Inocência pura a minha ao achar que Cilada.com seria uma das piores surpresas do ano. Estreia na próxima sexta-feira Assalto ao Banco Central, de Marcos Paulo, um filme repleto de cenas de ação e montagem eficiente. Mas também uma produção adornada pelos mais pífios clichês do cinema estadunidense e com uma trama romantizada, baseada em fatos reais, ocorridos no Brasil há alguns anos.
Sempre soubemos que o cinema brasileiro esteve alguns passos atrás em relação a cinematografia estadunidense. Desde os primórdios, lá no cinema mudo, estávamos sempre em desvantagem. Quando o Brasil desponta para o sucesso tecnológico com as narrativas do cinema mudo, os Estados Unidos divertem os cinemas com as suas primeiras produções sonoras. A desvantagem do Brasil se torna algo muito irrelevante esteticamente com o Cinema novo no interior da conturbada década de 60 e financeiramente com o Cinema da Retomada, iniciado por volta de 1994. Cidade de Deus, Tropa de Elite, diretores como Walter Salles e Fernando Meirelles, mais indicações ao Oscar e outros importantes prêmios estrangeiros. Tudo parecia lindo e belo até a chegada de algumas pérolas com desejo de regressão: em 2011, Cilada.com e este Assalto ao Banco Central são os representantes da ruindade no que tange à representação da linguagem do cinema na produção cultural brasileira.

Na sinopse oficial, temos a seguinte informação: Barão (Milhem Cortaz, mediano) teve a grande ideia de ganhar muito dinheiro em pouco tempo ao cometer o crime perfeito, sem violência. Para isso, basta arrumar as pessoas certas, dispostas a receber R$ 2 milhões, botar o plano em prática e executar a façanha. Após cerca de três meses de operação, R$ 164,7 milhões foram roubados do Banco Central, em Fortaleza, no Ceará. Sem dar um único tiro, sem disparar um alarme, os bandidos entraram e saíram por um túnel de 84 metros cavado sob o cofre, carregando três toneladas de dinheiro. Foi o segundo maior assalto a banco do mundo.


Nada contra a inspiração na cinematografia internacional. Este não é o grande problema de Assalto ao Banco Central, é apenas um deles. Na trama, temos os clichês mais óbvios e o desejo de repetir a fórmula dos sucessos do cinema hollywoodiano. O primeiro ângulo a iluminar está na construção das personagens: a policial interpretada por Giulia Gam, divide a sua investigação policial com alguns problemas pessoais, com o celular que não para de tocar, com alguém do outro lado da linha exigindo atenção. Nada mais óbvio: Sandra Bullock e Jodie Foster já fizeram algo parecido em Cálculo Mortal e O Silêncio dos Inocentes, respectivamente. Lima Duarte faz um delegado que investiga e implica boa parte do tempo com a personagem de Giulia Gam. Próximo do fim acaba aposentado contra a sua vontade. Quer mais clichês? O que dizer do parceiro do vilão, aqui chamado de Barão, que logo no começo percebemos que vai utilizar a sua forma física e essência machista para traçar a mulher do chefe, uma vulgar e durona secretária do namorado, que o ajuda na organização do crime e presta alguns favores na cama? Dois parceiros já maduros da equipe, que nunca se entendem e discutem o tempo inteiro no desenrolar da ação criminosa?

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Se a construção de personagens é problemática, imagina-se que o roteiro também faz a narrativa afundar como uma bigorna: quem pensou assim, acertou. Repleto de flashbacks, o roteiro tinha tudo para disponibilizar uma intrigante história. Aqui, nada acontece: há personagens que desaparecem sem deixar vestígios, intensos buracos na narrativa que às vezes nos confundimos se estamos realmente numa sessão de cinema de ação nacional ou num enredo de feitiços e bruxarias como na sala de cinema ao lado, exibindo Harry Potter, onde coisas desaparecem de forma enigmática, sem deixar vestígios.

Todo este aparato crítico não é para deixar o leitor com pena dos envolvidos. Longe disso. Apesar de ser sofrível, a campanha de marketing do filme é excepcional e o trailer interessante, provavelmente garantindo o retorno do investimento na produção e a possibilidade de novos papéis para os envolvidos no elenco.


Crítica por:
Leonardo Campos

 


 

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