Hollywood é a maneira genérica que a mídia encontrou para taxar o cinema feito nos Estados Unidos. Obviamente existem outros polos cinematográficos no país e nem todos os filmes se tratam de Blockbusters, mas ainda assim a associação é inevitável – pensou cinema norte-americano, pensou em Hollywood.
Em “A Árvore da Vida”, o diretor e roteirista Terrence Malick faz um trabalho tão não ortodoxo que mesmo sabendo da pluralidade da produção estadunidense é difícil chamá-lo de hollywoodiano.

Muito similar aos trabalhos recentes de Lars Von Trier, “A Árvore da Vida” se inicia com uma série de imagens de uma plasticidade invejável acompanhada de uma trilha sonora composta por grandes obras clássicas (são 37 peças ao todo), uma constante durante todo o filme. A sucessão de imagens desconexas busca uma espécie de efeito não narrativo: elas no máximo insinuam, muito mais do que contam. São momentos felizes de uma típica família americana vivendo no típico subúrbio norte-americano das casinhas de cerca branca na década de 1950 mesclados a cenas do que seria a evolução do planeta desde o Big Bang passando pelos dinossauros.


Malick convida o espectador para uma viagem através de sua câmera privilegiada que retrata da mesma maneira intimista o drama familiar e as explosões cósmicas. É inegável a qualidade e o impacto causado pela mesma em grande parte devido à fotografia de Emmanuel Lubezki.

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É difícil fazer uma sinopse do longa, uma vez que fica claro desde os primeiras sequências que a intenção do diretor é descrever “A Vida”, em todas as nuances, detalhes e subjetividade. Em seus momentos mais narrativos, “A Árvore da Vida” fala das relações conturbadas dentro da família suburbana – o único indício de que se trata de filme um made in USA – a morte de um dos membros, o nascimento dos filhos, a criação rígida do pai (Brad Pitt) etc. Na outra ponta da história, já no presente, Sean Penn, como Jack, é um dos filhos do casal que em meio a uma aparente crise de meia-idade pondera sobre a vida e a forma como lida com a morte.

Embora as atuações sejam consistentes, inclusive o elenco-mirim, o roteiro – escrito pelo próprio Malick –, com sua falta de um direcionamento prejudica o andamento do longa.

Em seu pretensioso intento, Malick cria uma obra bastante hermética e um tanto quanto excessiva. Esquecendo talvez de uma das grandes qualidades do cinema de seu país – mesmo naqueles filmes mais autorais –, o diretor opta por excluir a narratividade em favor da plasticidade e ao longo das mais de duas horas de projeção a constante abstração se torna maçante. “A Árvore da Vida” não vai a lugar nenhum, não diz nada, é apenas um experimento cinematográfico sobre sensações, sentimentos e a condição humana.


Como reflexão sobre a existência talvez seja válido, mas como filme é sofrível.

 

 

Crítica por: José Messias


 

 

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