O ator Benedict Cumberbatch, estrela de ‘Doutor Estranho’, assinou um artigo de opinião em conjunto com os atores Alan Cumming e Benedict Wong. No texto, o trio defende que a aquisição da Warner Bros. Discovery pela Paramount seja bloqueada no Reino Unido.
De acordo com o Deadline, o artigo traz o título “Uma calamidade para a TV e o cinema pode ser desastrosa para o que você assiste e para o que você sabe. Aja agora para impedir isso”.
A publicação pede que a secretária britânica da Cultura, Lisa Nandy, intervenha na fusão avaliada em US$ 111 bilhões para proteger a indústria audiovisual do país.
O posicionamento vem após Nandy declarar ao Parlamento britânico que está “inclinada a intervir”, embora ainda não tenha definido se submeterá o negócio a uma investigação completa de interesse público. A expectativa é que uma decisão oficial seja anunciada após o recesso de verão do Parlamento, em setembro.
No artigo, os atores argumentam: “Lisa Nandy abriu a porta para uma intervenção. Agora ela precisa atravessá-la, pelo bem de todos que trabalham com cinema e televisão no Reino Unido, e de todos que assistem a essas produções. Se ela não agir, perderemos a capacidade de proteger nossa indústria e nossa cultura dessa consolidação. Não podemos deixar o interesse público de lado; precisamos defendê-lo e impedir essa fusão”.
Cumberbatch, Cumming e Wong destacam que a fusão ameaça diretamente “o sustento de milhares de trabalhadores” no Reino Unido. Além disso, demonstraram forte preocupação com a concentração midiática, já que o novo gigante corporativo passaria a controlar a 5 News, a CNN International e a CBS News.
“Um único proprietário controlando uma parcela tão grande das notícias, e da verdade, coloca o público em risco de uma forma que uma consolidação comum não faria”, alertaram.
O trio também mencionou reportagens indicando que o CEO da Paramount, David Ellison, teria prometido ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que faria “mudanças profundas” na linha editorial da CNN caso a transação seja concluída.
“Quando o comprador do canal internacional de notícias mais confiável do mundo faz promessas editoriais a um político, uma secretária de Estado britânica tem o direito, e, na verdade, a obrigação, de fazer perguntas antes que a tinta do contrato seque”, acrescentou.
Para os atores, a postura do governo britânico será decisiva: “Uma eventual intervenção do governo poderá representar uma das decisões mais importantes já tomadas por um secretário da Cultura para o cinema, a televisão e a mídia britânicos em uma geração”.
Paramount e Warner adiam fusão de US$ 111 bilhões após acordo com a Justiça dos EUA
A manifestação do trio ocorre poucos dias após a fusão ser aprovada pelos reguladores da União Europeia. Apesar desse avanço europeu, o processo global foi adiantado para junho de 2027, ou até que sejam resolvidas disputas judiciais movidas por procuradores-gerais de estados norte-americanos e pelo Sindicato dos Roteiristas dos EUA (Writers Guild of America – WGA).
Esse adiamento dá mais folga para a decisão de Lisa Nandy. Inicialmente, o Reino Unido enfrentaria a pressão do prazo final de 30 de setembro. Embora as leis locais permitam que a transação global seja fechada antes do aval britânico, Ellison já declarou que pretende respeitar todo o rito regulatório do país.



