Cannes 2006 | Demi Moore, Chloé Zhao e Stellan Skarsgård compõem o júri oficial do Festival, liderado por Park Chan-wook

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Faltando apenas oito dias para o início do 79º Festival Internacional de Cinema de Cannes, a organização anunciou oficialmente os integrantes do júri que terá a missão de escolher o próximo vencedor da cobiçada Palma de Ouro, sucedendo Foi Apenas um Acidente, de Jafar Panahi.  

Presidido pelo cineasta sul-coreano Park Chan-wook, o júri reúne nomes consagrados e novas vozes do cinema contemporâneo. Ao seu lado, estarão nove profissionais de diferentes nacionalidades e áreas do audiovisual: a atriz e produtora Demi Moore; a atriz e produtora irlandesa-etíope Ruth Negga; a diretora e roteirista belga Laura Wandel; a cineasta chinesa vencedora do Oscar Chloé Zhao; o diretor e roteirista chileno Diego Céspedes; o ator marfinense-americano Isaach De Bankolé; o roteirista escocês Paul Laverty; e o veterano ator sueco Stellan Skarsgård.

A equipe terá a responsabilidade de avaliar os 22 filmes em competição oficial e definir qual longa levará a Palma de Ouro na cerimônia de encerramento, marcada para 23 de maio. O CinePOP acompanha tudo de perto em cobertura especial entre 12 e 23 de maio, trazendo críticas, entrevistas e bastidores diretamente da Croisette.

Conheça o júri do Festival de Cannes 2026

Park Chan-wook (Coreia do Sul) – Presidente do Júri

Diretor, roteirista e produtor, Park Chan-wook é um dos grandes arquitetos do cinema sul-coreano moderno. Seu reconhecimento internacional explodiu com Oldboy (2003), vencedor do Grande Prêmio em Cannes em 2004 e peça central de sua célebre trilogia da vingança, composta ainda por Mr. Vingança e Lady Vingança.

Seu cinema combina violência estilizada, humor ácido e crítica social, marcas que retornam em filmes como A Criada (2016) e Decisão de Partir (2022), este último vencedor do prêmio de direção em Cannes. 

Demi Moore (Estados Unidos)

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Indicada ao Oscar em 2025, Demi Moore vive uma fase de redescoberta artística após o sucesso de A Substância, dirigido por Coralie Fargeat, exibido em Cannes e vencedor do prêmio de roteiro em 2024.

Moore construiu uma carreira marcada por sucessos populares como Ghost – Do Outro Lado da Vida, Questão de Honra, Proposta Indecente e Até o Limite da Honra. Nos últimos anos, retornou ao protagonismo na indústria com projetos mais ousados e elogiados pela crítica, reafirmando sua relevância para além do estrelato dos anos 1990.

Ruth Negga (Irlanda / Etiópia)


Ruth Negga construiu uma trajetória sólida transitando com naturalidade entre cinema, televisão e teatro. Nascida na Etiópia e criada na Irlanda, ela ganhou reconhecimento internacional ao interpretar Mildred Loving no aclamado drama, Loving (2016,) dirigido por Jeff Nichols, exibido em competição em Cannes.

Nos últimos anos, voltou a receber elogios da crítica por Identidade (2021), adaptação da Netflix, além de marcar presença na TV em produções como Preacher (2016-2019) e Acima de Qualquer Suspeita (2024), da Apple TV+. Com escolhas cuidadosas e performances intensas, Negga é um dos nomes mais respeitados de sua geração.

Laura Wandel (Bélgica)

A diretora e roteirista belga Laura Wandel é um dos nomes mais promissores do cinema europeu contemporâneo. Seu longa de estreia, Playground (2021), chamou atenção ao ser exibido na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes, onde conquistou o prêmio da crítica (FIPRESCI). 

A diretora aposta em um estilo realista e imersivo, explorando relações humanas sob forte tensão psicológica. Seu trabalho mais recente, Pelo Bem de Adam, reforçou seu prestígio no circuito de festivais.

Chloé Zhao (China)

Poucos cineastas tiveram ascensão tão meteórica quanto Chloé Zhao. Após chamar atenção com Songs My Brothers Taught Me (2015) e Domando o Destino (2017), a diretora conquistou Hollywood com Nomadland (2020), vencedor do Oscar de Melhor Filme e Melhor Direção.

Ela também dirigiu Eternos (2021), da Marvel, mostrando habilidade para transitar entre cinema autoral e blockbuster. Ano passado arrebatou o público e a crítica com a adaptação de Hamnet, pelo qual recebeu sua segunda nomeação ao Oscar. 

Diego Céspedes (Chile)

Representando uma nova geração do cinema latino-americano, Diego Céspedes venceu a mostra Un Certain Regard em 2025 com seu primeiro longa, O Olhar Misterioso do Flamingo. Antes disso, chamou atenção com curtas premiados como El verano del léon eléctrico (2018). Seu cinema explora identidade, desejo e pertencimento.

Isaach De Bankolé (Costa do Marfim / EUA)
Close-up of a smiling Black man wearing a red jacket, outdoors in a garden setting.

Veterano do cinema internacional, Isaach De Bankolé iniciou sua carreira na França e venceu o César de ator revelação por Black Mic Mac (1986). Tornou-se figura recorrente na filmografia de Jim Jarmusch, em títulos como Ghost Dog (1999) e Uma Noite Sobre a Terra (1991). Também integrou produções de grande alcance como 007 Cassino Royale (2006) e Pantera Negra (2018).

Paul Laverty (Escócia)

Smiling man with arms crossed in front of weathered red and black wooden planks, wearing a black zip-up jacket and cap.

Roteirista político por excelência, Paul Laverty é colaborador histórico de Ken Loach, com quem escreveu obras fundamentais como Terra e Liberdade (1995), Meu Nome é Joe (1998), Eu, Daniel Blake (2016) e Ventos da Liberdade (2006), dois destes vencedores da Palma de Ouro. Seu trabalho é marcado pelo forte engajamento social, retratando desigualdade, imigração, classe operária e injustiça social com contundência.

Stellan Skarsgård (Suécia)

Um dos atores europeus mais respeitados em atividade, Stellan Skarsgård construiu carreira admirável conciliando cinema de autor e franquias globais. Conhecido por filmes aclamados como Ondas do Destino (1996) e Dançando no Escuro (2000), ele também participou dos blockbusters Thor, Mamma Mia!; Vingadores e Piratas do Caribe. Recentemente, esteve em Duna: Parte Dois e indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo filme Valor Sentimental, laureado com o Grand Prix du Jury no festival do ano passado. 

Com um júri tão diverso e prestigiado, Cannes 2026 reforça seu papel como principal vitrine do cinema mundial, além de termômetro da temporada de premiações. Agora, resta saber qual dos 22 concorrentes conquistará o grupo liderado por Park Chan-wook e entrará para a história do festival. 

Letícia Alassë
Letícia Alassë
Crítica de Cinema desde 2012, jornalista e pesquisadora sobre comunicação, cultura e psicanálise. Mestre em Cultura e Comunicação pela Universidade Paris VIII, na França e membro da Abraccine, Fipresci e votante internacional do Globo de Ouro. Nascida no Rio de Janeiro, mas desde 2019, residente em Paris, é apaixonada por explorar o mundo tanto geograficamente quanto diante da tela.

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