A edição do Bonito CineSur 2026 vem se consolidando com contundentes recortes de realidades espalhadas pelo nosso continente. Com uma curadoria afiada, apresentando curtas e longas dos mais diversos cantos sul-americanos, vamos vendo através da telona relatos profundos que transitam pela dor, as dúvidas, nos levando a caminhos para um mosaico de reflexões sociais.

No terceiro dia de exibições, um ponto de interseção importante fisgado pelo nosso olhar foram assuntos que giraram em torno da resistência cultural e a busca por identidade. Nesse contexto, Vípuxovuko – Aldeia, de Dannon Lacerda; Sukua, trabalho de Omar E. Ospina e o fabuloso Hijo Mayor, escrito e dirigido pela cineasta argentina Cecilia Kang, foram os grandes destaques.

Trazendo as reflexões sobre formas de organizações comunitárias, resistência cultural e gritos de identidade em uma aldeia urbana indígena no Mato Grosso do Sul, o curta-metragem Vípuxovuko – Aldeia parte para a ficção com muitas bases na realidade. O projeto surgiu de uma conversa do diretor filme, Dannon Lacerda, com a porteira do seu prédio, cujo sobrinho viria a se tornar inspiração para a obra.
O filme, exibido também no Festival Aruanda 2025, avança nas suas críticas sociais, muito bem articuladas a partir de um protagonista de raízes indígenas, que escapa de generalizações. Ele trabalha como entregador e também exerce a função de líder de sua comunidade, reivindicando direitos e protegendo seu povo das ações desenfreadas dos mecanismos do Estado.

Já Sukua, trabalho de Omar E. Ospina coloca em destaque o medo e a desesperança de territórios invadidos pelo uso da força, uma realidade que transforma vidas e muda trajetórias. A violência no continente sul-americano é o assunto principal desse curta-metragem que mistura o sensorial e impulsiona as mensagens, com as dúvidas de uma criança e os fortes desabafos de um pai em plena aflição diante de um passado recente, em uma ficção interpretada por atores que sofreram a mesma violência.
Um outro destaque da noite – e até agora o filme mais impactante do Bonito CineSur 2026 –Hijo Mayor não é nada fácil. Em um ping pong de reflexões sobre identidade de uma jovem e os sonhos e decepções de um imigrante que busca se fixar na América do Sul, somos convidados a embarcar em um interessante trem geracional melancólico. Uma jornada pelo legado de integrantes de uma mesma família que nos leva a dialogar sobre os propósitos que surgem através das escolhas que tomamos.
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