Rock In Rio | Roberto Verta, curador do Palco Supernova, explica os desafios de escolher as atrações do palco mais interessante do festival

O Rock In Rio 2026 começa em algumas horas, marcando o início de uma das maiores edições do mais popular festival de música do Brasil. E uma das atrações mais interessantes do RIR é o Palco Supernova, que estará presente nos sete dias do evento, com uma programação especial voltada para as bandas e artistas em ascensão no cenário da música nacional.

Ao longo dos sete dias do Rock In Rio, o Palco Supernova terá 28 atrações, com gêneros que passam pelo Rap, Trap, R&B, Pop, MPB e Rock n’ Roll. A convite da Sony Music, o CinePOP conversou com o músico, produtor e curador do Supernova, Roberto Verta, para entender como é a preparação e como é feita a escolha dos artistas que abrilhantarão o festival.

Natural da Baixada Santista, Verta foi uma dos precursores do synth-pop no Brasil com a banda Harry, mas também se destaca muito por seu trabalho nos bastidores. Tendo passado pela produtora T4F, além de gravadoras históricas, como BMG, RCA, Universal e Sony Music, Roberto Verta trabalhou com colossos da música, como Madonna, Oasis, Nirvana, Guns N’ Roses e muitas outras, que fizeram dele um dos maiores produtores do país.

Desde 2019, quando o Rock In Rio veio com o conceito do Supernova, que é um palco voltado para músicos em ascensão, Verta trabalha como curador dessa atração mais do que especial, que acaba impulsionando as carreiras de diversos grupos que se apresentam no palco e conquistam diferentes públicos.

– Em 2019, eu estava cuidando da parte de shows da Sony, quando o Rock In Rio, que já tinha feito algumas ativações com a Sony, veio com essa ideia de criar um palco mais puxado para o alternativo, de novos nomes ou projetos especiais. Só que eles tinham uma condição: não podia ter um line-up só com artistas da Sony. Podia ter artistas da Sony, mas não podia ser só da gravadora. A Sony gostou da ideia, e nós entramos na parceria já na primeira edição, em 2019. Eu sou curador, mas a verdade é que tudo ali é feito por um trabalho a quatro mãos. É um palco patrocinado pela Sony, é uma ativação do canal Filtr, que é o canal da Sony Music no YouTube, e da marca de Playlist Filtr. Eu saí da Sony em do A&R da Sony (departamento de scout de novos talentos da música) em novembro do ano passado, mas em função de eu estar com esse projeto desde o início, a Sony me contratou para fazer o Supernova esse ano também. E tô muito feliz lá, dando a chance para os artistas terem essa experiência Rock In Rio, né? – explicou Verta.

Diogo Defante deu uma pausa na carreira musical para investir na comédia, mas volta para a música quando surge oportunidade. Divulgação.

Na programação deste ano, uma curiosidade chama atenção: a presença de muitos artistas que se popularizaram em esquetes de comédia na internet, como Lvcas (que ficou conhecido como Lucas Inutilismo), Diogo Defante, e ZeRO (do canal Balela), mas que também mantiveram trabalhos no mundo da música paralelamente a sua trajetória no humor. Para Verta, esses nomes inesperados trazem um “frescor” para festival, além de ajudar os projetos musicais desses artistas.

– Por exemplo, o Diogo Defante e o Lucas têm carreiras musicais antes de serem figuras do YouTube. A empresária do Diogo estava comentando comigo que esse convite foi muito bom, porque ele já estava querendo voltar para música. E se você analisar esses artistas, eles são bons músicos. Quando você lida com um ambiente como o do Rock In Rio, que tem milhares de outras atrações, né? Algo em torno de 300 atrações… Cara, é bom você ter gente que traga um frescor na sua música, e que seja conhecida, né? Porque, em função desse ambiente com outros shows, outros palcos e tal, o desafio é conseguir dar chance para o o músico ter a experiência Rock In Rio, mas também para o público conhecer o trabalho musical, por exemplo, do Lucas ou do Diogo Defante. O Lucas, por exemplo, nesse dia do Bring Me The Horizon, caiu como uma luva. Ele tem essa mistura com eletrônico e tal, que é super a ver, né? Na verdade, ele é mais conhecido como Lucas Inutilismo de como Lvcas, o músico. Mas eu tive a certeza de que o ‘Lucas músico’ é uma coisa de verdade – comentou o curador.

Cantor e multi-instrumentista, Lvcas, do Inutilismo, promete levar o metal, com seu estilo diferenciado, para o Palco Supernova. Divulgação.

Para chegar ao line-up final do Palco Supernova, Roberto teve de deixar muita gente boa de fora. Segundo ele, foram estudados cerca de 200 artistas para compor a programação dos sete dias de evento. E isso é um grande desafio. Para Verta, essa seleção tem muita influência de um “algoritmo pessoal” único: seu coração.

