Os grandes vencedores da 4ª edição do BONITO CINESUR, Festival de Cinema Sul-Americano, foram anunciados na noite deste sábado (01). Os atores Valentina Herszage e Paulo Betti subiram ao palco do Auditório Kadiwéu – Centro de Convenções de Bonito para conduzir a cerimônia que premiou os curtas e longas-metragens escolhidos pelos jurados e pelo público nas mostras Sul-Matogrossense, Ambiental e Sul-Americana, finalizando o festival que, desde a abertura em 24 de julho, celebrou o cinema da América do Sul e recebeu 46 filmes de 10 diferentes países do continente.
Do palco, os apresentadores resumiram o espírito do festival.
“O cinema é a janela para o mundo. Nos dá asas para voarmos no horizonte e além”, afirmou Valentina Herszage, enquanto Paulo Betti completou:
“O cinema nos reuniu aqui, no coração do Pantanal, e nos presenteou com histórias que atravessaram fronteiras, línguas e culturas, trazendo à tona a potência e a diversidade da nossa América do Sul.”
Outro destaque da noite foi a entrega do Troféu Pantanal ao cineasta e indigenista franco-brasileiro Vincent Carelli, em reconhecimento pelo conjunto de sua obra cinematográfica. O cineasta que fez do cinema uma ferramenta de luta. Carelli, antropólogo de formação e cineasta por urgência, fundou, em 1986, o projeto Vídeo nas Aldeias e entregou as primeiras câmeras VHS nas mãos dos Waiãpi, no Amapá. Pela primeira vez, indígenas assumiam o controle da própria imagem e deixavam de ser apenas objeto do olhar do outro. Nascia ali o primeiro cinema indígena das Américas. Vídeo nas Aldeias é uma escola, um arquivo vivo, uma trincheira política. A poética de Carelli é a da escuta para devolver a palavra e a imagem aos povos originários. Seu trabalho atravessa o cinema, a antropologia e a luta por direitos.
A premiação especial entregue a Vincent se soma à concedida à atriz chilena Paulina García, grande homenageada desta edição, que recebeu o Troféu Pantanal na noite de abertura do Festival, em 24 de julho.

“Estou muito feliz. Esse Festival é feito com muito amor, capricho e uma missão rara, a de conhecer mais de perto e conectar o cinema sul-americano. Escolhemos para exibir ontem um filme chamado ‘’Martírio’ , sobre o genocídio do povo Guarani-kaiowá. Estou aqui portando esse xale palestino em solidariedade ao povo palestino. Costumo dizer que a região dos Guarani-kaiowá é a nossa Faixa de Gaza. Lamentavelmente, é um genocidcio que não para há 40 anos e parece que a humanidade ruma à barbárie. Agradeço à todos e vamos em frente.”
Durante nove dias, Bonito transformou-se em um grande cenário do audiovisual sul-americano refletindo sobre integração, conexão, colaboração, pertencimento, tendo o cinema sul-americano como seu principal palco. 150 convidados entre artistas, cineastas, produtores, roteiristas e profissionais do audiovisual estiveram na cidade para participar de diversas ações desenvolvidas pelo Festival. A cerimônia contou com a entrega dos Troféus e prêmios no total de R$ 57.500,00 aos vencedores das 5 mostras competitivas; foram 32 obras concorrendo aos prêmios do júri oficial internacional e ao prêmio de melhor filme pela escolha do voto popular.
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O júri internacional de cinema sul- americano foi composto por Celso Franco, Dandara Ferreira e Gabriela Sandoval. Minom Pinho, Olinda Tupinambá, Vincent Carelli integraram o júri da mostra ambiental. Enquanto o júri sul-mato-grossense foi formado por Daniela Siqueira, Luiz Carlos Lacerda (Bigode) e Solange Bouffay.
Os vencedores foram anunciados por Andrea Freire, coordenadora do Festival; Gustavo Castelo (Cegonha), coordenador do Festival; Lelo Marchi, diretor de cultura de Bonito; Carol Urt, representante do SESC MS e Fecomercio; o prefeito de Bonito Josmail Rodrigues; o diretor da Fundação de Turismo do Mato Grosso do Sul (FUNDTUR-MS), Bruno Wendling; Giselda Diniz, assessora parlamentar do Deputado Federal Vander Loubet; Dandara Ferreira, jurada da Mostra Sul-americana; Ana Luiza Fraga, Diretora do Departamento de Patrocínios da Secretaria de Publicidade e Patrocínios da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e Nilson Rodrigues, diretor do Festival.

