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‘Brenda Lee’, ‘Dreamgirls – Em Busca de um Sonho’ e os melhores musicais de 2025


O teatro é uma das expressões artísticas mais condizentes à capacidade da criação humana – e não é surpresa que seja considerada uma forma de arte superior ao lado de tantas outras incursões de igual renome. E, quando pensamos no cenário musical, diversas produções chegam aos palcos brasileiros para encantar o público e mostrar que nossos artistas não devem nada aos de fora e nem mesmo deixam a desejar quando pensamos em produções originais.

Visto que nos aproximamos das semanas finais de 2025, relembrar os melhores momentos dos últimos doze meses é natural – e aqui no CinePOP isso não seria diferente.

Dando continuidade às nossas matérias de final de ano, preparamos uma breve matéria elencando os cinco melhores musicais que agraciaram os palcos da capital paulista.



Confira abaixo as nossas escolhas:

5. WICKED

A terceira temporada de Wicked teve início em março deste ano no Teatro Renault, em São Paulo – e, felizmente, o retorno a um dos maiores locais de entretenimento da cidade provou ser essencial para o sucesso da apresentação, apostando em uma mudança total de cenários e efeitos especiais para nos comover uma vez mais. E, considerando os incontáveis problemas de suas exibições no Teatro Santander, é interessante voltar a um vibrante e coloridos microcosmos que parece ter aprendido com os erros de um passado não muito distante e se mostra disposto a resgatar a magia outrora perdida – encontrando sucesso em quase sua completude.

John Stefaniuk retornou como diretor geral do espetáculo e corrigiu os deslizes que cometeu dois anos atrás, aproveitando o amplo espaço do teatro para garantir uma experiência maximizada do público – que irrompeu em aplausos a cada canção performada e cada aparição das atrizes durante as sessões. E, à medida que o crescendo do final da primeira parte chega às gloriosas notas finais, adentramos um sólido ato de encerramento que navega com êxito pela comédia e pelo drama.

4. UMA BABÁ QUASE PERFEITA

Em 1993, Robin Williams eternizava mais um de seus icônicos papéis no cenário cinematográfico com o lançamento de ‘Uma Babá Quase Perfeita’ – que, até hoje, é considerado um dos filmes mais conhecidos dos anos 1990. Em 2019, essa incrível e tocante história chegou aos palcos através de uma adaptação musical que, apesar de ter recebido críticas mistas, conquistou o público antes de fazer seu début na Broadway. Agora, somos convidados para a releitura brasileira desse enredo inspirador com uma sólida direção de Tadeu Aguiar e um elenco de peso que inclui Eduardo Sterblitch no papel protagonista.

Ao longo de duas horas e meia que passam em um piscar de olhos, o diretor alia-se a um time de grandes artistas para idealizar uma visão que se iguale à irretocável identidade da Broadway, mas sem deixar de lado pormenores que dialoguem diretamente com os espectadores brasileiros – engendrando uma apaixonante história de amor familiar cujas múltiplas camadas são assimiladas de formas diferentes por cada um.

3. BRENDA LEE E O PALÁCIO DAS PRINCESAS

Brenda lee 2

A figura da ativista Brenda Lee, conhecida como o Anjo da Guarda das Travestis, foi eternizada com o musical Brenda Lee e o Palácio das Princesas, que este ano retornou com uma nova montagem no Teatro Vivo, na Zona Sul da capital. Em meio a constantes ressurgimentos das pautas LGBTQIA+, minadas dia após dia com a ascensão da extrema direita e de grupos conservadores, a peça mostra-se mais importante do que nunca: afinal, a história de Brenda é um reflexo que parece se manter imóvel frente a pessoas que não entendem a pluralidade de gêneros e de identidades e que transformam essa comunidade em um bode expiatório de problemas estruturais muito maiores. E, guiada por um elenco irretocável, a nova versão dessa memorável história é espetacular e tocante do começo ao fim.

O espetáculo toma forma com apenas um cenário imóvel; entretanto, diferente do que podíamos imaginar, a mescla industrial e vaudeville que compõe a arquitetura do palco torna-se entidade viva para que acompanhemos o arco das protagonistas em meio a uma divertida multiplicidade artística que singra pelo tango, pelo samba, pelas baladas pop e pelo rock. Dessa maneira, somos engolfados em uma verborrágica e apaixonante declamação que quase se transforma em poesia através de atuações certeiras e recheadas de impecáveis sutilezas – com destaque ao glorioso retorno de Verónica Valentino como Brenda Lee.

2. DREAMGIRLS – EM BUSCA DE UM SONHO

A inspiradora história de ‘Dreamgirls – Em Busca de um Sonho’ chegou pela primeira vez aos palcos brasileiros em 2025, pelas mãos de Gustavo Barchilon: a trama é centrada em um trio de cantoras amadoras de Chicago conhecido como The Dreamettes, cujo sonho é alcançar o estrelato em uma época em que cantores negros de soul, jazz, R&B e gêneros correlatos lutavam para alcançar o mínimo de reconhecimento em um país marcado pela segregação e pelas disputas raciais.

Estendendo-se pelas décadas de 1960 e 1970, a história funciona como uma grande carta de amor à música e finca suas inspirações nas artistas da MOTOWN (uma das principais produtoras da época, responsável por lançar ao mundo nomes como The Supremes e Ashford & Simpson) e na forma como o soul não apenas se sagrou como um dos principais gêneros das rádios, mas num palanque histórico de empoderamento e de libertação. E, ao longo de duas horas e meia que passam em um piscar de olhos, o resultado é mais do que aprazível e mostra que o musical já deveria ter chegado em território nacional há bastante tempo.

1. RAPSÓDIA – O MUSICAL

Foto: Álefe Ouriques

‘Rapsódia – O Musical’ é um projeto bem diferente do que estamos acostumados: após ter estreado no Rio de Janeiro após uma década, a peça passou por uma remodelação estrutural e criativa que culminou em sua estreia nos palcos de São Paulo, na Sala Experimental do Teatro B32, e que se configurou, desde seu début no começo do mês, como uma das joias do cenário independente por seu caráter inovador e original, mergulhando de cabeça na cultura nacional e rearranjando conhecidos tropos do terror, da comédia e do próprio musical em uma explosiva e hilária narrativa.

Criada e dirigida por Mau Alves (‘Glam’), que também entra como um dos personagens principais e produtor da atração, a trama acompanha o tímido e estranho Pátrio (Felipe Assis Brasil), um jovem que se muda para a fictícia cidade de Rapsódia após ser chamado para trabalhar com o primo distante, Jeremias (Conrado Helt). Pátrio é escalado como braço-direito de Jeremias em uma fábrica de sabão, cujos estranhos funcionários e dono escondem um segredo que o protagonista está determinado a descobrir – e que se esconde em um críptico porão trancado a sete chaves. A partir daí, Pátrio se vê engolfado e arrastado para uma complexa artimanha que se estende por breves uma hora e vinte e que nos arrebata logo nos primeiros segundos.

Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.
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