Crítica | ‘Paixão de Escritório’ – Um passatempo que já esqueceremos na próxima semana

Seguindo uma fórmula cheia de previsibilidade e conveniências narrativas para contar a história de amor entre uma chefe e um funcionário, o longa-metragem Paixão de Escritório chegou recentemente à Netflix para adoçar nossos dias. Sem qualquer compromisso com reflexões mais profundas que envolve o maior dos sentimentos, se joga sem medo em um mar de clichês, provocando uma série de cenas românticas, minimizando os obstáculos cotidianos próximos da realidade e focando nas cenas que podem provocar suspiros nos corações apaixonados.

Essa comédia romântica protagonizada por Jennifer Lopez e Brett Goldstein (Ted Lasso) segue a linha de muitos filmes da saudosa sessão da tarde, um marco na televisão brasileira e que ajudou a pulguinha da cinefilia chegar no coração de muitos de nós. Dessa forma despretensiosa, vestindo a camisa dos filmes clichês com orgulho, o projeto dirigido pelo cineasta britânico Ol Parker (de Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo e O Exótico Hotel Marigold) entrega um pouco do mais do mesmo que já vimos inúmeras vezes por aí.

Jackie (Jennifer Lopez) é a CEO da empresa aérea criada pelo pai e que hoje é uma das líderes do mercado de aviação mundial. Sua rotina é dedicada 100% ao trabalho, sem tempo para lidar com sua vida pessoal e ainda sofrendo uma constante pressão do conselho administrativo que deseja sua saída de qualquer forma. Tudo isso muda quando chega na empresa o gentil advogado britânico Daniel (Brett Goldstein), um homem que largou tudo na Inglaterra para resolver uma questão pessoal. Aos poucos, esses dois personagens passam a se conhecer melhor e, burlando uma rígida política da empresa, se entregam ao amor.

A relação familiar ganha alguns suspiros à medida que vamos conhecendo melhor os protagonistas, cada um com sua questão nesse âmbito. Jackie luta para entender sua relação com o pai que, mesmo não comandando mais a empresa, parece dominar as ações dela à frente da mesma. Já Daniel tem uma irmã que está em uma prisão norte-americana e luta diariamente para encontrar uma maneira de tirá-la dessa situação. É uma pena que ambas as questões passam quase batidas, já que o foco principal é a relação amorosa entre os dois.

Convencional até seu último respiro, repleto de nuances idealizadas e excesso de sentimentalismo, a obra prioriza o lado bom do amor, se escondendo de qualquer camada mais profunda ligada aos conflitos que todo relacionamento possui. Isso é obviamente intencional: quase nada nesse filme encosta nos desafios que uma relação provoca. Uma das poucas exceções é um fio condutor sobre a política da empresa que proíbe relacionamentos entre funcionários – assunto que circula a trama mas ganha menos atenção ao ser trazida por um viés cômico, quase escrachado.

Se você está buscando um filme que provoque muitas reflexões a partir dos temas que podem ser trazidos por uma obra cinematográfica, bem capaz de você se decepcionar bastante assistindo a este longa-metragem. Mas, se você procura algo leve, repleto de resposta rápidas ou mesmo um passatempo que já esqueceremos na próxima semana, esse pode ser um bom programa para um fim de semana.

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Raphael Camacho Crítico de Cinema
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.

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