As versões alternativas dos sucessos Hollywood







Filmes nem sempre são como as pessoas se lembram. Muitas vezes é por questão de memória do espectador, que tem mais com o que se preocupar quando a sessão. No entanto, há casos em que o estúdio decide lançar versões estendidas ou alternativas que podem até passar despercebidas, mas costumam fazer grande diferença no produto final. O exemplo mais recente é Deadpool 2, que ganhou um corte “de natal” em 2018 que trouxe cenas novas para os fãs. E isso não é uma prática nova na indústria cinematográfica, como você pode conferir a seguir.

Apocalypse NowTem como melhorar uma obra que já nasce com o mais alto selo de qualidade? Apocalypse Now Redux veio para mostrar que, sim, é possível deixar algo bom ainda melhor quando é trabalhado por um diretor competente e com amplo conhecimento de sua obra.

Lançada em 2001, 22 anos após o original, a nova versão trouxe mais 50 minutos de cenas não utilizadas no corte pra cinema, deixando o filme com um total de 3h20 de duração. Trabalhado por Francis Ford Coppola, esse novo corte aprofundou ainda mais os horrores e os reflexos da Guerra do Vietnã nos soldados. Consolidando mais ainda o título não-oficial de “melhor filme de guerra”.

Superman II – A Aventura ContinuaContinuação do clássico eterno de Richard Donner, Superman II passou por uma situação completamente incomum. Quando ele foi chamado para dirigir o primeiro filme, a Warner o obrigou a assinar um contrato para que os dois longas fossem filmados simultaneamente. Resultado: antes mesmo de Superman – O Filme entrar em pós-produção, Richard já havia filmado aproximadamente 80% de “A Aventura Continua”. Aí veio o problema. Alegando que o diretor havia descumprido o contrato de gravar os dois ao mesmo tempo, a Warner, que queria dar um tom mais leve e divertido para o capítulo II e pretendia gastar menos na produção, mesmo com o sucesso estrondoso do original, demitiu Richard Donner e chamou Richard Lester para comandar a segunda parte.

O problema é que para ter os créditos de diretor, pelos menos 51% do filme deve ter sido gravado pelo profissional. Ou seja, Lester  descartou mais da metade do material já feito por Donner, resultando em um longa inconsistente, confuso e sem aquele charme do original. Em 2006, a Warner recuperou a versão original de Donner e lançou em DVDs. Não chega a ser surpresa dizer que o filme melhora MUITO. Sem tantas bobeiras e mais coerente, o corte traz uma versão mais madura do Superman de Christopher Reeve, que volta a ter aquele brilho motivacional e confiável do primeiro filme.



Blade RunnerCom nada menos que SETE versões oficiais, o clássico da ficção científica teve uma viagem turbulenta ao longo de sua existência. Foram duas versões de teste exibidas com efeitos inacabados e que foi mal recebida pelo público que teve acesso. A versão americana de cinema completamente picotada pelo estúdio, que termina com um final feliz. A versão internacional de cinema, que é praticamente igual a dos EUA, mas um pouquinho só mais violenta. A versão para TV, que teve as cenas de nudez e os palavrões removidos. A versão do diretor, que incluiu o clássico sonho com o unicórnio e deixou aquele final em aberto se Deckard (Harrison Ford) seria ou não um replicante, e a versão “Ultimate Cut”, que foi completamente montada por Ridley Scott e conta com remasterizações de vídeo e som fantásticas. Existe uma versão oficial? Não. Mas se for para considerar uma, a Ultimate Cut é a mais completa.

O Rei LeãoMuita gente nem sabe dessa aqui. Lançada no começo dos anos 2000, a edição especial do DVD de O Rei Leão chegou às lojas brasileiras trazendo o filme editado com um novo número musical, estrelado pela ave Zazu (Rowan Atkinson), chamado “Relatório Matinal” – se você não se lembra dela, a sequência está disponível no YouTube. Como o DVD teve um grande número de vendas, muitas crianças que não viram o longa original em 1994 cresceram achando que Relatório Matinal fazia parte do filme. Ao mesmo tempo, quem não comprou o DVD provavelmente não faz a menor ideia que esse número musical existe. Na minha opinião – de quem cresceu com a versão estendida -, Relatório Matinal é uma parte fantástica do filme e não deveria ter sido removida do corte original.

