A Agência Nacional de Cinema (Ancine) se reuniu na tarde de ontem (10/11) no Rio de Janeiro para decidir sobre uma lei que regulamenta o limite de estreia de blockbusters em salas de cinema do Brasil.

A discussão começou com a estreia de ‘Jogos Vorazes: A Esperança — Parte 1‘ em 1.300 salas de cinema no país, 46% do total de complexos cinematográficos.

Em entrevista à Folha de São Paulo, Manoel Rangel, presidente da Ancine, revelou trata-se de uma ocupação “predatória” que destrói a concorrência e é desleal com filmes independentes e de orçamento menor.

“Não somos contra os grandes lançamentos, mas contra os lançamentos predatórios, que são os que ocupam muitas telas em poucos complexos. Esses grandes lançamentos têm uma importância para movimentar o mercado, mas o que não pode ocorrer é um lançamento predatório. Quando um filme é lançado em mais de 1.300 salas, como ‘Jogos Vorazes’ele está expulsando outros, homogeneizando a oferta e acabando com a diversidade. O espectador que encontrar apenas um título em quase 50% das salas desiste. É menos ingresso sendo vendido e redução o hábito do cinema.”, afirmou.

A Ancine planeja limitar a estreia de grandes filmes a uma porcentagem menor de salas de cinema, para aumentar a concorrência, como acontece nos cinemas na França.

A ação também ajudará as produções nacionais. Em 2013, 120 estreias de filmes brasileiros renderam 26 milhões de ingressos vendidos, um novo recorde. Foi o maior número de ingressos vendidos desde a Retomada, que começou em 1995 com ‘Carlota Joaquina – A Princesa do Brasil‘, de Carla Camurati.

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Com o sucesso, Rangel e a ministra da Cultura, Marta Suplicy, anunciaram a criação de novas linhas de investimento do Fundo Setorial do Audiovisual – FSA.

A operação, que contará com recursos da ordem de R$ 400 milhões, é uma ação sem precedentes na política pública para o setor audiovisual brasileiro. O montante disponibilizado equivale à soma dos valores oferecidos nas quatro convocatórias anteriores do fundo voltadas para a produção e comercialização de filmes e séries para a TV.

“Com esta medida daremos visibilidade e maior destaque à importância estratégica que este segmento da produção audiovisual brasileira sempre teve para o Fundo Setorial do Audiovisual e para a cinematografia brasileira”, afirmou Manoel Rangel.

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