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Confira os vencedores do voto popular:
JÚRI POPULAR
Melhor Longa-Metragem Sul-Americano
NAIRA, de Gabriela Quiroz (PERU)

Melhor Curta-Metragem Sul-Americano
A VIDA DE JERÔNIMO DENTRO E FORA DA CASCA, de Andrews Nascimento (BRASIL)
Melhor Longa-Metragem Ambiental
PÁRAMOS II EL ORIGEN, de Alejandro Calderón (COLÔMBIA)
Melhor Curta-Metragem Ambiental
BUEN VIVIR – ÑUTSE CANSEYE, de Zoé Nathalie Kugler (EQUADOR)
Melhor Filme Sul Matogrossense
HIGA KE – OLHO POR OLHO, de Conrado Roel e Debora Bah

Confira os vencedores do júri oficial:
JÚRI OFICIAL SUL-AMERICANO
Melhor Longa-Metragem Sul-Americano
¿QUIEN MATÓ A NARCISO?, de Marcelo Martinessi (PARAGUAI)

Ao receber o prêmio, o ator Diro Romero, protagonista de ¿QUIÉN MATÓ A NARCISO?, celebrou o acolhimento recebido em Bonito e agradeceu pelo espaço aberto a todos os filmes da mostra.
“Realmente levo uma experiência incrível deste festival. Agradeço por este espaço não apenas para Quién mató a Narciso, mas para cada um dos filmes que foram apresentados nesta categoria, pois realmente cada um tem uma potência muito forte”, afirmou o ator paraguaio que também encerrou seu discurso celebrando a democracia dos países da América do Sul:
“Pela liberdade, pela democracia, ditadura nunca mais.”
Melhor Curta-Metragem Sul-Americano
SUKUA, de Omar E. Ospina (COLÔMBIA)
Melhor Longa-Metragem Ambiental
PÁRAMOS II EL ORIGEN, de Alejandro Calderón (COLÔMBIA)
Melhor Curta-Metragem Ambiental
HIPOPÓTAMOS, EL ARCA DE ESCOBAR, de Alejandro Calderón (COLÔMBIA)
Melhor Filme Sul-Mato-Grossense
NATASHA, de: Ana Ostapenko, Willerson Amorim, Thiago Rotta e Rafael Rotta

MENÇÃO HONROSA
Menção Honrosa ao filme sul mato grossense QUATRO LUAS PANTANEIRAS, de Ana Carla Loureiro
Menção Honrosa ao longa sul americano NAIRA, de Gabriela Quiroz (PERU)
*Pela atuação da jovem protagonista e de seu parceiro.
Diretor geral do Bonito CineSur, Nilson Rodrigues agradeceu à equipe de produção, aos patrocinadores e ao poder público de Bonito e reafirmou o papel de integração e união entre os países que o festival tem:
“O festival é um espaço onde a gente pode ver os filmes, pode celebrar, pode trocar ideias, pode criar conexões, mas ele não resolve as coisas. Nós queremos mais coproduções, nós queremos codireção. Para isso, é preciso que as instituições se envolvam. No ano que vem, nós queremos trazer aqui para o festival os ministérios da Cultura desses países e suas organizações para criar programas bilaterais ou multilaterais para que a gente possa se conhecer mais e para que a gente possa ter o direito de se ver nas telas de cinema.”
A 4ª edição do Bonito CineSur foi realizada de 24 de julho a 01 de agosto na cidade de Bonito, Mato Grosso do Sul, e contou com o patrocínio master do Banco do Brasil e da Petrobrás e patrocínio da Caixa Econômica, da EMGEA, do Sesc MS e da Fecomércio MS. O Festival contou com o apoio da Prefeitura de Bonito, da FUNDTUR e do Estado de Mato Grosso do Sul. O evento é uma realização da Associação Amigos do Cinema e da Cultura (AACIC), Lei Rouanet e Ministério da Cultura.
A Ciclo Azul Meio Ambiente e Sustentabilidade foi a empresa responsável pela gestão de resíduos e pela compensação das emissões de carbono geradas durante o festival. A parceria reforça o compromisso do evento com a preservação ambiental e com a adoção de práticas que contribuem para a redução de seus impactos, em sintonia com a vocação ecológica de Bonito e com os valores que orientam o festival.
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