Não sei se vocês já perceberam, mas sempre estamos pensamos no tema da emigração. Esse termo, que se confunde com imigração por muitas pessoas, nos leva até histórias de brasileiros indo morar fora do nosso país. Mas, um outro movimento também acontece frequentemente: o de estrangeiros vindo tentar a vida no Brasil. Os imigrantes. Esse é o tema de um filme exibido na quinta noite de Mostra Competitiva de Curtas-Metragens do Festival Cinemato 2026.
Trazendo algumas dessas histórias, mais precisamente no sul do nosso país, o curta-metragem Canção Imigrante passeia pelos ritmos, do violoncelo ao Djembé, buscando um retrato sobre identidades que se abraçam a saudade pelas perspectivas de três artistas musicais – duas venezuelanas e um marfinês – que se encontraram no Rio Grande do Sul.
Avançando por uma narrativa que se joga na poesia das canções para refletir sobre a imigração, o projeto dirigido por Cleverton Borges e Pedro Guindani instiga o público a querer saber mais sobre essas histórias. A questão é que tudo permanece muito na superfície, principalmente as histórias individuais de cada um deles, deixando o elo entre o novo som que criam em conjunto e os caminhos de abraçar o país que escolheram para viver careça de um recheio mais envolvente.
Assim, o poder da música acaba assumindo o protagonismo dessa história. Uma ação criativa que costura a narrativa, mesmo ela já se apresentando pronta, deixando poucos espaços para as reflexões surgirem em camadas de maior profundidade. Ao longo dos 17 minutos de projeção, que se encerra com uma belíssima apresentação, percorremos três histórias isoladas que buscam as interseções através da beleza de uma nova sonoridade – uma representação do se encontrar no novo.