Demolidor: O Homem Sem Medo

Considerado por muitos como uma das maiores aberrações que o cinema de filmes com super-heróis já produziu, a adaptação cinematográfica do Demolidor trouxe Ben Affleck completamente perdido no papel de Matthew Murdock e Jennifer Garner como Elektra. A versão que foi para os cinemas, TV e DVD é realmente trágica. Parece um clipe de 2h de duração do Evanescence junto a uma atuação MONSTRUOSA do saudoso Michael Clarke Duncan como Rei do Crime. E uma versão bizarra do Mercenário, interpretado por Colin Farrell. É realmente uma ode ao mau gosto.

No entanto, pouco tempo depois, a FOX lançou a versão sem cortes do estúdio, completamente montada pelo diretor, visando o público +18. Parece outro filme. Está longe da visão visceral que a série da Netflix trouxe para o herói, mas é assustador como esses minutos a mais fizeram falta ao filme. Na versão do diretor, os personagens ficam melhor desenvolvidos, com motivações mais convincentes… Enfim, é um longa mais fundamentado.

WatchmenA HQ de Alan Moore é uma das maiores obras da história da nona arte. Repleta de ideologia, críticas ao sistema podre americano, ao universo dos super-heróis, ao imperialismo americano e ao capitalismo, Watchmen é um quadrinho no mínimo genial. Após sofrer muitos boicotes nos bastidores, a trama enfim foi adaptada para os cinemas pelas mãos de Zack Snyder, que fez créditos de abertura fantásticos para a história, mas ficou só nisso mesmo. Apesar de não ser um filme ruim, Snyder parece não ter entendido a essência e a mensagem que Alan Moore quis passar em sua obra. Muito preocupado com a estética da produção, o diretor acabou, por exemplo, enaltecendo o Comediante e o Rorschac, dois representantes do fascismo e do imperialismo dos EUA e dos super-heróis de quadrinhos.

Vendo essa distorção de sua obra, Alan Moore – que sempre se posicionou contrário a uma adaptação de Watchmen, já que o simples ato de fazer isso já corrompia parte do que a HQ defendia – esculhambou o trabalho de Snyder à frente de seus personagens. Como vocês devem imaginar, Snyder justificou dizendo que os problemas eram por conta do estúdio, que havia feito cortes. Quando o filme saiu em mídia física, foi lançado um Snyder Cut, em versão limitadíssima, que traz mais cenas retiradas diretamente dos quadrinhos – como a morte do Coruja original – e uma trama mais simples, tornando o longa mais “palatável”. Como entretenimento, realmente melhora muito, mas ainda falta a ideologia e as críticas. E quem leu o quadrinho sabe que Watchmen pode ser tudo, menos “palatável”.

Deadpool 2Exibido na semana do natal de 2018, Era Uma Vez um Deadpool é a versão para menores de 14 anos do anti-herói desbocado da Marvel. O filme exclui algumas cenas de violência mais pesada, como a chacina internacional da abertura e troca por cenas divertidas do próprio Deadpool lendo o livro de Deadpool 2 para o ator e roteirista Fred Savage, que foi sequestrado pelo mercenário para que ele tivesse para quem contar a história. Também há a adição de cenas novas divertidíssimas, como a versão “responsável” de Wade Wilson (Ryan Reynolds) na mansão dos X-Men. Sabe aquela hora em que ele diz que ejaculou na saboneteira dos mutantes? Pois é, essa cena está nessa versão. Não é tão bom quanto a versão original de Deadpool 2, mas é um divertimento a mais para os fãs do personagem.

 

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Pedro Sobreiro
Jornalista apaixonado por entretenimento, com passagens por sites, revistas e emissoras como repórter, crítico e produtor.

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