A aguardada fusão entre a Paramount, a Skydance Media e a Warner Bros. Discovery recebeu sinal verde do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) no Brasil. A Superintendência-Geral do órgão aprovou a operação sem impor qualquer restrição, concluindo que a transação não representa riscos à livre concorrência no mercado brasileiro.
Com a decisão publicada na última terça-feira (8), o negócio poderá ser oficialmente concluído após o prazo legal de 15 dias, desde que não haja recursos ou manifestação do Tribunal do CADE. Dessa forma, a fusão poderá ser efetivada no Brasil a partir de 22 de julho.
A aprovação brasileira representa mais um passo importante para a concretização da operação, considerada uma das maiores movimentações recentes da indústria do entretenimento. A união promete fortalecer o catálogo de filmes, séries e franquias das empresas, reunindo marcas de peso como Missão: Impossível, Star Trek, Transformers, DC Studios, Harry Potter e Game of Thrones sob um mesmo conglomerado.
Embora a operação ainda dependa de aprovações e trâmites em outros mercados, a decisão do CADE indica que, ao menos no Brasil, as autoridades antitruste não enxergam impactos negativos para consumidores ou para a competitividade do setor audiovisual.
Vale lembrar que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) aprovou oficialmente o negócio. O acordo está avaliado em US$ 110 bilhões e, segundo fontes de bastidores, a Paramount não precisou fazer concessões significativas para obter o sinal verde das autoridades federais.
Em um comunicado oficial, um porta-voz da Paramount celebrou a decisão: “Somos gratos pela análise criteriosa realizada pelo Departamento de Justiça, bem como pelo trabalho das demais agências reguladoras que concluíram suas avaliações e concederam aprovação até o momento. Esta é uma operação pró-competitiva, que resultará em uma empresa mais forte e melhor posicionada para competir com as grandes plataformas de tecnologia em um setor cada vez mais disputado por audiência, talentos, tecnologia e investimentos”.
A empresa ainda destacou que segue totalmente focada em concluir a transação o mais rápido possível para entregar os benefícios do acordo aos consumidores, criadores de conteúdo e à indústria do entretenimento.
Apesar da aprovação federal, o caminho para a fusão ainda não está totalmente livre de obstáculos. Procuradores-gerais da Califórnia, de Nova York e de outros estados norte-americanos avaliam a possibilidade de abrir uma ação antitruste para tentar barrar a união, que criaria um dos maiores conglomerados de mídia do mundo.
O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, reforçou que o negócio não está concluído e continua sob investigação estadual.
“A fusão da Warner Bros com a Paramount ainda não está fechada e continua sob investigação pelo meu escritório”, escreveu nas redes sociais.
The merger of Warner Bros and Paramount is not a done deal and remains under investigation by my office.
— Rob Bonta (@AGRobBonta) June 12, 2026
Ainda assim, o CEO da Paramount, David Ellison, e sua equipe mantêm a meta de finalizar a aquisição até 30 de setembro. Caso o prazo não seja cumprido, a companhia se comprometeu a pagar aos acionistas uma taxa compensatória diária de vários milhões de dólares.
Enquanto isso, no cenário internacional, reguladores do Reino Unido e da União Europeia iniciaram análises mais aprofundadas sobre os impactos concorrenciais, e a autoridade britânica de concorrência abriu uma investigação formal que pode se estender por até cinco meses.
A bilionária transação, que começou a ganhar os holofotes em fevereiro, quando a Paramount venceu uma disputa acirrada contra a Netflix para comprar a Warner, também vem enfrentando forte resistência política. A senadora norte-americana Elizabeth Warren criticou duramente a aprovação do órgão federal:
“Esta é uma péssima notícia para todos os americanos que não querem que bilionários alinhados a Trump controlem o que assistem e quanto pagam por isso. A fusão entre Paramount e Warner Bros. está cercada por suspeitas de favorecimento e tráfico de influência. Esta batalha ainda não acabou”, afimrou.
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