Uma Noite no Museu | Os 20 anos de um dos filmes mais DIVERTIDOS dos anos 2000

Os anos 2000 foram marcados por uma série de produções focadas em aventuras fantásticas que, por mais que não tenham caído sempre no gosto da crítica especializada, conquistaram os fãs ao redor do mundo. Apenas a encargo de exemplificação, temos a fantasia musical ‘Uma Garota Encantada’, estrelada pela vencedora do Oscar Anne Hathaway em um dos primeiros papéis da sua carreira; a adaptação do clássico ‘Stardust: O Mistério da Estrela’, estrelada por Claire Danes e Charlie Cox; e a divertida comédia dramática ‘Click’, que se tornou um dos emblemas da filmografia de Adam Sandler.

Em meio a tantos lançamentos, um dos que mais ganhou popularidade foi a comédia de aventura fantástica Uma Noite no Museu, que encontrou sucesso imediato de bilheteria ao arrecadar mais de US$570 milhões nas bilheterias globais, apesar da recepção mista. O longa-metragem dirigido por Shawn Levy, que viria a se tornar um dos pináculos do gênero no cinema contemporâneo, não apenas deu início a uma franquia multimidiática que até mesmo contou com um spin-off animado, como foi responsável por aumentar o número de visitas ao Museu de História Natural de Nova York ao nos apresentar a uma história diferente de tudo que já tínhamos visto.

A trama é centrada em Larry Dale (Ben Stiller), um aspirante a inventor fracassado que pula de emprego a emprego à medida que tenta se tornar um bom exemplo para o filho, Nick (Jake Cherry). Percebendo que essa instabilidade continua a magoar o jovem rapaz, ele consegue uma vaga como segurança noturno em um dos principais museus da cidade de Nova York. Porém, Larry percebe que o trabalho se torna muito mais complicado do que imaginava quando descobre que, à noite, todas as peças em exibição no local ganham vida – levando-o em uma corrida contra o tempo para manter tudo sob controle e impedir que algo trágico aconteça.

Levy se tornaria ainda mais conhecido no cenário do entretenimento por seu trabalho em elogiadas produções como ‘O Projeto Adam’, ‘Free Guy: Assumindo o Controle’ e até mesmo o subestimado ‘Gigantes de Aço’, mas foi Uma Noite no Museu que o colocou em contato com histórias nem um pouco presunçosas e cujo único objetivo é nos divertir com o coração no lugar certo. Ao apoiar-se na contundente presença de Stiller como o falho e honesto protagonista, o cineasta abre espaço para uma série de aventuras que entrega exatamente o que esperamos através de inspiradora narrativa sobre família e amizade.

Stiller não está sozinho nesta empreitada e divide as cenas com talentos inestimáveis: temos, por exemplo, a bem-vinda presença do saudoso Robin Williams como a estátua de cera de Theodore Roosevelt, 26º presidente dos Estados Unidos que emerge como mentor e conselheiro de Larry; Dick Van Dyke em uma ótima performance como o veterano segurança noturno Cecil Fredericks, que logo revela ser o principal antagonista do filme com uma ambição desesperada para conseguir a placa mágica que dá vida às peças do museu; Owen Wilson e Steve Coogan como a dupla formada por Jedediah e Octavius, duas miniaturas que, apesar das rixas, unem forças para enfrentar Cecil e seus asseclas; e Carla Gugino como a descrente e factual docente do museu Rebecca Hutman.

Se pararmos para pensar, o filme é estruturado dentro de vários convencionalismos de histórias de fantasia, encontrando considerável sucesso naquilo que se propõe a nos entregar por não se levar a sério e em momento algum desejar “dar um passo maior que a própria perna”. A ideia de Levy é arquitetar uma história que seja destinada para reunir as pessoas na frente das telas, sejam amigos ou família, e celebrar o que pode ser alcançado quando nos unimos por uma causa digna. É claro que nem todas as investidas funcionam, como certos diálogos falhos assinados pelos roteiristas Robert Ben Garant e Thomas Lennon e alguns deslizes rítmicos que ganham espaço no terceiro ato – mas o resultado ainda é aprazível dentro dos limites que se autoimpõe.

Uma Noite no Museu traz um sentimento alegre de nostalgia à medida que caminha para seu aniversário de vinte anos – e, quando paramos para relembrá-lo, não podemos deixar de sorrir com a honesta narrativa que nos apresenta e com as mensagens de bonança que exalta.

Lembrando que o filme está disponível no catálogo do Disney+.

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Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.