O True Crime segue sendo o foco de muitas produções, não só lá fora, mas também aqui no Brasil. Geralmente revistando detalhes de famosos acontecimentos trágicos que estamparam as capas dos jornais de determinado país, esse gênero narrativo – podemos definir dessa forma – costuma apresentar novos olhares para essas ações inconsequentes que se tornaram midiáticas, através da não ficção e também da dramatização desses crimes reais (ficção).
Mais de uma década atrás, Elize Matsunaga executou o marido, Marcos Matsunaga, com um tiro letal e, depois, o esquartejou. Um crime aterrorizante que choca só de voltarmos a pensar. Mas o que essa história esconde por trás dessa ação? Para tentar responder a essa pergunta, chegou à Netflix o longa-metragem Elize: Sombras de uma Mulher, produção brasileira dirigida por Fellipe Vellas, com roteiro assinado por Raphael Montes e Mariana Torres.

Ao longo de uma linha temporal que se estende do antes, até o dia do crime, diluída ao público em uma divisão de quatro atos, conhecemos Elize (Lorena Comparato) no início do seu relacionamento com Marcos (Henrique Kimura). Na época, ela trabalhava como prostituta, enquanto ele era casado, já diretor executivo da Yoki e um dos homens mais ricos do Brasil. Após a aproximação, eles casam e se mudam para um luxuoso apartamento. Ao longo do tempo, a relação conturbada ganha um forte clima de tensão, principalmente depois que Elize descobre as contínuas traições do marido, culminando em um ato estarrecedor lembrado até hoje.

Inspirado em fatos reais, o projeto guia o público sob uma única perspectiva (a de Elize), buscando construir uma narrativa que expõe os elos da corrente trágica de um casamento conflituoso até o crime que chocou o Brasil. O alicerce da trama percorre o lado psicológico, os conflitos com parte da sua família, detalhes da relação abusiva, o passado de Elize na prostituição, seguindo por momentos de intimidade entre quatro paredes.

Importante mencionar que não há romantização da história. A narrativa se distancia de qualquer sentido nessa linha, que transformaria o crime em espetáculo. Ao explorar o psicológico, o filme se apresenta com um retrato que não deixa de mencionar as dores, sem esquecer as consequências de um assassinato cometido com requintes de crueldade, que rapidamente se tornou foco da mídia sedenta por explorar todos os detalhes que cercavam essa história.

Do ‘conto de fadas’ que aborda a mudança repentina na vida de Elize, passando pelas evidentes fragilidades de um casamento e pelas ilusões diante da realidade, chegando até o abismo dos atos inconsequentes que marcaram para sempre trajetórias, Elize: Sombras de uma Mulher chegou à Netflix nesta semana e deve ser um dos títulos mais assistidos nos próximos dias.


