Cuidado: muitos spoilers à frente.

Cidade Invisívelteve sua segunda temporada confirmada hoje pela Netflix.

A série tornou-se uma das novas sensações da Netflix, por apresentar ao público uma interessante história que celebra o folclore brasileiro de uma forma contemporânea e irreverente. Apesar dos deslizes rítmicos e narrativos, a introdução de uma mitologia local ao cenário mainstream foi uma jogada de mestre da gigante de streaming e levantou diversas internas e externas, fosse em relação às investidas originais para a indústria do entretenimento nacional, fossem em relação ao futuro da própria série.



A história mistura realidade e fantasia e nos transporta para os dias de hoje, na cidade do Rio de Janeiro, onde um problemático policial ambiental chamado Eric (Marco Pigossi) lida com o trágico falecimento da esposa e descobre que sua morte pode estar relacionada com um místico mundo que se esconde bem à vista: a das entidades folclóricas.

Resolvendo investigar por conta própria, Eric cruza caminho com perigosas criaturas que também estão sendo caçadas por uma força maligna que despertou nos confins da Floresta do Cedro e quer vingança. Ele, então, conhece a poderosa Cuca (Alessandra Negrini), disfarçada sob o alter-ego de Inês; o temível Tutu (Jimmy London), apelido de Tutu Marambá; a sensual Camila (Jessica Cores), que saiu das águas como Iara e agora fica sob tutela de Cuca como cantora de um bar; e muitos outros. Mas o principal é que Eric descobre que é filho de Manaus (Victor Sparapane), um charmoso homem que, na verdade, é o Boto Cor-de-Rosa. E o que isso representa para o seu futuro?



A produção estende-se por apenas sete episódios e, enquanto faz um bom trabalho em sintetizar o que poderia cair em diversos furos, investe em peso em reviravoltas constantes e que se tornam cansativas – mas ainda assim reserva um tempo para abrir ganchos para uma a segunda temporada – confirmada hoje pela Netflix.

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QUEM É ERIC? E QUEM É GABRIELA?

Eric é o filho do Boto Cor-de-Rosa, isso já nos é mostrado desde o quarto capítulo. Mas dizer que ele apenas é sangue do sangue de uma antiga e poderosa entidade é ser simplista demais – afinal, ele também deve estar, de alguma forma, conectado com a magia que rodeia esses lendários personagens.



Pouco antes do season finale, Eric se torna alvo do Corpo-Seco, uma criatura demoníaca que foi cuspida de volta do seu túmulo após ser rejeitada tantos pelo Paraíso quanto pelo Inferno. A aparição, alma podre de um caçador que foi assassinado pelo Curupira (Fábio Lago), quer vingança contra as lendas do folclore que se escondem por aí e, ao possuir o corpo do policial protagonista, se vê apto a concluir sua jornada e a exterminar quem outrora lhe fez mal.

Felizmente, Cuca e os outros personagens conseguem se unir para impedi-lo do receptáculo humano – e Eric, num ato de heroísmo, tenta se matar para expulsá-lo de vez de seu sofrimento eterno. Entretanto, as coisas não são tão simples assim: no purgatório, ele se reúne com a falecida esposa, Gabriela (Julia Konrad), apenas para entender que sua jornada estava apenas começando e que seu caminho ainda era longo. Afinal, ele agora era parte de uma tribo milenar e mítica. Mas de que forma?

As perguntas são muitas – e as respostas, praticamente inexistentes. Gabriela teve um contato profundo com a comunidade ribeirinhas e com as crenças mitológicas, provavelmente sendo arrastada pelo vigoroso defensor das entidades, Ciço (José Dumont), e passando por uma metafísica compreensão shakespeariana de que “há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia”. Talvez ela fosse parte de algo maior, talvez precisasse de um empurrãozinho para se recordar de que também pertencia àquele universo – e estivesse entre nós por determinado momento e para ajudar seu marido e sua filha, ainda que indiretamente.

E Eric? Bom, talvez Raphel Draccon e Carolina Munhóz, dois expoentes da literatura fantástica brasileira, estejam guardando reviravoltas para os episódios futuros e resolvam criar uma história de origem para o protagonista. Afinal, diversas criaturas do folclore ainda não deram as caras – e só podemos esperar que, seguindo os passos de produções similares, eles apareçam e alimentem o ousado panteão construído e distorcido.



O QUE ESPERAR DA 2ª TEMPORADA?

Dentre as várias perguntas a serem respondidas, inclusive qual a jornada que Eric irá trilhar a partir de sua “ressureição”. De certa forma – e considerando sua profunda conexão com esse imbatível e perigoso cosmos -, é possível que ele insurja como arauto de uma grande guerra entre tradição e progresso, vida e morte, realidade e fantasia que tomará proporções catastróficas. Sua presença como “guerreiro”, se é que essa é a palavra correta a ser usada, é um agouro de mudança e pode (e deve) ser utilizado com cautela.

E quanto aos personagens? Diversas lendas famosas ainda não foram trazidas para a nova série da Netflix – algo que nos deixou sedento por mais. É claro que jogá-las sem mais nem menos não era um caminho produtivo, motivo pelo qual a cruel decisão de focar em apenas algumas lendas foi tomada. Criaturas como a Mula sem Cabeça, o Caipora, o Boitatá, o Lobisomem e o Negrinho do Pastoreio são alguns dos ícones que permeiam o imaginário popular e merecem destaque nas vindouras temporadas – isso sem mencionar os contos menos conhecidos e que volta e meia são trazidos de volta à vida.

Em um âmbito menos envolvente – e talvez um dos principais problemas da série -, temos as consequências rodeando as tramas policiais e políticas de Cidade Invisível. Ivo (Rafael Sieg), chefe do departamento onde Eric trabalha, deve continuar investigando as múltiplas acusações de assassinato de seu funcionário e, quem sabe, enfrentar algo muito além de sua compreensão. Ademais, temos o conflito entre a comunidade ribeirinha e a corporação administrada pelo Dr. Afonso (Rubens Caribé), que perdeu o apoio da população e provavelmente irá recorrer a outros meios para conseguir o que deseja (e vingar a morte do pai, Antunes).


E você? O que espera do 2º ano da série?

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