Em 30 de janeiro de 2026, a amada e carismática atriz, comediante e roteirista Catherine O’Hara faleceu aos 71 anos de idade, em Los Angeles, após enfrentar uma breve enfermidade.
O’Hara agraciou as telonas e as telinhas com um talento nato para a comédia, tornando-se um emblema do gênero com produções como ‘Esqueceram de Mim’ e ‘Schitt’s Creek’. A versada artista também emprestou suas habilidades para produções dramáticas, como ‘Temple Grandin’ e ‘The Last of Us’, denotrando uma camaleônica paixão performática que a garantiu dezenas de prêmios e reconhecimento em mais de cinco décadas de trabalho.
Pensando nisso e honrando seu imortal legado, preparamos uma breve lista elencando cinco papéis para relembrar e celebrar Catherine O’Hara.
Confira abaixo as nossas escolhas:
DELIA DEETZ, Os Fantasmas se Divertem (1988)

Ao longo de sua carreira, O’Hara trabalhou algumas vezes com o diretor Tim Burton, tendo dublado Shock e Sally no stop-motion ‘O Estranho Mundo de Jack’, bem como Susan Frankenstein na animação ‘Frankenweenie’. Porém, dentre duas colaborações, a de maior sucesso é o clássico cômico sobrenatural ‘Os Fantasmas se Divertem’ – que inclusive teve uma recente sequência lançada nos cinemas que trouxe a atriz de volta como a excêntrica Delia Deetz.
Divertindo-se como nunca ao encarnar uma pedante artista com ganas de ascender socialmente – e que se utiliza de uma admiração falsa pela vida para chamar a atenção de todos -, O’Hara rendeu-se a uma performance magnífica e envolvente que foi apoiada pela ótima química ao lado de Winona Ryder, que interpretou sua filha, Lydia. E, como esperado, a artista trouxe ainda mais elementos cômicos e inesperados para a já mencionada continuação.
KATE MCCALLISTER, Esqueceram de Mim (1990)

Em 1990, O’Hara integrou o elenco da clássica comédia ‘Esqueceram de Mim’, de Chris Columbus. O longa-metragem é centrado no pequeno Kevin McCallister (Macaulay Culkin), que é deixado pela numerosa família para trás durante as festividades natalinas – e deve salvar o casarão de ser assaltado por ladrões desastrados que não contavam com a genial e sagaz mente do garoto, que constrói armadilhas diversas para desmoralizá-los por completo.
Na produção, O’Hara eternizou o papel de Kate McCallister, mãe de Kevin – uma ansiosa, preocupada e martirizada mãe que se arrepende imediatamente de não ter dado mais atenção para Kevin. Navegando pelos altos e baixos da maternidade através de uma atuação memorável, a atriz eternizou uma das frases mais icônicas da época (“KEVIN!”) e retornou para uma sequência ambientada na cidade de Nova York.
MICKEY CRABBE, A Mighty Wind

Na ótima comédia mockumentária ‘A Mighty Wind’, o diretor e corroteirista Christopher Guest nos convida para uma instigante narrativa inspirada no ícone da música Harold Leventhal e acompanha três músicos de uma banda de folk se reúnem após a morte do seu empresário para fazer um show em sua homenagem. Com o dia do show se aproximando, crescem as apreensões, romances se reacendem e ambições são deixadas de lado.
No longa-metragem, O’Hara colaborou mais uma vez com Eugene Levy, com quem voltaria a atuar em ‘Schitt’s Creek’ na década seguinte, aperfeiçoando a sólida química de que desfrutaram como a dupla musical Mitch & Mickey, que fez sucesso gigantesco nos anos 60 com a canção “A Kiss at the End of the Rainbow”. Para o papel O’Hara aprendeu a tocar o instrumento conhecido como autoharp e, como se não bastasse, fez suas próprias performances vocais na produção.
MOIRA ROSE, Schitt’s Creek (2015 – 2020)

Após permanecer um pouco longe dos holofotes através de projetos que não conseguiam despontar no cenário mainstream, a carreira de O’Hara passou por uma merecida ressurgência e louvor quando foi escalada como a divertida, despojada e propositalmente exagerada Moira Rose na aplaudida sitcom ‘Schitt’s Creek’. Dotada de um belíssimo arco que a transformou de uma resistente e materialista mulher em uma defensora da comunidade à medida que se aproxima e conhece as pessoas da cidade titular, O’Hara entregou-se a um apaixonante coming-of-age que nos arrancou lágrimas e gargalhadas.
O impecável trabalho de O’Hara na série não passou despercebido: após conquistar incontáveis prêmios durante as primeiras cinco temporadas, ela foi reconhecida pela Academia de Televisão com o Emmy Award de Melhor Atriz em Série de Comédia, além de ser condecorada com o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Série de Comédia ou Musical, abrindo novas portas para uma admirável filmografia que continua a se reinventar.
PATTY LEIGH, O Estúdio (2025)

‘O Estúdio’ tornou-se uma das produções mais aclamadas de 2025 e trouxe Seth Rogen como o mais recente executivo a ser escalado para domar as rédeas de um estúdio cinematográfico largado às traças, navegando através das engrenagens de Hollywood com uma metalinguagem apaixonante e uma ácida narrativa crítica que conquistou o público e a crítica. E, em um de seus papéis finais antes de falecer, O’Hara nos deslumbrou como Patty Leigh, a ex-chefe do estúdio que perdeu o emprego para Matt (Rogen), seu pupilo – que tenta fazer de tudo para mantê-la perto, nem que lhe dê uma vaga emblemática de produtora para guiá-lo em meio a leões famintos por dinheiro.
Repetindo seu feito com a sitcom ‘Schitt’s Creek’, a artista foi ovacionada por sua irretocável performance, reiterando-se como um dos maiores emblemas da comédia com uma sagacidade inebriante. Não é surpresa que ela tenha conquistado indicações ao Emmy Award e ao Globo de Ouro de Melhor Atriz em Série de Comédia – além de continuar indicada à próxima cerimônia do Actors Award na mesma categoria.


