A megafusão que envolve a Paramount Global e a Warner Bros. Discovery continua gerando fortes turbulências em Hollywood. Uma nova ação coletiva foi protocolada na Corte de Chancelaria de Delaware para tentar impedir o negócio. Nela, acionistas acusam David Ellison e seu pai, Larry Ellison (fundador da Oracle), de terem fechado um acordo ilegal com o presidente Donald Trump para garantir a aprovação regulatória da fusão.
De acordo com o The Hollywood Reporter, os investidores alegam que os Ellison prometeram profundas mudanças editoriais na CNN para agradar ao governo.
Além disso, o processo aponta um suposto esquema de favorecimento que envolve promessas de até US$ 20 milhões em publicidade gratuita para Trump e um polêmico pagamento anterior de US$ 16 milhões feito pelo estúdio. Esse valor serviu para encerrar uma ação movida por Trump contra a CBS por causa de uma entrevista com Kamala Harris no programa 60 Minutes, um processo que os acionistas classificam como “sem fundamento”.
“As ações dos Ellison não apenas prejudicam a reputação dos veículos de comunicação que atualmente controlam, os quais vêm perdendo audiência, como também criam passivos ocultos que podem ser acionados por futuras administrações”, afirma o texto do processo, que acusa o conselho de administração de violação do dever fiduciário e de colocar a empresa em risco jurídico extremo.
Segundo os investidores, a interferência de Trump teria sido crucial para que a Paramount vencesse a disputa pela compra da Warner Bros. Discovery, atropelando barreiras regulatórias. No entanto, a estratégia já estaria cobrando o seu preço: a ação destaca que a CBS News vem sofrendo uma forte crise, registrando seus piores índices de audiência em 25 anos e enfrentando uma debandada de profissionais descontentes com a linha editorial.
“Após receber a aprovação regulatória, os Ellison passaram a remodelar a CBS à imagem do presidente, adquiriram propriedades de seu interesse e até promoveram eventos em sua homenagem”, escreveu a advogada Mary Thomas, representante dos acionistas. “Isso pode ter beneficiado os Ellison, mas aparentemente prejudicou a Paramount e seus veículos de mídia”.
O caso ganhou novos desdobramentos após o jornalista Charles Gasparino, do New York Post, revelar a existência de um suposto acordo paralelo que incluiria até US$ 20 milhões em programação voltada a causas conservadoras. Pouco depois, o próprio Trump afirmou publicamente ter recebido milhões de dólares em publicidade dos “novos proprietários” da empresa.
A Paramount negou veementemente essas acusações, afirmando que “não tem conhecimento de qualquer promessa ou compromisso feito ao presidente Trump” além do acordo oficializado no início de julho.
Para piorar a situação jurídica do estúdio, uma reportagem da ProPublica revelou que o presidente da Comissão Federal de Comunicações (FCC), Brendan Carr, e a comissária republicana Olivia Trusty receberam presentes de milhares de dólares da Paramount, incluindo ingressos para o prestigiado evento Kennedy Center Honors.
A FCC, que supervisiona os negócios da empresa desde 2024 e já havia autorizado a transferência de licenças na compra da Paramount pela Skydance, agora analisa um pedido ainda mais delicado: uma autorização para que fundos soberanos do Golfo comprem uma participação de 49,5% na nova companhia resultante da fusão.
Com a chegada do novo processo judicial, que se soma à pressão de uma coalizão de 12 procuradores-gerais estaduais e do sindicato dos roteiristas (WGA), o futuro da nova gigante de mídia se torna cada vez mais incerto.



