O roteirista David Hine, uma das mentes por trás da aclamada HQ ‘Homem-Aranha Noir’, veio a público desabafar sobre a nova série em live-action do herói. Conforme o ComicBookMovie, o autor revelou sentimentos mistos sobre a adaptação, elogiando o visual, mas criticando a perda do forte teor político da obra original.
De início, Hine se mostrou impressionado com a atmosfera e a estética criada para a produção televisiva:
“Estou impressionado com a consistência do mundo que eles construíram. Na verdade, é mais ‘noir’ do que nossos quadrinhos, embora mantenha muito das suas raízes pulp. A versão em preto e branco é visualmente deslumbrante, e todos os envolvidos parecem estar se divertindo muito e completamente engajados com o projeto”, afirmou.
No entanto, o criador confessou que precisou mudar sua perspectiva para não se frustrar com os rumos da história na TV:
“Vou apreciá-la pelo que ela é. Ela não tira nada da natureza séria e autêntica dos nossos quadrinhos. Se trouxer mais atenção para nossas histórias, isso não pode ser algo ruim. Se eu olhasse para ela como uma adaptação direta dos quadrinhos que fiz com Sapolsky, Di Giandomenico e os demais na Marvel, eu ficaria decepcionado”, acrescentou.
A grande insatisfação de David Hine gira em torno do tom ideológico da série. Nos quadrinhos originais da Marvel, a realidade da Grande Depressão americana dos anos 1930 era retratada de forma crua, sem filtros e com forte teor histórico:
“Nossa versão era explicitamente política. Citávamos nomes. Fazíamos referências aos Amigos da Nova Alemanha e à ascensão do nazismo real nos Estados Unidos. Tudo o que mencionávamos era baseado em fatos históricos, exceto pelos elementos obviamente fantásticos do gênero pulp”, explicou.
Segundo o roteirista, a produção optou por suavizar o posicionamento dos protagonistas para agradar a um público mais amplo:
“Nosso Peter Parker era um comunista radical, assim como Tia May e Tio Ben. A política da série é uma esquerda moderada. A Tia May dos quadrinhos teria sido extremamente crítica. Eu teria ficado muito feliz se eles tivessem adotado uma posição política mais corajosa”, destacou.
Apesar do descontentamento com o roteiro, o autor não poupou elogios ao trabalho técnico e ao elenco da série, destacando os atores Karen Rodriguez, Brendan Gleeson e Li Jun Li. O grande destaque de sua fala foi para a estrela do show, Nicolas Cage, que dá vida ao protagonista Ben Reilly:
“A maneira como ele deixa o lado aracnídeo de seus poderes tomar conta do personagem é excelente”, concluiu.
‘Homem-Aranha: Noir’ está disponível no HBO Max.

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Brendan Gleeson (‘Mr. Mercedes’), Lamorne Morris (‘New Girl’), Abraham Popoola (‘Andor’), Jack Huston (‘As Bruxas Mayfair’), Li Jun Li (‘Babilônia’) e Kai Caster (‘Yellowstone’) também fazem parte do elenco.
Vale lembrar que Cage já havia dublado o personagem titular na franquia animada ‘Homem-Aranha no Aranhaverso‘.
A trama será ambientada nos anos 30, em Nova York, e seguirá um investigador particular que é forçado a confrontar seu passado como o único super-herói da cidade. A produção se passa em um universo paralelo sem a presença de Peter Parker, o Homem-Aranha original.
Anteriormente, Cage havia confirmado que a produção contará com oito episódios: “a 1ª temporada terá oito episódios de quarenta e cinco minutos. Então, é o equivalente a quatro filmes em cinco meses. E eu tenho outro filme para o qual tenho que me preparar, e então um filme logo depois dele.”
Oren Uziel (‘Mortal Kombat’) e Steve Lightfoot (‘O Justiceiro’) serão os showrunners. Harry Bradbeer (Fleabag, Killing Eve) fica responsável pela direção.





