Crítica | Trago Seu Amor – Giovanna Grigio e Diego Martins Estrelam RomCom Bi Para Todos os Públicos

Junho é um mês dividido entre dois grandes eventos, e, em 2026, ficou ainda mais tumultuado. Se por um lado tínhamos o Dia dos Namorados ali às vésperas de Santo Antônio, também temos o mês do orgulho LGBTQIAPN+, com suas paradas celebrativas. Só que esse ano ainda temos a Copa do Mundo misturada com as festas juninas e, no meio disso tudo, os filmes de temáticas diversas sendo lançados no circuito. Visando justamente a pluralidade das relações amorosas – hoje faladas mais abertamente do que ontem – o circuito recebe a partir dessa semana uma comédia romântica que vai além das romcoms comuns: ‘Trago Seu Amor’.

Mia (Giovanna Grigio, de ‘Perdida’) é uma bruxa de sucesso. Ela ganha a vida encantando as pessoas e prometendo trazer o amor delas de volta em três dias. Porém, há um efeito colateral: caso o feitiço não funcione, a pessoa em vez de voltar à sua antiga paixão, acaba se apaixonando por ela. Para administrar tantos clientes e amores, ela conta com a ajuda do seu fiel amigo Ariel (Diego Martins, de ‘Viva a Vida!’). No meio de um serviço ela acaba conhecendo o casal Yuri (João Manoel, ‘Um Ano Inesquecível – Inverno’) e René (Jê Soares, que vem da novela ‘Vai na Fé’), enquanto ela termina com ele. Isso chama a sua atenção, especialmente porque René tem a mesma marca do internato bruxo onde Mia estudou. Só que quando Yuri decide contratar os serviços de Mia para reconquistar René, o coração da bruxinha acaba balançando.

Escrito por Leticia Fudissaku (que também escreveu ‘Rensga Hits!’) o roteiro parte de um anúncio comum em postes da cidade urbana – o anúncio de pessoas que prometem trazer a pessoa amada de volta em até três dias – para construir uma história de romance contemporâneo e bastante inventiva, uma vez que utiliza toques do sobrenatural (afinal, as personagens são bruxas). Partir desse ponto comum da memória coletiva faz com que todo mundo das metrópoles se identifique com a mensagem do filme (afinal, quem nunca viu esse anúncio e se perguntou como seria possível isso acontecer?), o que garante o entendimento do filme.

Para que o feitiço funcione, Mia precisa beijar as pessoas. E, para isso, não pode haver distinção entre homens ou mulheres. Nesse sentido, ‘Trago Seu Amor’ consegue abordar a bissexualidade sem transformar isso em pauta, em discussão no filme; ao contrário, é um fator que faz parte da história e faz a trama andar para frente sem se tornar o centro do enredo.

O deslumbre do filme de Claudia Castro (‘Ela Disse, Ele Disse‘) fica mesmo no design de produção que fez uma combinação luxuosíssima entre o figurino e a direção de arte, misturando cores fortes, luzes quentes e um guarda-roupa para a protagonista digna de seriados da moda, agregando um valor de produção riquíssimo ao projeto.

Giovanna Grigio uma vez mais comprova que é puro carisma e o protagonismo lhe cai bem, fazendo uma ótima combinação com o também sempre destaque Diego Martins, com suas tiradas cômicas sempre no timing certo. A escalação dessa dupla é um acerto. Sem contar as participações especiais de Cauã Reymond e Lorena Comparato, que parecem se divertirem em cena.

Trago Seu Amor’ é uma romcom (comédia romântica) com os percalços clássicos que qualquer fã do gênero consegue identificar, mas com um diálogo mais inclinado aos jovens que querem se ver representados nas telonas em suas múltiplas possibilidades de ser. Por isso, é um filme leve, fofinho, bem água com açúcar e uma pitada de clichê, porém inclusivo pois, afinal, todos nós amamos, independente da identificação do gênero. Uma opção acertada para o fim de semana dos namorados (e namoradas e namorades) nos cinemas.

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Janda Montenegro
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.

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