Agatha Christie | Conheça as únicas QUATRO obras da Dama do Crime que nunca ganharam adaptações

Agatha Christie é um nome que praticamente o mundo todo conhece.

Conhecida como a Dama do Crime, Christie tornou-se uma célebre romancista que eternizou incontáveis histórias de mistério e de suspense – que são lidas e relidas até os dias de hoje. Afinal, a autora é responsável por clássicos da literatura como ‘Assassinato no Expresso do Oriente’, ‘Morte no Nilo’, ‘… E Não Sobrou Nenhum’ e tantos outros romances que marcaram época e que a colocaram no mesmo patamar de nomes como Edgar Allan Poe e Sir Arthur Conan Doyle.

Imortalizando prestigiados detetives da ficção, como Miss Marple e Hercule Poirot, Christie foi levada dezenas de vezes para as telonas e para as telinhas, com adaptações de seus maiores sucessos. Kenneth Branagh, por exemplo, comandou três longas-metragens da Saga Hercule Poirot nestas últimas duas décadas, enquanto títulos como ‘A Casa Torta’, ‘Os Crimes ABC’ e ‘O Mistério dos Sete Relógios’ foram relidos para o streaming e o cinema.

É engraçado tentar imaginar que alguma obra de Christie nunca tenha sido adaptada, considerando a popularidade da escritora. Todavia, apenas quatro de seus romances nunca ganharam versões audiovisuais – e, agora, convidamos você a conhecer essas obras.

E NO FINAL A MORTE (1944)

‘E No Final a Morte’ destaca-se entre as várias obras de Christie por ser a única não ambientada no século XX e sem contar com quaisquer personagens europeus. Ambientada dois mil anos antes da era comum em Tebas, a trama foi construída após o apreço que a autora criou pelo trabalho de Sir Max Mallowan, seu marido arqueólogo, no Oriente Médio.

Na trama, a jovem viúva Renisenb volta para a casa de seu pai, o sacerdote funerário Imhotep, para encontrar tudo aparentemente do jeito que deixou antes de se casar. O frágil equilíbrio familiar é quebrado quando o patriarca retorna de uma de suas viagens trazendo para casa a jovem Nofret para ser sua concubina: uma presença que desperta os piores sentimentos nos habitantes da casa.

UM DESTINO IGNORADO (1954)

Após ser publicado em 1954, o romance ‘Um Destino Ignorado’ chamou a atenção da crítica por se mostrar como um trabalho mais despojado da Dama do Crime. A trama nos leva para Paris e acompanha o desaparecimento misterioso do cientista nuclear Thomas Betterton durante uma conferência. Ele é apenas um entre vários acadêmicos de elite que sumiram sem deixar rastros, causando inquietação entre as autoridades de diversos países. Cabe ao Serviço Secreto de Inteligência Britânico investigar o paradeiro dos pesquisadores, bem como descobrir quem os está sequestrando e por quê. A chave para este mistério parece estar nas mãos de uma mulher enigmática, que se encontra à beira da morte.

Considerando que a obra se afastou dos mistérios construídos por Christie ao longo de sua carreira e apostou fichas em um thriller de espionagem, as expectativas para a condução narrativa eram altas – e, à época, alguns críticos comentaram sobre certas resoluções impalpáveis e ocasionais demais para serem levadas a sério, algo que, dentro do mundo dos espiões no cinema e na televisão, é algo complicado.

PASSAGEIRO PARA FANKFURT (1970)

‘Passageiro para Frankfurt’ novamente traz Agatha Christie mergulhando no mundo da espionagem. O livro foi publicado em 1970 para coincidir com o aniversário de oitenta anos da romancista e com o octogésimo lançamento literário de sua genial mente. Porém, os críticos comentaram sobre a falta de coesão narrativa – algo que impedia que as páginas fossem levadas às telonas.

A trama acompanha Sir Stafford Nye, um diplomata de meia-idade que adentra o mundo da espionagem, dos agentes duplos e dos grupos secretos para provocar mudanças nos centros de poder internacionais. Nesse meio-tempo, ele conhece uma mulher que o escolheu para ajudá-la em um momento crucial, quando um atraso devido ao mau tempo altera o local de pouso do voo que os dois seguiriam para a Inglaterra. O romance, inclusive, conta com vários comentários da própria autora sobre as profundas mudanças pelas quais o mundo passava no final da década de 1960, em especial da mentalidade dos jovens universitários da Europa, dos Estados Unidos e da América do Sul.

PORTAL DO DESTINO (1973)

Em ‘Portal do Destino’, Christie nos convida a conhecer Tommy e Tuppence Beresfords, que, beirando os setenta anos, se mudam para uma pacata vila inglesa, ansiosos por uma aposentadoria tranquila. Mas, como logo descobrem, a antiga e espaçosa casa guarda segredos. Quem é Mary Jordan? E por que alguém deixou uma mensagem codificada em um livro antigo sobre sua morte “não natural”?

Publicado em 1973, o romance marcou a última publicação da autora antes de seu falecimento e, ainda que contando com uma premissa muito interessante, também não teve a recepção esperada. À época do lançamento, por mais que alguns críticos tenham tecido elogios em meio ao claro envelhecimento da autora, a recepção foi majoritariamente negativa – algo que explica o motivo da obra nunca ter sido adaptada.

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Thiago Nolla
Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.