcou o último trabalho em que Clint atuou em um filme, mas não o dirigiu. Esse posto foi tomado pelo drama ‘Curvas da Vida’, de 2012.

As Pontes de Madison

Quando lançou o romance dramático ‘As Pontes de Madison’, muitos viram como um ponto de virada na carreira de Clint Eastwood. Isso porque o ator estava acostumado a estrelar e dirigir filmes de faroeste, ação policial e até suspenses. Porém, quem acompanhava a carreira de Eastwood mais de perto, sabia que este não era o primeiro ponto da curva em sua filmografia, que já contava com filmes como o citado romance ‘Interlúdio de Amor’ e o celebrado ‘Bird’, um docudrama musical, que é a biografia de Charlie Parker, icônico saxofonista de jazz. Em ‘As Pontes de Madison’, Eastwood contracena com Meryl Streep, indicada ao Oscar pelo papel. O longa se tornaria um dos romances mais memoráveis da história.

Sobre Meninos e Lobos

Ao longo de sua carreira, cinco produções de Clint Eastwood foram indicados ao Oscar de melhor filme. O primeiro foi ‘Os Imperdoáveis’. Este foi o segundo. Baseado em um livro do badalado autor Dennis Lehane, o longa mostra toda a sensibilidade e a dureza de Clint como realizador, ao contar a história de três amigos de infância, marcados por uma tragédia, que seguem rumos bem diferentes de vida na fase adulta. Mistura de suspense e drama, ‘Sobre Meninos e Lobos’ é um daqueles filmes únicos, que nos deixam pensando dias após o término. Eastwood foi indicado como melhor diretor aqui, e o filme também teve o roteiro indicado. Além disso, Sean Penn e Tim Robbins, ambos ganharam o Oscar por seus papeis – e o filme ainda indicou também a atriz Marcia Gay Harden.

Menina de Ouro

Ao todo, cinco atores já levaram o Oscar em filmes dirigidos por Clint Eastwood. E outros nove atores foram indicados, incluindo o próprio Eastwood duas vezes. Aqui, com ‘Menina de Ouro’, mais dois se juntam à lista: Hilary Swank e Morgan Freeman. De todos os filmes da carreira de Clint Eastwood, ‘Menina de Ouro’ é provavelmente o mais estarrecedor, daquele que nos arrasa e nos faz buscar por um sentido na vida, um sentido em tudo – nas ironias perversas da existência. Acompanhamos a história de ascensão da sofrida Maggie Fitzgerald (Swank), uma garçonete que para melhorar de vida, se torna lutadora, depois de muito insistir que um veterano rabugento a treine (Clint). Ela chega ao auge e se torna campeã. Mas o destino será trágico. Ainda hoje este vencedor do Oscar de melhor filme é uma das obras mais doídas da história do cinema.

A Conquista da Honra / Cartas de Iwo Jima

Só mesmo um realizador do tamanho de Clint Eastwood, conhecido em seus sets por sua precisão, objetividade e por fazer apenas um take de suas cenas, para orquestrar duas superproduções ao mesmo tempo. Essa dobradinha marca os primeiros filmes de guerra da carreira de Eastwood como diretor, que trabalhou com outro mestre neste projeto, Steven Spielberg, atuando como produtor. Lançados no mesmo ano, o diretor resolve dar uma olhada nos bastidores da Segunda Guerra Mundial. No primeiro filme, ‘A Conquista da Honra’, narra a trajetória da famosa foto dos soldados erguendo a bandeira americana. E em ‘Cartas de Iwo Jima’, ele apresenta a mesma história, vista pelo lado japonês do conflito, que acabou se tornando um filme ainda mais dramático e apreciado.

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Pablo R. Bazarello
Crítico, cinéfilo dos anos 80, membro da ACCRJ, natural do Rio de Janeiro. Apaixonado por cinema e tudo relacionado aos anos 80 e 90. Cinema é a maior diversão. A arte é o que faz a vida valer a pena. 15 anos na estrada do CinePOP e contando...

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