O astro Mark Ruffalo manifestou-se contra a iminente conclusão da aquisição da Warner Bros. Discovery (WBD) pela Paramount Skydance. Em audiência realizada por videoconferência, o ator detonou a transação, classificando-a como um retrocesso para a indústria e para a sociedade civil.
Conforme relatado pela Variety, Ruffalo não poupou palavras ao descrever o impacto da concentração de mercado nas mãos de poucos conglomerados: “Não precisamos assistir a Citizen Kane ou ler 1984 para entender que o controle oligárquico concentrado que essa fusão representa é uma ameaça à imprensa livre, a uma população bem informada e à própria democracia”.
O ator também rebateu as promessas de David Ellison, CEO da Paramount Skydance, que garantiu a produção de 30 filmes anuais e novas oportunidades para artistas.
Para Ruffalo, tais declarações são ilusórias: “Não confiem em promessas vazias de bilionários movidos pela ganância e por ideologias corrosivas. Não confiem que essa nova empresa fará mais filmes com menos dinheiro e muito mais dívida”.
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Ruffalo destacou que o acordo de US$ 111 bilhões surge em um momento crítico para os trabalhadores do setor. Ele relembrou que a união anterior entre Paramount e Skydance, em 2025, resultou em 2 mil demissões, e alertou que “dezenas de milhares” de outros profissionais podem perder seus postos agora.
“O padrão é claro: anúncios de fusão, promessas de eficiência e depois demissões em massa e cortes de produção. Posso dizer pessoalmente que Los Angeles está por um fio neste momento”, destacou.
Um dos pontos de maior indignação do ator foi a compensação prevista para o CEO da WBD, David Zaslav, que poderá receber pelo menos US$ 550 milhões com o fechamento do negócio, valor que Ruffalo rotulou como “obsceno”.
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A fusão também levanta alarmes sobre a independência da CNN. Ruffalo citou declarações do Secretário de Defesa, Pete Hegseth, sugerindo uma mudança rápida no controle da emissora, embora Ellison garanta a manutenção da autonomia editorial.
O acordo foi costurado após a Netflix retirar-se da disputa, mas ainda enfrenta obstáculos. Procuradores-gerais, liderados pela Califórnia, estudam barrar a operação na Justiça por preocupações antitruste. Se aprovada, a nova gigante controlará marcas como HBO, Warner Bros., DC, Nickelodeon, Paramount Pictures, CBS e diversos serviços de streaming.
Mark Ruffalo faz parte de um grupo de mais de 3 mil profissionais de Hollywood que assinaram uma carta aberta contra o negócio. A audiência na qual participou foi convocada pelo senador democrata Cory Booker, que lamentou a ausência de parlamentares republicanos na sessão dedicada a discutir política de concorrência e direitos do consumidor.