– Hoje, o grande desafio de qualquer músico é ter uma carreira autossustentável, porque o que que acontece?
Antigamente era bem mais fácil você ser lançado, porque a parte mais difícil era conseguir gravar. Os estúdios eram caríssimos, os instrumentos eram caros, e você dependia de uma gravadora que apostasse em você, mas se você conseguisse essa gravadora, você teria algum grau de sucesso. Hoje em dia é justamente o contrário. Porque é muito mais fácil para você gravar. Está muito barato você conseguir gravar e lançar, por isso você tem essa quantidade brutal de música nova surgindo o tempo inteiro. E é realmente difícil, né? Eu comecei a fazer essa curadoria em outubro do ano passado, e cheguei a uma primeira lista com uns 180, 200 nomes. E aí você vai filtrando através de conceitos, né? Eu acho que, antes de mais nada, eu acredito muito no meu algoritmo pessoal, que tá aqui, ó [disse enquanto apontava para o coração]. Eu acho que, antes de mais nada, a música tem que ser legal, o artista tem que ser legal. E aí, o artista tem que ter um grau de de conexão com algum público. Não digo que a gente não abra algumas exceções, porque tem alguns artistas que a gente acha tão legais, que acha que vale a pena expor aquele músico à plateia do Rock In Rio.– explicou.

Roberto Verta conversou com o CinePOP sobre a curadoria do Palco Supernova. Divulgação.

Ele também valorizou o palco como um impulsionador de carreiras, que vai gerar uma mídia espontânea capaz de mudar carreiras.

– Uma das coisas mais legais do Supernova é realmente você dar essa chance do artista em desenvolvimento, ou um artista já estabelecido, que ainda não teve uma experiência Rock In Rio, ter essa vivência, que consiste num público bacana, que gera uma media espontânea fantástica. Porque, veja só, eu estou falando com você agora, essa matéria vai sair no seu veículo e vai chegar a diferentes públicos. E o Rock In Rio geralmente tem uma mídia espontânea  que é fantástica, né? Então, eu acho que a grande onda para mim, enquanto curador, é realmente viabilizar essa oportunidade para esses artistas – compartilhou Verta.

Por fim, o curador falou sobre a importância do Rock In Rio para o Brasil. Roberto, que esteve presente na edição original de 1985 como fã, acompanhou de perto o crescimento do mercado de shows musicais no país e, para ele, isso só foi possível por conta da histórica edição dos anos 80, que mandou uma mensagem para as bandas internacionais de que o Brasil era um país apto a receber grandes bandas internacional.

– Eu acho que o Rock In Rio foi muito importante na profissionalização do show business brasileiro, né? Foi incrível o que o Roberto Medina fez em 1985, porque era tudo mato, né? Você tinha, lá nos anos 70, o Alice Cooper, que veio para São Paulo no auge, depois teve o Kiss, mas foi uma exceção. E me parece que sempre deu problema de confisco de aparelhagem, porque eu acho que a Receita Federal não entendia bem o que aquele tanto de gringo queria fazer aqui com aquele monte de aparelhos estrangeiros. Era muita dor de cabeça. Então, acho que a grande coisa do Rock In Rio foi ter feito o show business brasileiro evoluir do jeito que evoluiu, né? Hoje em dia você tem grandes empresas de som, grandes empresas de luz, de montagem de palco, grandes profissionais. Eu já trabalhei com profissionais que são produtores no Brasil, mas que viajam com bandas estrangeiros. Eu tive um produtor na T4F que eu só podia trabalhar com ele de vez em quando, porque o resto do tempo ele ele viajava com o Iron Maiden. E não era um único caso. Muitos grandes produtores brasileiros foram pinçados pelas bandas estrangeiras – disse.

– Além do que gerou de interesse da grande mídia no Rock, no Pop… Na música. Porque o Rock In Rio sempre foi plural, né? É, às vezes, falam: “Ah, ele não é tão ‘rock’ assim”. Mas os grandes festival, quase todos eles têm essa pluralidade, né? E a coisa histórica do Rock In Rio foi mostrar que rock and roll, naquele momento, já era um big business no mundo inteiro, né? E na América Latina faltava esse olhar mais abrangente de que não é só a música local que é bom. Mas ainda assim, [com esse crescimento e organização] logo em seguida também veio aquela geração de bandas brasileiras fantásticas,  que conseguiu um bom nível de crossover com o público Pop, e eu acho que isso tudo foi um belo momento do show business brasileiro – concluiu Verta.

O Rock In Rio 2026 começa nesta sexta-feira (4) no Parque Olímpico da Barra, no Rio de Janeiro. O festival acontecerá nos dias 4, 5, 6, 7 e 11, 12 e 13 de setembro. Ainda há ingressos disponíveis para os dias 4, 5, 11 e 13 no site oficial do evento.

 

Notícias

‘X-Men’: Dois mutantes POPULARES devem ficar de fora do reboot

De acordo com o insider Caleb Williams, dois mutantes...

Novo álbum de Miley Cyrus contará com DEZ faixas inéditas; Confira!

A vencedora do Grammy Miley Cyrus está pronta para embarcar...

Beyoncé lança versão comemorativa de ‘B’Day’ com Maluma e Selena Quintanilla

A lendária Beyoncé comemora seu aniversário nesta sexta-feira (4)...
Pedro Sobreiro
Pedro Sobreirohttps://cinepop.com.br/
Jornalista apaixonado por entretenimento, com passagens por sites, revistas e emissoras como repórter, crítico e produtor.