CineMATO | ‘Mãe’ e ‘Dandara’, curtas que abordam o preconceito com mulher trans e criança negra, se DESTACAM

A 22.ª edição do CineMATO, que está sendo realizada de 14 a 20 de julho de 2025, já se consolidou como um marco cultural. A curadoria destacou obras que dialogam com saberes ancestrais, resistências raciais, representatividade LGBTQIA+ e a valorização dos territórios amazônicos.

Sob o tema “Decolonizando a Amazônia”, a programação inclui 6 longas e 15 curtas-metragens nacionais competindo ao Troféu Coxiponé, homenageando a etnia Bororo do Coxipó e simbolizando resistência cultural.

Além disso, parte significativa dos curtas e longas está disponível gratuitamente online, no canal oficial do festival no YouTube, democratizando o acesso em todo Brasil. 

Dois curtas se destacam por escancararem exclusões e, ao mesmo tempo, celebrarem humanidade, dignidade e resistências.

Mãe‘ traz uma mulher trans como centro dramático num pequeno centro urbano. A representação sensível de Maria – sua vulnerabilidade, resistência, busca de pertencimento – é rara e potente. O filme mostra como políticas de gênero atravessam vida íntima, fé, família e comunidade rural.

Assista:

Dandara‘ impacta por sua abordagem infantil sobre racismo e autorrepresentação. A criança protagonista questiona estereótipos de beleza enquanto enfrenta microagressões. É um curta de clareza estética e emocional que fortalece narrativas antirracistas no audiovisual brasileiro.

Ambos os curtas se destacam por escancararem exclusões e, ao mesmo tempo, celebrarem humanidade, dignidade e resistências.

Confira os nossos curtas preferidos até o momento:

  1. Mãe (RS, ficção, 20 min) – de João Monteiro
    A história de Maria, mulher trans em uma pequena cidade do Rio Grande do Sul, que lida com desafios familiares, preconceito e sua própria busca por reconhecimento e afeto. Um retrato raro e delicado da vida trans em contexto periférico. Encontrou recortes de grande humanidade.
  2. Dandara (GO, ficção, 14 min) – de Raquel Rosa
    Uma narrativa sensível sobre uma criança negra que enfrenta racismo na escola e questiona sua própria beleza. Um relato poderoso, que confronta preconceitos cotidianos e reafirma a dignidade negra. Destaque central por sua profundidade temática.
  3. O Enegrecer de Iemanjá e a Subtração do Sagrado Afro (PR) – de Uê Puauet
    Reflexão documental sobre a secularização e apagamento de religiões afro-brasileiras. Combina imagética poderosa e crítica sociocultural.
  4. Albuesas (MT) – de Glória Albues
    Enredo que celebra cultura indígena mato-grossense e expressão feminina. Estética autenticamente regional e vibrante.
  5. Linda do Rosário (RJ) – de Vladimir Seixas
    Um retrato íntimo sobre identidade feminina negra e resistência num cotidiano urbano. Forte na sua narrativa de invisibilidades.
  6. Benção (BA) – de Mamirawá e Tainã Pacheco
    Uma obra poética e ritualística que explora espiritualidades afro-brasileiras, ancestralidade e celebração comunitária. Curta sensorial que emociona pela força simbólica.
  7. Maira Porongyta – o aviso do céu (MT) – de Kujãesage Kaiabi
    Conexão entre a jovem indígena e a espiritualidade Kaiabi. Uma jornada ancestral de conhecimento e previsões do céu.

Você pode assistir aos filmes aqui: Youtube/Cinemato

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Renato Marafon
Renato Marafon
Criador do CinePOP em 1999 e apaixonado por cinema.